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Novo líder iraniano: família foi morta e ele está ferido e sem fortuna

Mojtaba Khamenei é o exato oposto de alguém que poderia propiciar saída negociada para a guerra do Irã, movido a sede de vingança

Por Vilma Gryzinski 10 mar 2026, 07h12 • Atualizado em 10 mar 2026, 10h21
  • Já estava mais do que escrito que iria acontecer e Israel permitiu que pelo menos dois terços dos integrantes da Assembleia dos Especialistas se reunissem em Qom, a cidade dos seminários xiitas, e endossassem presencialmente a escolha de Mojtaba Khamenei como sucessor do pai – uma enorme ironia, considerando-se que a república islâmica ascendeu ao derrubar a monarquia do xá Reza Pahlevi e eliminar a sucessão dinástica no poder.

    Mojtaba foi ferido em circunstâncias não reveladas, mas possivelmente no fulminante ataque de Israel que deu início à guerra, no qual 50 aviões desfecharam cem bombardeios sobre o complexo subterrâneo de cinco quilômetros que deveria proteger a liderança iraniana, mas serviu para exatamente nada, propiciando a eliminação de 49 figuras da cúpula. O líder morto, Ali Khamenei, provavelmente foi atingido antes de chegar para a reunião, chamada pelo humorista americano Bill Maher de “boom meeting”, em oposição ao mais conhecido “Zoom meeting”.

    Humoristas têm licença para fazer piadas com qualquer coisa, mas a situação é extremamente séria. O que pode desejar um novo líder supremo que perdeu o pai, a mãe, a esposa e o filho no bombardeio israelense e ainda por cima sofreu ferimentos? Vingança, obviamente. As chances de um líder mais flexível assim desaparecem.

    Fora a perda da família e os próprios danos físicos, em gravidade não conhecida em círculos menos íntimos, Mojtaba também ficou sem acesso a uma fortuna calculada em três bilhões de dólares. Uma parte desse dinheiro estava em Londres, segundo um dissidente iraniano posteriormente capturado no Iraque, levado de volta a seu país e eliminado.

    VENENO NA CADEIA

    Uma parte das revelações sobre as atividades heterodoxas do novo líder supremo, que não tem credenciais religiosas para a posição, mas usou a posição equivalente à de um chefe de gabinete do pai para plantar aliados em esferas poderosas, veio de interrogatórios feitos ao longo do processo contra um amigão de Mojtaba, Saeed Emami, responsável pelo assassinato em série de dissidentes do regime exilados no exterior.

    Os interrogatórios foram vazados numa briga interna pelo poder, provavelmente pela ala ligada ao ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, ele também pulverizado num ataque israelense. Os métodos de vazamentos são os mesmos no mundo inteiro, assim como os de eliminação de aliados comprometedores. Emami, por exemplo, foi acusado de espionar para Israel e os Estados Unidos e acabou cometendo suicídio, ou foi suicidado, com veneno na cadeia.

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    As diferentes fontes, segundo reportagem do Telegraph, revelaram que Mojtaba esteve em Londres em pelo menos duas ocasiões. Primeiro, em 1998, para que a esposa fizesse um tratamento de infertilidade – ela e o filho gerado na época morreram na explosão do bunker do sogro. Ele voltou a Londres em 2018 para cuidar de investimentos colocados sob suspeita, todos obviamente com laranjas para disfarçar a origem do dinheiro.

    Segundo a Bloomberg, Mojtaba tinha propriedades no valor de 130 milhões de dólares em Londres, além de uma mansão em Dubai e hotéis em Frankfurt e Maiorca, tudo com empresas de fachada. Os imóveis em Londres incluem dois apartamentos de altíssimo luxo que dão vista para a embaixada de Israel, em Kensington Palace Gardens. O comprador laranja foi proibido de entrar no Reino Unido e teve os bens embargados no ano passado.

    O método, usado por outros figurões do regime, era comprar um passaporte de algum país da União Europeia e ir abrir empresas nas Ilhas Marshall, um paraíso fiscal. Indiretamente, as empresas passavam a operar em Londres.

    EXTREMA IMPREVISIBILIDADE

    Tudo isso virou fumaça. Mojtaba Khamenei está lutando agora pela sobrevivência, ancorado nos religiosos que lhe deram apoio e nos doutrinados chefes dos Guardiões da Revolução Islâmica, muitos dos quais conheceu quando serviu na guerra entre Irã e Iraque, nos anos oitenta. Enquanto os Estados Unidos deixarem, coordenando a decisão com Israel, ele continuará vivo. Donald Trump já disse que o novo líder “não vai durar muito” se não tiver sua aprovação e, depois da promoção, reclamou que não está contente com ele.

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    Iranianos que apoiam o regime – calculados por fontes da oposição em 10% da população total – foram às ruas em Teerã e Isfahan com cartazes do novo líder. Vladimir Putin prometeu “apoio inabalável”, uma expressão duvidosa para alguém em posição altamente abalável.

    Segundo a sabedoria convencional, ataques aéreos, mesmo arrasadores como os da Guerra do Ramadã, como o Irã está chamando o novo conflito, não derrubam regimes. O Irã não tem grupos organizados (ou mesmo desorganizados, como aconteceu na Líbia do foragido Muamar Khadafi, depois capturado e fuzilado no ato, levando antes um golpe de baioneta no ânus) para tomar o poder – os separatistas curdos podem, no máximo, conquistar uma pequena parte do território iraniano.

    SEM FIM NEGOCIADO

    Irá a guerra durar um período de mais quatro a seis semanas, como disse a porta-voz de Trump, Karoline Leavitt? Um porta-voz dos Guardiões da Revolução disse que as Forças Armadas iranianas têm capacidade de “continuar uma guerra intensa de seis meses ao nível atual”. Donald Trump exaltou a destruição extrema da infraestrutura militar e usou a expressão “a guerra está bem acabada”. Qual a probabilidade maior sobre o que vai acontecer na sequência?

    Ninguém pode dizer, inclusive por causa da extrema imprevisibilidade do mais importante envolvido, o próprio Trump, e da dinâmica intrínseca das guerras, mas a escolha de Mojtaba Khamenei não faz prever um fim negociado. Talvez por isso ele tenha um período bem curto para mostrar a que veio.

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    Até hoje, tem aparecido muito pouco. Não fala em público e nem faz pronunciamentos importantes, como seu pai, sendo esta uma das funções do líder supremo. Há poucas fotos e vídeos dele. Talvez continuem sendo imagens raras.

    Apesar de toda a aura de mistério, não houve como evitar que o novo líder tenha sido chamado de “nepo baby”, exatamente como os filhos de celebridades do show business que cavam um lugarzinho para si mesmos na base do nada bom e velho nepotismo. Alguns observadores acreditam que seja mais extremista do que o pai.

    Ironicamente, quanto mais radical ele se mostra, mais justifica uma guerra cuja defesa Donald Trump não conseguiu articular convincentemente para uma boa parte da opinião pública americana e mundial. O preço do petróleo caiu depois que o presidente americano deu a entender que o processo estava chegando ao fim e isso só pode ser um incentivo adicional para que a guerra caminhe para o encerramento, possivelmente sem Mojtaba Khamenei na posição suprema.

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