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Método Trump: e se funcionar?

A aposta: mudar a atitude de um governo sem mudar o regime

Por Vilma Gryzinski 26 abr 2026, 08h00

Devido a seu estilo provocativo, quando não insuportável, Donald Trump é apresentado pela maioria esmagadora da imprensa como um bufão que está levando os Estados Unidos ao fracasso, com atitudes intempestivas sem pé nem cabeça e conflitos nos quais tem tudo para se dar mal. O zigue-zague desta semana sobre as negociações com o Irã exemplificou a visão negativa. Na realidade, assistimos estupefatos a inéditos movimentos geopolíticos que, obviamente dependendo de um enorme leque de variáveis, correm o risco de dar certo. O método Trump, por assim dizer, envolve intervenções em áreas de importância vital, mas sem o arcabouço do modus operandi do passado, quando os EUA “ensinavam” democracia e promoviam suas instituições seja onde for que interferissem, do Japão do pós-guerra ao Iraque pós-Saddam Hussein, passando pelos países da Europa Oriental libertados do jugo comunista. Os antiamericanos falavam que era uma operação ideológica e uma conquista de mercados disfarçada de imposição de valores importados. Em certas circunstâncias, como no Iraque, estavam certos: a democracia ao estilo ocidental (a única, por sinal) não colou.

Hoje, Trump está se lixando para o pacote democrático. O modus operandi usado na Venezuela foi espantoso — e altamente frustrante para quem esperava a queda de um regime odioso. Em lugar de uma triunfante María Corina Machado, que consagraria nas urnas a preferência dos venezuelanos, temos Delcy Rodríguez, chavista emérita que hoje mal controla o entusiasmo quando recebe representantes do governo americano e, principalmente, das petroleiras, todas já retornando ao país. Um detalhe que certamente teve um peso enorme na operação de desmonte do castelo chavista com a simples remoção da carta Nicolás Maduro. Desmonte, entenda-se, na atitude em relação aos EUA. Em relação ao resto, continua tudo, como dizem os venezuelanos, igualito, igualito — igualzinho.

“Intervencionismo com isolacionismo: será o projeto cubano ter comunistas sem comunismo?”

Trump se entusiasmou com a ideia de mudança de regime que a intervenção no Irã traria, inaugurada com a estarrecedora eliminação de quarenta dos mais relevantes chefões pulverizados por Israel, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei. O substituto, Khamenei Jr., escapou sem perna e sem rosto. Apesar deste e de outros golpes devastadores, o regime não mudou? Trump passou a lidar com os novos interlocutores como se fossem muito diferentes. “É um grande jogo de xadrez. Estamos lidando com jogadores muito inteligentes”, elogiou ele. “É gente de QI muito alto.” Pronto, resolvido, os adversários foram promovidos a QI alto.

Com todos os elementos imponderáveis, o método Trump dá indícios de que pode funcionar, mesmo ou talvez sobretudo quando parece que vai dar tudo errado. O controle americano sobre o petróleo e suas vias de escoamento, por exemplo, só aumenta. A mistura de intervencionismo com isolacionismo, através de operações cirúrgicas que pretendem não se perpetuar no tempo, aceitando que os regimes não mudem se fizerem o que os americanos querem, é uma novidade para a qual muitos observadores ainda não abriram os olhos. Seria o caso de já ir pensando em projetar algo parecido futuramente em Cuba. Será o projeto cubano ter comunistas sem comunismo?

Publicado em VEJA de 24 de abril de 2026, edição nº 2992

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