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Irã decapitado: nunca na história moderna houve ataque como esse

Eliminação maciça das principais lideranças, com o aiatolá Khamenei no topo da lista, é um fato sem precedentes que poderá abrir caminho a negociação

Por Vilma Gryzinski 1 mar 2026, 08h50 • Atualizado em 1 mar 2026, 09h03
  • Ali Khamenei, líder supremo, como nas histórias em quadrinhos sobre alienígenas, morto. Mohammad Pakpour, comandante da Guarda da Revolução Islâmica, a mais importante e doutrinada força do regime, com atuação dentro e fora do país, morto. Aziz Nasirzadeh, ministro da Defesa, morto. Ali Shamkani, secretário das Forças do Conselho de Segurança, morto. A lista continua, abrangendo integrantes da cúpula do regime iraniano numa escala jamais vista em nenhum conflito da história moderna — e mais impressionante ainda porque as forças atacantes operam apenas pela via aérea e não sofreram nenhuma baixa até agora.

    É preciso recuar até as invasões mongóis para alcançarmos parâmetros comparáveis de eliminação em massa das camadas dirigentes. A União Soviética também foi brutal na matança das camadas médias, de intelectuais e profissionais, na Polônia ocupada, mas o país estava inteiramente dominado, dividido entre russos e Alemanha nazista, e alguns líderes poloneses foram poupados, já com a previsão de que a aliança Ribbentrof-Molotov duraria pouco e Stálin precisaria de comandantes presos para virar o jogo, guardando-os na Lubianka e na Sibéria.

    Os líderes iranianos mortos praticaram atrocidades ao longo de décadas. Algumas bem perto de nós, como a coordenação dos ataques contra a embaixada israelense em Buenos Aires e o centro judaico da cidade, num total de 179 pessoas explodidas por carros-bomba. Outras duraram anos: a “intervenção” na Síria, usando em grande parte mão de obra fornecida pelo Hezbollah, mas também com participação direta de iranianos, produziu mortos na casa das centenas de milhares.

    Contra sua própria população, foram mais de 30 mil só em janeiro, com detalhes alucinantes. Os sobreviventes levados para a cadeia sofreram violência sexual em massa, homens com objetos introduzidos no ânus, mulheres submetidas a seguidos estupros coletivos por policiais. Uma iraniana anônima disse ao New York Post que alguns corpos de mulheres foram devolvidos às famílias sem útero, provavelmente para esconder as mutilações sexuais. Famílias tiveram que pagar para receber os corpos e, em alguns casos, pelas balas que mataram seus entes queridos.

    Aparente interceptação de míssil por Israel após ataque ao Irã (28/02/2026)
    Interceptação noturna: defesas funcionaram bem e Irã está em situação de total vulnerabilidade (Erik Marmor/Getty Images)
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    Todos juntos no mesmo lugar

    Esse é o Irã dos homens que a operação conjunta entre Israel e Estados Unidos está atacando, sem possibilidade de transição negociada ou de uma mudança paulatina de regime, estando aí uma das maiores interrogativas sobre como vai terminar essa guerra sem precedentes. O Irã não tem um Adolfo Suárez, como a Espanha teve a sorte de ter depois da morte de Franco, um político de direita que rejeitou a ditadura e abraçou a transição para a democracia com grande coragem. Não tem sequer uma Delcy Rodríguez, a chavista radical que está colaborando com os Estados Unidos na Venezuela.

    O filho do xá deposto poderia exercer o mesmo papel estabilizador que o rei Juan Carlos II teve na Espanha. Ele parecia uma carta totalmente fora do baralho, mas muitas manifestações dentro do Irã — as de fora não contam nesse caso — invocaram seu nome. 

    Tudo, obviamente, está em aberto. Mas o regime iraniano enfrenta uma situação de total vulnerabilidade, com a perda jamais vista, nem lá nem em outro país, de toda a sua cúpula, na operação em que a CIA identificou a tresloucada decisão de colocar os principais nomes do regime no mesmo ambiente e Israel executou o que se chama de decapitação.

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    Todas as retaliações até agora não apenas estão sendo fracassadas como até mais negativas ainda para o regime iraniano, como o ataque a um hotel de luxo em Dubai, para grande susto dos influenciadores ingleses e de outras nacionalidades que imaginam viver num oásis de tranquilidade na região mais intranquila do mundo. O Irã também atacou, sem sucesso, mais quatro países árabes, mirando não apenas as bases americanas em seus territórios. É como se houvesse uma espécie de impulso de morte na provocação a países neutros ou não desejosos de se envolver.

    Uma das coisas mais comuns que se diz sobre guerras é que todo mundo sabe como começam, mas não como terminam. Se o Irã acertar um único alvo americano importante já haverá um efeito grande na opinião pública americana. As pesquisas feitas antes do ataque mostram um grande empate: 51% a favor e 49% contra. Quanto mais a supremacia americana se impuser como absoluta, mais tenderá a aumentar a parte que favorece o ataque como solução definitiva para o impasse do programa nuclear bélico iraniano.

    O próprio Donald Trump disse que os iranianos usaram a tática de chegar bem perto do entendimento e daí recuar. Fizeram isso sucessivamente com seus enviados especiais a Genebra, sob os auspícios de Omã, Steve Wittkoff e Jared Kushner.

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    Audácia sem precedentes

    A operação Fúria Épica obviamente foi planejada e coordenada com Israel ao longo de meses, mas Trump preservou a possibilidade de um acordo até o fim. O New York Times, que preferiria viver sob a sombra maligna de Khamenei a reconhecer alguma coisa positiva em Trump, disse que o presidente foi imprudente.

    O ataque americano, com a decapitação em massa da liderança iraniana, certamente revela uma audácia sem precedentes.

    Tudo, aliás, é sem precedentes e a Fúria Épica está reverberando por um mundo que ainda nem começou a processar tudo o que significa.

    Dúvida: ainda não se sabia o que havia acontecido com o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, cuja casa foi outra que virou cratera em Teerã. Amigo de ficar de mãos dadas com o presidente Lula da Silva e defensor de um “mundo sem os Estados Unidos e sem o sionismo”, ele estava com destino indeterminado no começo deste domingo, 1º.

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