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Os reféns do Hamas: humilhação, tortura psicológica e atos indizíveis

Troca por prisioneiros palestinos está suspensa diante dos horrores sucessivos que se desenrolam frente a um mundo que mal reage

Por Vilma Gryzinski 24 fev 2025, 08h13 •
  • Os irmãozinhos Kfir e Ariel foram sufocados com as mãos por seus carcereiros. Depois, os pequenos corpos foram mutilados com pedras, para dar a impressão que haviam morrido num bombardeio israelense. Quase tão indizível quanto esta monstruosidade, o corpo da mãe, Shiri Bibas, que deveria acompanhar os filhos, foi trocado. Só no dia seguinte mandaram o certo.

    Ignorância mal informada? Desprezo intencional? Shiri e os filhos haviam sido sequestrados por um grupo menos conhecido, as Brigadas Mujahidin, mas toda a operação de libertação de reféns é comandada pelo Hamas.

    A grotesca espetacularização, a ponto de, na última troca, mandarem o refém Omer Shem Tov não só fazer os sinais de positivo e acenos constantes, como beijar a teste de dois de seus carcereiros, revoltou o país.

    A crueldade suprema foi cometida com dois reféns, Evyatar David e Guy Gilboa-Dalal, tirados das profundezas dos túneis, colocados com roupas limpas num carro e levados até o local da libertação do sábado. Lá, foram obrigados a ver os colegas de tormentos serem soltos, enquanto eles próprios retornavam ao cativeiro. No processo, tiveram que gravar um vídeo, mostrando o rosto descarnado e a expressão desesperada. A mente doentia que imaginou uma tortura psicológica dessa dimensão deve ter ficado muito satisfeita.

    Benjamin Netanyahu mandou suspender o processo todo por causa desses absurdos, mas inevitavelmente voltará a ele. Com novos reféns sendo libertados em estado lastimável, emagrecidos e até sem cabelos por causa da desnutrição e dos maus tratos, a opinião pública fica mais comovida ainda – e torna politicamente impossível que o processo não evolua para a segunda fase, com mais reféns soltos em troca de prisioneiros palestinos libertados, inclusive terroristas responsáveis por múltiplas mortes, e o recuo de Israel das áreas tomadas em Gaza. O quadro final é impossível de ser divisado agora, inclusive ou acima de tudo como fica a distribuição de poder em Gaza.

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    HOMENS SOFREM MAIS

    É para reforçar a imagem de que tem tudo sob controle que o Hamas tem feito as encenações na entrega dos reféns à Cruz Vermelha, com palcos improvisados e assinatura pública de documentos. Câmeras na mão e drones filmam tudo, os israelenses são obrigados a simular alegria e agradecimento, o povo aplaude e grita palavras de ordem. Os carcereiros dão até “sacolas de lembrancinhas” às vítimas. O alvo é o público muçulmano, interno e externo, convencido de que o Hamas saiu por cima.

    À medida em que saem os reféns, afloram também suas histórias. São mantidos nos túneis, sem luz, acorrentados, cuspidos, esfaimados. Um pão sírio por dia é jogado, seja qual for o número de sequestrados. Em alguns casos, cerca de duas semanas antes da libertação são transferidos e alimentados, para não parecer tão abatidos e conseguir andar.

    “Nós, meninas, sofremos. Mas os rapazes e homens sofrem mais”, comentou depois de ser solta Liri Albag, do grupo de cinco “olheiras”, jovens treinadas pelas Forças de Defesa de Israel para observar a movimentação na fronteira com Gaza, soltas há um mês.

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    A libertação das mulheres, por sua posição mais vulnerável, trouxe um grande alívio a Israel. Praticamente ninguém esperava que a família Bibas, Shiri e seus dois filhinhos, a quem passou o gene da ruivice, estivessem vivos, mas a forma abominável como os corpos foram manipulados é chocante até para os padrões do Hamas.

    SILÊNCIO CÚMPLICE

    O drama devastador da família comoveu Israel – e não provocou as reações mundiais que seriam obrigatórias num caso tão hediondo, mostrado quando as primeiras cenas de Shiri chorando de horror na tentativa de proteger os filhos, enquanto sequestradores gritam com ela. Um segundo vídeo mostra-a, apavorada, chegando a um bairro de Gaza, lutando para segurar os dois filhos no colo. Um sequestrador joga nos seus ombros um cobertor. Sequestrada de manhã cedo dentro de sua casa, Shiri, uma judia argentina de 32 anos, usava uma regata. Homens capazes de estrangular crianças com as próprias mãos não podiam quebrar o tabu religioso de cobrir inteiramente o corpo de uma mulher.

    Segundo a perícia israelense, Shiri também foi assassinada.

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    Os pais de Shiri foram assassinados no ataque de 7 de outubro. Seu marido, Yarden Bibas, ficou sequestrado separadamente. Foi libertado no começo do mês. Judeu de família procedente do Iraque, ele brincava que os meninos eram “os únicos iraquianos ruivos” da história.

    Se fossem realmente “iraquianos”, em vez de judeus, haveria maior consternação mundial? É uma pergunta inevitável diante do silêncio dolorosamente cúmplice de tantos dos que se comovem com dramas em todas as populações, menos as de Israel.

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