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Mundialista

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O homem dos cinquenta mil pontos: Scott Bessent comemora alta na bolsa

O secretário do Tesouro está faturando como o responsável por bons resultados no comando da economia - e no convívio com Trump

Por Vilma Gryzinski 10 fev 2026, 06h50 •
  • Vai cair ou vai continuar subindo? Os leigos olham para as constantes altas na bolsa americana com o coração apertado por dúvidas e pelas experiências traumáticas do passado. Scott Bessent olha para o mesmo fenômeno como um bom aluno que tirou nota alta – e bem alta, na casa dos cinquenta mil pontos, um marco impressionante. Usando uma expressão bem americana para designar a vida das pessoas comuns – Main Street, ou a rua principal existente em tantas cidades pequenas -, ele comemorou: “Wall Street está dizendo que a Main Street vai prosperar”.

    Quem lê a maioria dos órgãos de imprensa, acha que os Estados Unidos estão indo para o inferno, que Donald Trump é louco e que a população vai se revoltar contra as condições econômicas. Mas o fato é que há muitos números bons – e os integrantes do governo querem ressaltá-los.

    “A inflação está caindo, as ações atingiram um recorde e temos o menor índice de criminalidade em cem anos”, disse Bessent a uma jornalista amiga, Maria Bartiromo, da Fox. Muito sabiamente, ele atribui tudo a Donald Trump.

    “Estamos vendo os componentes cíclicos do mercado se expandir”, acrescentou, ressaltando não apenas a alta do Dow, mas também do Índice Russell, que mede o desempenho de empresas menores. “Estamos assistindo a uma grande retomada cíclica. A agenda do presidente Trump serviu a mesa em 2025 e o povo americano vai se beneficiar em 26. Acho que vamos ter um crescimento econômico muito forte, aumento dos empregos muito forte e aumento real da renda muito forte”.

    MODERADOR DO EGO PRESIDENCIAL

    O motivo dessa descrição de sonhos para qualquer ministro da Economia é óbvio: ele tem que mostrar serviço em ritmo de extrema urgência. Trump está com a popularidade em baixa, com uma média de aprovação de apenas 42,3%, contra 54,9% de desaprovação. Os bons resultados da economia ainda não são sentidos no bolso do povo e o governo, como qualquer governo, faz campanha para ressaltar os números positivos.

    Scott Bessent tem sido o maior porta-voz dessa campanha: passa a imagem de estabilidade e competência, além de ser uma espécie de elemento moderador do ego do presidente. Mas o papel de superego não significa que não seja bom de briga.

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    Por exemplo, chegou a se atracar fisicamente com Elon Musk quando os dois brigaram por influência, com o homem mais rico do mundo tentando entrar no campo do secretário do Tesouro na sua missão de cortar estados e funcionários. Enfrentaram-se aos berros a pouca distância do Salão Oval e tiveram que ser fisicamente separados. Musk saiu do governo e Bessent continuou.

    O secretário do Tesouro também tem contestado com veemência os congressistas – ou, principalmente, as congressistas – da oposição que tentam fazer emboscadas em depoimentos à Câmara e ao Senado. É agressivo e não se intimida com interlocutoras desafiantes. “Senadora, talvez tenham nuances demais para a senhora”, disse a Elizabeth Warren, que parece ser uma versão americana de políticas do PSOL, numa discussão sobre custo de vida, usando o tipo de frase ferina em que argumentadores gay são mestres.

    PROJETO DE CRESCIMENTO BEM DELINEADO

    Pois é, ele é gay, casado com um ex-promotor e pai de dois filhos por barriga de aluguel, Cole e Caroline. Isso, felizmente, deixou de ser uma questão – embora ele mesmo a tenha abordado, em 2015, numa entrevista à revista de Yale, a sua universidade: “Se alguém me tivesse dito em 1984, quando me graduei em Yale, e as pessoas estavam morrendo de Aids, que trinta anos depois eu estaria legalmente casado e teria dois filhos por substituição, eu não teria acreditado”.

    Tornar-se o principal responsável pela política econômica dos Estados Unidos também poderia ter parecido inatingível.

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    Bessent é uma espécie de CEO de um presidente que entende de economia, tendo uma visão principalmente do ponto de vista do empreendedor, inclusive de quem já ganhou muito e perdeu muito.

    Muita gente pode cair do terceiro andar ao ouvir que Trump tem um projeto bem delineado para promover o crescimento econômico. É claro que faz parte do pacote diminuir a taxa de juros e aí está um campo em que Bessent precisa caminhar sobre papel de seda sem deixar marcas. Se parecer ao mercado que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, irá ceder às demandas de Trump sem motivos puramente técnicos, há um risco de sérias reações negativas.

    É claro que o bom desempenho da bolsa reflete, acima de tudo, o extraordinário poder de desenvolvimento das empresas americanas. Só um exemplo: a União Europeia inteira, com PIB comparável ao americano, de 22 trilhões de dólares, não criou nenhuma empresa que valha mais de 100 bilhões de dólares nos últimos cinquenta anos; os Estados Unidos têm nove avaliadas em mais de um trilhão (NVIDIA, Microsoft, Apple, Alphabet (Google), Amazon, Meta (Facebook), Broadcom, Berkshire Hathaway, Tesla). É o resultado de uma indústria movida a cérebros, inovação, abundantes recursos naturais e acesso a capital e a um mercado luxuriante, cultura voltada ao empreendedorismo e às regulamentações menos tendentes a engessar esse espírito animal.

    VÍCIO DA ‘HERANÇA MALDITA’

    A queda no padrão de vida é a maior reclamação dos americanos e Trump, via Scott Bessent, tem que mostrar uma rápida reversão nessa percepção para não perder a pequena maioria que tem na Câmara e no Senado na eleição de novembro, o que constrangeria completamente as suas iniciativas.

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    Não adianta a bolsa subir, mesmo que muitos americanos sintam isso imediatamente em seus planos de aposentadoria, se a conta do supermercado está desproporcionalmente mais alta do que o aumento de salários. Adianta muito menos atribuir tudo à “herança maldita” de Joe Biden, um vício retórico que Trump compartilha com o presidente Lula da Silva. A economia agora pertence a Trump e todo mundo sabe disso.

    Conseguirá Scott Bessent mudar a tendência da opinião pública em menos de dez meses? Segundo as previsões da maioria dos economistas, os Estados Unidos deveriam estar agora em recessão, amargando graves perdas decorrentes das tarifas exacerbadas de Trump e com um paralisado aumento do PIB.

    A vantagem para Bessent é que nada disso aconteceu. A bolsa de 50 mil pontos, com um recorde de investimentos estrangeiros, é uma prova disso. Mudar as percepções é um desafio praticamente impossível, embora o secretário do Tesouro esteja bem posicionado para enfrentá-lo. Mas quando a bolsa começar a cair…

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