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Mundialista

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O mundo se desmancha à volta de Macron, mas a culpa não é só dele

Onda de greves e voto de desconfiança no primeiro-ministro fazem parte da vida normal da França; grave são os problemas sistêmicos

Por Vilma Gryzinski 28 ago 2025, 08h51 •
  • Emmanuel Macron foi uma decepção: jovem, equilibrado, inteligente, eloquente, com pleno conhecimento dos grandes problemas do país (e dos pequenos também, é obcecado por estudar todos os assuntos), ele deveria ter compreendido como enfrentá-los de forma a manter tudo de bom que existe no sistema francês e fazer as reformas que o tornassem sustentável. Infelizmente, não funcionou assim.

    A onda de greves marcada para o próximo dia 10 e, antes disso, o voto de confiança – mais inclinado a desconfiança – no primeiro-ministro François Bayrou, cuja permanência é praticamente impossível, não são novidades na vida política. O problema é a visão unânime, da esquerda à direita, de que existe alguma solução que não seja pelo menos uma austeridade light, como a atualmente proposta, incluindo a “ofensa” que deixa tantos franceses apopléticos: a eliminação de dois feriados do calendário anual de folgas.

    Seria uma forma de acrescentar quatro bilhões de euros à economia, sufocada por uma dívida pública equivalente a 114% do PIB e um déficit orçamentário de 54 bilhões de euros. Uma forma praticamente simbólica, mas que deixou o país em surto. Mostra uma pesquisa Odoxa que 84% dos franceses são contra, 66% “não veem relação entre trabalhar mais e diminuir a dívida e o déficit” e 74% acham que já trabalham muito.

    Por trás disso, obviamente, está o conceito de que o estado deve prover tudo, continuamente, um inerradicável conceito francês – tanto que nem a direita endossa totalmente, quando não rejeita, os princípios do liberalismo.

    DOIS GRANDES PROBLEMAS

    Macron deveria ter feito a média entre as pulsões tão divergentes, mas não conseguiu. Tem hoje por volta de 28% de aprovação. Esquerda e direita mais radicais querem que ele não apenas, dissolva o governo, mas convoque eleições e, quem sabe, renuncie. O presidente não vai fazer isso, mas o fato de que hoje tal proposta tenha entrado para o vocabulário político corrente já mostra como a situação está deteriorada. O mandato dele só termina em 2027 e dificilmente terá fôlego para as reformas necessárias. A até hoje inexplicável convocação de eleições no ano passado varreu sua maioria parlamentar e o tornou um presidente de fachada, sem poder para mexer nos muitos vespeiros do sistema francês.

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    Como outros países europeus, a França tem dois grandes problemas: governos que tomam dinheiro emprestado para manter os invejáveis benefícios do estado de bem-estar social e o convívio com grandes populações de imigrantes e descendentes que não querem se integrar a sociedades ocidentais avançadas, geralmente abraçando uma versão retrógrada da religião muçulmana.

    Os franceses também são adeptos do conceito de “malaise”, um desconforto social que a esquerda atribui aos ricos malvados que não pagam impostos suficientes e a direita ao estilo lepenista à sensação de que a sociedade vai sendo diluída pela presença em massa de imigrantes não integrados.

    Somente um sólido crescimento econômico romperia estas barreiras, mas não vai acontecer. Ao contrário, 70% dos franceses acreditam que seu padrão de vida está caindo.

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    FALTAM POLÍTICOS

    Quem vê a França de fora, enxerga um sistema público de saúde que funciona melhor que o britânico, meios de transporte eficientes, eletricidade farta o suficiente para ser exportada (ninguém fala, a sério, em fechar usinas nucleares, como aconteceu na Alemanha) e restaurantes cheios de mesas ao ar livre no verão para praticamente todos poderem aproveitar “un coup de soleil”. Sem falar na riqueza dos tesouros culturais e naturais.

    Por dentro, a insatisfação é tanta que até os coletes amarelo, o movimento originalmente de motoristas do interior revoltados com uma nova taxa para a gasolina, ressurgiram para a nova temporada de greves, Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, tem um discurso mais radical do que o do Psol. Todos sonham em fazer com o presidente o que Brigitte Macron fez – ou talvez não – naquela viral cena na porta do avião. Quem reconhece seus méritos fica de coração desiludido. Qual outro político seria hoje um bom líder para a França, com pleno conhecimento dos problemas da economia e das complexidades sociais?

    Até a adversária tradicional, Marine Le Pen, está inelegível, falta peso a seu substituto, Jordan Bardella, e nomes de centro-direita como Bruno Retailleau são desanimadores. Na esquerda não radical, acreditem, andaram até especulando sobre uma ressurreição de François Hollande. Na terra tão tradicionalmente imersa na política, faltam políticos.

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