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Macron está fadado ao ‘Dia da Marmota’, com sucessivos governos falidos

Presidente destruiu por vontade própria a maioria que tinha no Parlamento e enfrenta oposição, à direita e à esquerda, que inviabiliza governabilidade

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 6 dez 2024, 11h25 - Publicado em 6 dez 2024, 08h27

A cada três meses, ou até menos, Emmanuel Macron deve enfrentar o mesmo problema que acabou com o efêmero governo do primeiro-ministro Michel Barnier. Como no filme O Dia da Marmota, ele repete tudo: consegue encontrar um político experimentado disposto a carregar o piano, inúmeras negociações de bastidores dão uma fresta de esperança e, quando chega na hora de votações substantivas, daquelas que definem o rumo do governo, a coisa toda desaba por falta de votos suficientes.

Não se divisam no horizonte alianças que deem um jeito nisso. A Assembleia Nacional está fraturada em três blocos capazes de se anular mutuamente. A esquerda de Jean-Luc Mélenchon, o nome mais forte da Nova Frente Ampla, e a direita de Marine Le Pen só se unem na hora de chutar um cachorro praticamente morto, como fizeram com Michel Barnier, um homem decente, moderadamente conservador, com cara e postura de primeiro-ministro, mas incapaz, pelas circunstâncias políticas, de produzir um milagre.

Recebeu um voto de censura, como todo mundo já sabia que acabaria acontecendo. “O governo caiu como uma fruta madura. Há sessenta anos que isso não acontecia”, anotou em editorial o Le Figaro, de centro-direita. A única coisa em que todos concordaram: o voto foi contra Macron.

E que o país vai mal, o que se reflete no rebaixamento de sua nota pelas agências de avaliação de risco e de uma sensação de que vai tudo piorar. Resumiu, em termos brutais, o editorial do Figaro: “À beira do abismo, do rebaixamento econômico, o nosso país é atravessado por uma delinquência cega e galopante, golpeado por uma desestabilização migratória que amplifica todas as suas dificuldades. A França anda para trás, mas a política se confina a negociações menores e acordos liliputianos”.

ARROGANTE E VOLUNTARIOSO

Que diferença do otimismo que tomou o país quando o jovem, dinâmico e inteligentíssimo Macron foi eleito presidente pela primeira vez, em 2014, levando junto uma maioria parlamentar para um partido que havia criado do nada e que faria equilibradamente as reformas necessárias.

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Com o mesmo ar de competência com que se alçou, Macron fez o inexplicável: para mostrar que a direita lepenista, muito votada na eleição para o Parlamento europeu, não teria chances no país, ele cavou a própria cova ao convocar os franceses às urnas. Uma coisa não tinha nada a ver com a outra, e tudo o que Macron conseguiu foi se tornar minoritário, numa posição insustentável: não há acordos nem pautas mínimas possíveis com os dois extremos fortalecidos, à direita e à esquerda, o que inviabiliza a governabilidade.

O governo — ou governos — vai ter que se arrastar até julho do ano que vem, prazo mínimo para novas eleições. E sem garantias de que as coisas melhorem depois disso. O “governo de interesse geral representando todas as forças políticas” que Macron mencionou em seu discurso de ontem não tem viabilidade.

O que deveria ser um momento triunfal, com a reabertura da Notre Dame, amanhã, mostrando ao mundo como as coisas podem funcionar magnificamente bem quando todos franceses se unem, será uma cerimônia em que um triunfante Donald Trump captura todas as atenções e um derrotado Emmanuel Macron finge que está tudo bem.

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Escrevendo na britânica Spectator, Gavin Mortimer traçou um retrato desanimador: “Através do mundo, a influência e a imagem da França refluíram durante a presidência de Macron. Ele antagonizou numerosos líderes mundiais com sua atitude arrogante e voluntariosa, tal como alienou seu próprio corpo diplomático. Mas isso é nada comparado ao ódio que provoca entre a maioria dos franceses”.

MUDANÇAS TECTÔNICAS

Existe um certo revanchismo à inglesa na avaliação, por causa da inclemência mostrada por Macron — por ironia, por intermédio de Michel Barnier — nas negociações sobre o Brexit, mas os fatos são incontestáveis. O boicote de Macron ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul nos dá um exemplo mais próximo de como pratica a arrogância.

Alguns problemas de Macron eram e continuam a ser inevitáveis, abrangendo mudanças tectônicas sobre as quais governantes têm pouco controle, como a composição populacional, as correntes migratórias e os rombos nas contas públicas que o Estado de bem-estar social provoca quando a dinâmica econômica recrudesce.

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Outros foram criados por ele mesmo, sem necessidade e sem explicação, como a impulsiva convocação de eleições antecipadas de junho.

O castigo é o “Dia da Marmota”: repetir os mesmos movimentos para nomear os mesmos primeiros-ministros que conseguirão os mesmos resultados. Em resumo, nenhum.

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