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Iranianos celebram morte de algoz, louvado por mídia ocidental

O “pragmático” e "inteligente” Ari Larijani comandou a repressão contra os protestos de janeiro e era odiado pela oposição no Irã

Por Vilma Gryzinski 17 mar 2026, 11h02 • Atualizado em 17 mar 2026, 11h08
  • Na prática, diante da ausência do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, Ari Larijani era o homem mais poderoso do Irã, operando nos bastidores e também no cenário público, onde chegou a ameaçar Donald Trump, dando uma de valente, na sexta-feira passada, sob a proteção da massa que o cercava. Não terminou muito bem para ele e sua morte num bombardeio israelense provocou gritos de alegria, registrados em vídeos que conseguiram furar a barreira do silêncio virtual imposto pelo regime.

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    Tanto ele quanto o comandante da milícia civil chamada Bassij, Gholamreza Suleimani, tiveram um papel fundamental na repressão aos protestos do começo do ano, sufocados ao custo de mais de 30 mil mortes. Daí a comemoração por terem sido mandados fazer companhia a Ali Khamenei, o líder supremo explodido nos primeiros trinta segundos da guerra, “nas profundezas do inferno”, segundo a expressão, nada diplomática, reconheça-se, do ministro da Defesa de Israel Katz ao anunciar o resultado dos bombardeios.

    A alegria reprimida dos iranianos contrastou com o tom de reportagens da mídia americana e europeia, em tom nada disfarçadamente elogioso. Jeremy Bowen, na BBC, notável pela cobertura extremamente agressiva contra Estados Unidos e Israel: “Eu o conheci quando era um diplomata que dava para ver que era inteligente e procurava diferentes ângulos numa discussão”.

    “Era uma figura pragmática. Embora tenha dito algumas coisas duras nas últimas semanas, ao longo dos anos foi visto como um homem flexível, com quem dava para fazer negócios”.

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    O adjetivo pragmático também apareceu na cobertura de outros jornais, como o New York Times, para os quais tudo que Donald Trump faz tem que ser condenado – e, por extensão, o Irã tem lá seus motivos.

    ALTAS AMBIÇÕES

    É possível, obviamente, discordar de boa fé da guerra, considerando-a uma intervenção perigosamente fora das convenções do direito internacional. Também é possível achar que privar um regime teocrático fundamentalista de armas nucleares é mais importante do que todos os tratados de direito internacional, inclusive as vírgulas. Não dá é para contemporizar sobre seus métodos, a práxis, digamos.

    Larijani era de uma família importante na política iraniana e obviamente tinha altas ambições, mesmo sabendo que a falta de credenciais religiosas o impedia de chegar ao cargo de líder máximo. Disse que Trump não era “inteligente” o suficiente para entender como os iranianos iriam se unir sob ataque. Os gritos de alegria que a notícia de sua morte provocou desmentiram isso.

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    É possível especular – apenas especular, ressalve-se – que outros altos integrantes do regime não tenham ficado completamente infelizes com sua morte. Larijani acumulava cada vez mais funções, sob o título anódino de diretor de Segurança Nacional. Além do papel de destaque na repressão interna, ele fazia a conexão com a Rússia e atores regionais importantes, como Catar e Omã – países de atitude ambígua, mas que nem por isso foram poupados de bombardeios iranianos.

    Alguns observadores afirmaram até que a única manifestação até agora do novo líder supremo, uma nota lida na televisão, foi escrita no estilo peculiar de Larijani, num indício de que Mojtaba Khamenei, ferido no bombardeio que matou seu pai, está impossibilitado de se manifestar. – e de que Larijani ocupava cada vez mais espaços.

    O “pragmático” Larijani não terá novas oportunidades de mostrar suas qualidades.

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