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Patriotadas grotescas demandam um pedido de desculpas à Alemanha

O primeiro-ministro Merz não foi feliz numa declaração, mas as reações atingiram tal nível de absurdo - e oportunismo - que jogam o Brasil na lama

Por Vilma Gryzinski 20 nov 2025, 06h24 •
  • Qual seria uma reação inteligente do chefe de Estado que, gostando ou não, nos representa, às palavras do primeiro-ministro Friedrich Merz? Com o jogo de cintura que teve no passado, principalmente longe de eleições, o presidente Lula da Silva deveria ter convidado o político alemão a voltar em outra ocasião, conhecer melhor o país e, talvez, entender como os brasileiros são sensíveis a críticas, justamente por terem tanto a ser criticado em termos de desenvolvimento social e político. E, sim, talvez até a tomar a retórica cervejinha – ou cervejona, considerando-se o tamanho dos canecões alemães.

    Em vez disso, veio a patriotada digna de quinto mundo: “Ele deveria ter ido num boteco no Pará, deveria ter dançado no Pará, ele deveria ter provado a culinária do Pará, porque ele ia perceber que Berlim não oferece para ele 10% da qualidade de vida que oferece o estado do Pará e a cidade de Belém”.

    Nem é preciso avaliar a comparação – mas vamos fazer isso mesmo assim.

    Belém tem um PIB per capita de 23 mil reais. É um mundo amazônico diferente até para brasileiros de outras regiões, com um encanto especial contrastando com a extrema pobreza vista na maioria da cidade, dominada por um clã político eterno, como tantos outros lugares do Brasil, do qual saiu o atual governador, Helder Baralho, que propaga um futuro Vale do Silício bioamazônico. Precisa dizer mais?

    O PIB de Berlim é de 53 mil euros, as pessoas nadam no rio limpo durante o verão e tudo funciona com impecabilidade alemã, inclusive a exposição dos erros do passado, quando a Alemanha se deixou tomar pelo mais extremo e alucinado nacionalismo, uma loucura genocida, para usar uma palavra que se tornou moda, o que diminui a incomparável dimensão da sanha racial nazista.

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    ATROCIDADE MORAL

    É vergonhoso que, por causa de acontecimentos históricos já remontando a mais de cem anos, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, tenha chamado o primeiro-ministro alemão de “filhote de Hitler vagabundo” e “nazista”.

    Isso demanda um grande pedido de desculpas, pois partiu de uma autoridade, não de um idiota do WhatsApp. Nenhuma pessoa civilizada pode recorrer a termos assim, muito menos o que seria, ironicamente no caso, um homem público. O prefeito deve ter ficado muito contente consigo mesmo, tanto que, depois de apagar a atrocidade moral, ironizou: “Fiquem tranquilos no Itamaraty”.

    Sem querer, deu um argumento a mais à declaração de Merz, falando a jornalistas, sobre todos terem ficado “felizes por termos deixado aquele lugar”. Ele estava na verdade querendo exaltar a boa situação da Alemanha, como todo político. E ninguém é obrigado a gostar de uma cidade ou um país. Mas, diplomaticamente, foi infeliz, mesmo tendo cultivado a fama de quem diz as coisas na lata, como um alemão com complexo de sincericídio, um processo mais impressionante por vir de um homenzarrão de 1,98 metro.

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    “Quando o chanceler disse que vivemos num dos países mais bonitos do mundo, isso não significa que outros países não sejam bonitos”, amenizou seu porta-voz, Stefan Kornelius. Também esteve longe da intenção do primeiro-ministro “comentar de maneira derrogatória sobre o Brasil”.

    Ele pediria desculpas ou viu a relação bilateral prejudicada? “Não, duas vezes”, respondeu o porta-voz.

    ESPERTALHÕES OPORTUNISTAS

    A Alemanha, como outros países europeus avançados, vive problemas de crescimento econômico pálido e um nível incompreensível, pela liberalidade, de imigração de uma grande massa populacional procedente de países muçulmanos, incentivada pela antecessora e correligionária de democracia cristã de Merz, Angela Merkel.

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    Por causa das alterações no estilo de vida propiciadas por uma população que não se integra aos valores da nova pátria, apesar dos grandes incentivos para isso, o partido Alternativa para a Alemanha, conhecido como AfD, de uma direita que nunca tinha sido vista no pós-guerra, teve uma ascensão impressionante. Se houvesse eleições hoje, teria 26% dos votos, 1% a mais do que a coalizão democrata-cristã, de centro-direita, de Merz.

    Não formaria governo, porque as outras forças políticas se recusariam a uma aliança, mas o aumento da popularidade da AfD é um problema para o primeiro-ministro. Um problema de verdade.

    Sobre o Brasil, Merz deveria ter sido mais prudente, inclusive para não provocar um ruído desnecessário nas relações bilaterais e alimentar o oportunismo dos espertalhões que estão pouco se lixando para as carências da querida Belém.

    Qual será o legado que a COP30 deixará para a cidade, fora os contratos amigos para os de sempre? O festival de patriotadas desencadeado pela declaração de Merz obviamente ajuda a deixar a pergunta mais obscurecida ainda. Até o alemão contribuiu para turvar as águas. Além de de se desculpar por abusos verbais de autoridades, Lula da Silva ou a copresidente deveriam elogiar o bilhãozinho prometido pela Alemanha para para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Ou, se se considerassem efetivamente ofendidos, talvez rejeitá-lo? Não é assim que pessoas honradas fazem?

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