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Pós-festa: o radical plano das esquerdas para implodir economia francesa

Bom resultado eleitoral, deixando a frente esquerdista como o maior bloco, abre caminho para retrocessos que custarão caro, literalmente

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 9 jul 2024, 06h33 - Publicado em 9 jul 2024, 06h31

A França está na fase surtada, e isso inclui o presidente Emmanuel Macron, com sua proposta de manter o primeiro-ministro Gabriel Attal, mesmo depois da grande e inesperada vitória da esquerda unida na Nova Frente Popular.

Se a esquerda foi votada justamente porque é contra o governo, qual sentido faria em manter esse mesmo governo? Attal até já anunciou sua renúncia, como é correto.

Qualquer futuro acordo tem que incluir o saco de muitos e diferentes gatos da Nova Frente Popular, que vai desde a centro-esquerda, tal como representada pelo Partido Socialista, até os radicais da França Insubmissa, o partido de Jean-Luc Mélenchon. Como é o partido mais votado, ele teoricamente teria o “direito” de entrar numa coalizão como primeiro-ministro.

Seria uma implosão para a economia francesa, a sétima maior do mundo – PIB de três trilhões de dólares -, mas os mesmos problemas dos outros grandes europeus: estado de bem-estar social exemplar, mas insustentável, endividamento e pouco dinamismo.

CUSTO PESADO

As propostas da esquerda agravam todos esses problemas. A mais importante causa defendida pela esquerda – e também pela direita populista de Marine Le Pen – é a reversão da reforma que Macron passou por decreto, aumentando, gradualmente, de 60 para 64 anos a idade da aposentadoria.

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O Instituto Montaigne, de perfil liberal, já calculou quanto custaria isso: 58 bilhões de euros por ano, sem incluir na conta o descrédito com um país que desfaz suas próprias reformas.

Congelar os preços de gasolina, energia e alimentos de primeiro necessidade, mais 24 bilhões de euros. No total, segundo economistas do Citi, citados pelo Telegraph, as propostas da Nova Frente Popular teriam um custo anual adicional de 100 a 200 bilhões de euros. Outros cálculos chegam a 300 bilhões. A dívida em relação ao PIB subiria para 125%.

Claro que a proposta para conseguir esse dinheiro é “taxar os ricos”, ou, como dizem, “abolir os privilégios dos bilionários”, incluindo restaurar o imposto sobre fortunas extinto por Macron, uma ideia essencialmente equivocada e prejudicial para o conjunto da economia – e, portanto, para todo o país, inclusive os mais pobres que as esquerdas pretendem “ajudar”.

DOIS EX-TROTSKISTAS

Qual empreendimento estrangeiro quer investir em produção hoje na França, mesmo sendo um país espetacular, com ótimo nível educacional, mercado consumidor sólido e financeiro atrativo, rica infraestrutura tecnológica e científica, entre outras enormes vantagens?

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Quem se arriscaria a fazer isso com um governo dominado pelas esquerdas, com uma proposta, entre outros radicalismos, de aumentar o salário mínimo em 14%, os dias de folga e as alíquotas dos impostos de cinco para catorze, chegando a 90% para rendimentos acima de 411 mil euros?

As propostas da aliança esquerdista fazem até o novo governo trabalhista na Grã-Bretanha parecer moderado.

A respeito, note-se que tanto o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, quanto o potencial primeiro-ministro francês, Mélenchon, são ex-trotskistas, uma categoria – ex – que muitos dizem não existir.

DEPUTADOS “CAPACHOS”

Mélenchon, embora tenha arenas 28% de aprovação da opinião pública, não só mantém o discurso radical como faz sucesso entre os esquerdistas raiz exatamente por causa dele. Ideologicamente, inclusive no antissemitismo, está mais próximo do líder trabalhista que Starmer precisou manobrar para derrubar, Jeremy Corbyn.

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Com isso, o inglês ganhou em aceitabilidade para um público mais amplo e faturou com a extrema rejeição ao Partido Conservador, depois de catorze anos no poder.

Pode agora até, teoricamente, propor a abolição da monarquia. Numa Câmara de 650 parlamentares, os trabalhistas britânicos têm 412, uma maioria esmagadora. Em comparação, as esquerdas francesas da Nova Frente elegeram 182 deputados de um total de 577. Nem formar governo sem alianças podem.

O sistema político na França é diferente, com um misto de presidencialismo e parlamentarismo. Quando presidente e deputados majoritários são do mesmo partido, os segundos funcionam, segundo uma uma descrição nada caridosa, como “capachos”.

Agora, Macron vai ter que coabitar, como dizem os franceses para definir o extremo desconforto da situação, com uma frente esquerdista extremamente díspar.

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Alguns sugerem até que ele tente, logo de início, cooptar partidos mais moderados dessa frente, como o socialista, que ressurgiu e elegeu 69 deputados, e fazer um governo coligado com eles.

CENAS PATÉTICAS

Formaria assim uma espécie de girondinos, a ala de deputados comparativamente moderados da época da Revolução Francesa – alguns até votaram contra a execução do rei Luís XVI.

Os girondinos eram de profissões que futuramente viriam a ser conhecidas como de classe média, tinham forte representação das províncias e defendiam ideias mais liberais em termos de economia.

Obviamente, perderam para os ultrarradicais de Robespierre – numa época em que perder também envolvia as cabeças.

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Haverá uma solução girondina para a França? Seria Macron capaz de restaurar um relativo centrismo?

Os franceses têm, quase unanimemente, a convicção de que “taxar os ricos” é uma solução, não um problema, mesmo com experiências comprovadamente erradas, como a de François Mitterrand, nos anos oitenta do século passado. Mitterrand recuou depois de cenas patéticas, como a polícia revistando porta-malas de carros de franceses que viajavam para a Bélgica, buscando dinheiro vivo, e da real debandada de empreendedores.

Como é mesmo que se chama repetir os mesmos erros e esperar resultados diferentes?

La folie. Loucura mesmo.

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