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Outra novidade infernal: pai e filho cometeram ato de terror na Austrália

Em vez de bons exemplos e conselhos, Sajid Akram levou junto o filho de 24 anos para matar quinze pessoas na praia mais conhecida da Austrália

Por Vilma Gryzinski 16 dez 2025, 07h09 •
  • Para os brasileiros, seria como um ataque terrorista na praia de Ipanema: é esse o nível quase mitológico da praia de Bondi, em Sydney. Agora, ao impacto terrível de um tiroteio terrorista num dos lugares mais conhecidos da pacífica Austrália, somou-se a informação estarrecedora de que os atiradores eram pai e filho, Sakid Akram, de 50 anos, e Naveed, de 24, o primeiro possivelmente de nacionalidade indiana.

    Ambos prestaram juramento de fidelidade ao Estado Islâmico antes de sair para matar judeus, num carro cheio de bombas, num parquinho junto à praia famosa, onde uma entidade judaica religiosa promovia uma festa de Hanukkah, festividade que, por causa da proximidade no calendário, passou a ser chamada de “Natal judaico”.

    É quase impossível acreditar que dois homens, pai e filho, tenham se armado com armas pesadas e saído para matar judeus e quem mais estivesse na frente deles num país como a Austrália, onde a tradição anglo-saxã de respeito às liberdades públicas, herdada dos colonos britânicos, se mistura com um estilo de vida descontraído, com sua própria cultura de praia, como o Brasil, mas sem os nossos conhecidos problemas.

    Em compensação, outro problema explodiu furiosamente diante da nação inteira: uma concentração perversa de imigrantes procedentes de países muçulmanos que, em vez de se adaptar ao modo de vida livre e democrático, tão apreciado por brasileiros que atravessam o planeta para morar na Austrália, trazem suas guerras e seus extremismos para um país desequipado diante dessa cultura do ódio absoluto.

    ‘GÁS PARA OS JUDEUS’

    Depois do chocante ataque na praia de Bondi (Bondai, pronunciam os australianos), apareceram inúmeros indicadores de que a Austrália tranquila e até libertária está sendo mudada radicalmente, e para muito pior. E quem deveria estar de olhos bem abertos para os perigos que se desenham no horizonte, prefere fechá-los.

    Um exemplo estrondoso foi uma manifestação de protesto logo depois do 7 de outubro de 2023 em Israel – lembrando que a data marca um dia em que o país sofreu 1,2 mil vítimas chacinadas de modos hediondos. Mas, como em tantos outros países ocidentais, a manifestação foi contra Israel. Ou melhor, contra os judeus. Num ato repugnante de antissemitismo, a pequena multidão congregada em frente às linhas modernas do teatro lírico de Sydney é ouvida dizendo claramente “gas the jews”- gás para os judeus, evocando as câmaras nazistas onde tantos perderam a vida. Até o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, de centro-esquerda, condenou a atrocidade.

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    Agora, a polícia australiana, cinicamente, diz que não dá para discernir a frase hedionda.

    Assim é a situação de hoje na Austrália: um ato repugnante, que deveria ser tomado como uma das bases para a investigação do atentado terrorista, é negado pelas autoridades que deveriam escrutiná-lo.

    ‘RAIZ DO TERRORISMO’

    É credível que pai e filho, Sakid e Naveed Akram, um preso e outro morto, tenham se radicalizado sozinhos, conseguido armas pesadas e roupas táticas, planejado e executado tudo sem nenhuma participação externa?

    Parece altamente improvável. Israel vinha recentemente revelando a serviços de inteligência estrangeiros, inclusive da Austrália, como o braço de operações externas da Guarda Revolucionária Iraniana planejava atentados contra judeus, em vingança pela pancadaria que o Irã levou de Israel na breve guerra de abril do ano passado.

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    Se os assassinos da praia de Bondi se identificavam com o Estado Islâmico, uma organização radical sunita, eram inimigos do regime teocrático xiita do Irã. Mas isso não elimina as suspeitas por completo – inclusive de cidadãos iranianos que, anonimamente, se manifestaram pelas redes. “Esse regime está na raiz do terrorismo e da instabilidade globais”, postou um deles. “A luz triunfa sobre as trevas e o coração de nós, iranianos, em todo mundo, está com vocês, amigos judeus”, disse outro.

    A “autorradicalização”, geralmente de jovens que ficam grudados em postagens extremistas, é um fenômeno conhecido, mas raramente não deixa pistas que poderiam ter sido investigadas antes da realização dos atos terroristas planejados. O fato de que, no caso australiano, o crime tenha envolvido pai e filho possivelmente deixaria uma pegada maior ainda. Na verdade, como em outros casos ocorridos em países europeus, Naveed Akram já havia sido investigado, num caso arquivado há seis meses, o que desperta maiores suspeitas ainda sobre a falta de efetividade de autoridades policiais australianas.

    SONHOS DE ASSASSINOS

    Autoridades israelenses estão investigando a terrível matança em Sydney e uma fonte do governo americano disse que, se for comprovada uma conexão com o Irã, isso justificaria um ataque israelense – com o inevitável desmoronamento do equilíbrio altamente complexo que no momento mantém a suspensão de hostilidades no Oriente Médio.

    Se acontecesse isso, seria a realização dos sonhos dos assassinos inspirados pelo Estado Islâmico: tudo o que mais desejam é que não haja pacificação, pois, na sua mentalidade radical, quanto mais conflito, melhor, para expurgar os inimigos, inclusive ou principalmente os outros muçulmanos que não compartilham seu fundamentalismo extremo. Note-se que houve quase simultaneamente um outro ataque do Estado Islâmico, na Síria, matando dois militares americanos envolvidos no combate in loco aos extremistas – um dos motivos da surpreendente aproximação do governo de Donald Trump com o novo regime sírio, originalmente identificado com o fundamentalismo na linha Al Qaeda.

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    A única coisa boa, se se pode dizer isso de um atentado que matou uma menininha de 10 anos e um sobrevivente do Holocausto de 87, entre outras vítimas inocentes, foi a atuação de não apenas um, mas dois cidadãos comuns que atacaram os atiradores, de mãos nuas, para interromper a matança. Um deles é um imigrante sírio em situação ainda irregular na Austrália, Ahmed Al Ahmed, que arrancou o fuzil de Sakid Akram, o pai terrorista, e foi ferido a bala, mas sem risco de vida, pelo filho.

    Ahmed, pequeno comerciante de 43 anos, é sírio e está em situação irregular na Austrália, mas isso deve se resolver depois de seu ato de bravura.

    Persistem, porém, as dúvidas sobre os erros dos responsáveis por proteger a sociedade que deixaram dois assassinos livres. É triste, mas necessário perguntar: até que ponto são erros admissíveis em qualquer organismo policial e até que ponto foram influenciados pela animosidade contra Israel?

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