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Nick Fuentes quer suceder Charlie Kirk, mas só consegue rachar a direita

Dizer o indizível é o método usado pelo agitador para ocupar um espaço no qual deveria ser repudiado, mas repercute entre jovens republicanos

Por Vilma Gryzinski 24 dez 2025, 11h56 • Atualizado em 24 dez 2025, 14h05
  • O inferno é o limite para Nick Fuentes. Ele já elogiou Adolf Hitler, nunca fez sexo com uma mulher por repulsa ao gênero e trolou Erika Kirk – cujo marido assassinado ele gostaria de substituir como ídolo da direita entre jovens, embora não fossem da mesma estirpe. A briga mais recente foi comprada com o presidente JD Vance, depois de chamá-lo de “traidor da raça” e dizer torpezas sobre sua mulher, Usha, que é filha de indianos e, de seu doentio ponto de vista, não poderia se casar com um branco.

    Todo mundo registra a ironia de seus propósitos supremacistas, sendo que ele próprio não se enquadraria nas exigências dessa categoria, como filho de mãe de origem italiana e pai metade mexicano – para os seguidores dessa linha execrável, só anglo-saxões, germânicos e nórdicos se incluem no quesito “brancos”.

    Ele é descrito como nacionalista cristão e já desfilou de crucifixo na mão, embora não haja um pingo de cristianismo no que diz. Por suas próprias palavras: “Os judeus controlam a sociedade, as mulheres deveriam calar o bico, os negros na maioria deveriam ser presos e daí viveríamos no paraíso. É simples assim”. Na sua opinião, Hitler é cool.

    O fato de que alguém diga barbaridades do tipo e venha cavando aos poucos um lugar de relativo destaque é um sinal de como a sociedade atual não apenas tolera como incentiva quem grita mais no ágora global. Segundo um analista, em torno de 30% a 40% dos homens republicanos abaixo de trinta anos se enquadram como Groypers, uma espécie de movimento liderado por Fuentes – a palavra se refere a um meme de um sapo abusado que faz sucesso nesses meios.

    Presente dos céus

    É claro que os adversários da direita enfatizam a influência de Fuentes e se regozijam com a “guerra civil” na direita, exposta ao público quando ele começou a ironizar Erika Kirk, a viúva que assumiu um papel de grande destaque depois do assassinato do marido. O confronto com JD Vance alimentou os sonhos de um racha que destruiria futuras candidaturas presidenciais, incluindo eventualmente a do próprio vice. Vance disse que quem ataca sua mulher pode ir para um lugar não publicável.

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    “É minha política oficial como vice-presidente”, espetou. Incluiu na conta Nick Fuentes e Jen Psaki, ex-secretária de Imprensa de Joe Biden, hoje comentarista de televisão. Num tipo de idiotice que já havia sido dita sobre Melania Trump, ela comentou que Usha Vance deveria ser “libertada”; e a aconselhou piscar quatro vezes se precisasse de salvação. Parece coisa de criança, mas a lógica é que, como fica difícil falar mal de uma mulher estrondosamente bela e calada como Melania ou de outra que deveria ficar na categoria “protegida” pela esquerda, por ser filha de imigrantes não-brancos, o jeito é inventar que estão emocionalmente sequestradas pelos maridos.

    Dá para imaginar o que aconteceria se alguém de direita dissesse isso sobre alguma mulher, privando-a da autonomia de fazer suas escolhas, de vida ou de posição política? Pois é, a hipocrisia grassa entre a esquerda. Mas o fato é que Nick Fuentes é um presente dos céus para os adversários da direita, aos quais interessa identificar os conservadores em questões comportamentais e liberais no âmbito econômico com o que de pior pode existir no espectro político.

    Pulsões primais

    E o racha realmente tem aparecido. Ben Shapiro, uma estrela dos influenciadores de direita, investiu contra o antissemitismo escancarado de Nick Fuentes e denunciou o apresentador Tucker Carlson por ter feito uma longa entrevista com ele, “um pedaço de dejeto que faz apologia de Hitler, ama os nazistas e é antiamericano”. Shapiro é judeu ortodoxo praticante, o que aumenta os motivos para abominar influenciadores como Nick Fuentes e Candace Owens, outra especialista em falar as coisas mais absurdas imagináveis, inclusive que está com a cabeça a prêmio pelo Mossad e o serviço de inteligência francês – foi ela quem inventou que Brigitte Macron nasceu homem, uma das múltiplas atrocidades doentias nas quais se especializou depois de se afastar da direita mais convencional e entrar no território da insanidade.

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    O sucesso desse tipo de comentarista é um desafio para toda a sociedade. E, especialmente, a direita que não quer nem pode ser identificada com os que tornaram a comum – e lucrativa – prática de romper tabus existentes justamente para não liberar as pulsões mais primais, responsáveis pelas atrocidades do fascismo no século passado. Mas é difícil resistir à capacidade de mobilização da turma dos execráveis – e Donald Trump cometeu o grande erro de receber Nick Fuentes e Kanye West, outro adepto da maluquice antissemita, para um jantar em Mar-a-Lago durante a campanha presidencial.

    Medo da ira dos fãs

    O caldo de cultura onde as barbaridades vicejam é, infelizmente, profundo. São os homens jovens brancos que se sentem repelidos e culpabilizados justamente por serem o que são, incapacitados de relacionamentos saudáveis com o sexo oposto e escorraçados do convívio social. Abrigam-se nas hostes de Nick Fuentes, que disse numa entrevista recente não ser gay, mas nunca ter feito sexo com uma mulher. “É difícil ficar perto delas”, foi a sua “explicação”. Ele tem 27 anos. Cada episódio dele no Rumble, da série chamada América em Primeiro Lugar com Nicholas Fuentes, tem centenas de milhares de acessos. Fala com uma certeza hipnótica e tem todos os argumentos prontos para quem pretende contestá-lo.

    “Não acredito que sua base de admiradores esteja crescendo no momento, mas ele está sendo bem sucedido em chamar a atenção dos tomadores de decisão em Washington, que parecem temerosos de atrair a ira de seus fãs”, disse ao jornal The Telegraph um estudioso do movimento dos Groypers, Jared Holt.

    Por causa das ofensas raciais à sua mulher, JD Vance assumiu a posição de ataque que muitos temem tomar. Outros terão que segui-lo se não quiserem desmoralizar os princípios direitistas nos quais acreditam. Nick Fuentes não pode de maneira alguma ser um novo Charlie Kirk, com ideias profundamente racistas, não conservadoras, ao contrário do original.

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