Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Mundialista

Por Vilma Gryzinski Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Guerra de egos: jogo entre Trump e o indiano Modi é muito mais pesado

Os dois são de direita, têm comportamento de líderes messiânicos e criaram um perfil de salvadores da pátria, o que dificulta acomodação

Por Vilma Gryzinski 7 ago 2025, 08h24 •
  • Profeta, guru, visionário, herói da explosão econômica do país mais populoso do mundo. Santo, até, acreditam indianos seduzidos pela personalidade de um homem tão dedicado à causa que durante toda a vida tem praticado a abstinência sexual. Nesse último quesito, dificilmente Narendra Modi pode ser comparado a Donald Trump, mas em outros aspectos há muitos pontos em comum.

    Os dois também têm egos gigantescos, embora a formação hinduísta de Modi devesse indicar um caminho oposto. Um exemplo: o primeiro-ministro indiano se refere a si mesmo na terceira pessoa. Também inaugurou a moda de fazer comícios em forma de holograma, quase como uma aparição descida dos céus.

    E qual político não se acharia um verdadeiro milagre se tivesse 75% de aprovação e uma média de crescimento anual de quase 7% durante seus mais de dez anos, impulsionando a Índia a se tornar a quarta maior economia do mundo, com PIB de quase quatro trilhões de dólares e astronautas em sua própria estação espacial?

    Como Donald Trump, Modi é de direita – seu partido, o do Povo Indiano, é nacionalista, protecionista e propugna a supremacia do hinduísmo, embora as previsões de graves conflitos sectários envolvendo a minoria muçulmana – minoria indiana, com quase 200 milhões de praticantes do islamismo – não tenham se concretizado.

    PRESENÇA CHINESA

    Trump apostava num bom acordo comercial com a Índia, uma joia especial na coleção de parceiros com quem se entendeu, incluindo União Europeia, Japão e Coreia do Sul. Frustrou-se. Possivelmente porque a Índia não quis abrir o mercado para exportações agrícolas, principalmente laticínios, um problema sério considerando-se que 47% da população de 1,4 bilhão de habitantes ainda vive do campo.

    Continua após a publicidade

    Olhando de longe, é difícil imaginar que um país como a Índia se sinta ameaçado – mas vizinhos como a China e o Paquistão deixam o país em permanente crise existencial, sem contar nações menores, como Sri Lanka e Bangladesh que se abrem à presença chinesa. Também é difícil imaginar como a Índia dispensaria o petróleo russo, o motivo invocado por Trump para colocar o país no nível brasileiro de tarifação de 50%.

    Antes da invasão da Ucrânia, a Índia importava apenas 0,2% de seu consumo de petróleo da Rússia. Hoje, beneficiada pelos preços de ocasião, compra 45%. É, portanto, uma situação muito mais complexa do que a do Brasil, se levados em conta apenas os fatores comerciais.

    “A Índia poderia acabar com a guerra da Ucrânia amanhã”, escreveu no Telegraph o oficial da reserva e analista Tim Collins. “Modi tem uma escolha a fazer”.

    Continua após a publicidade

    LAMBENDO OS BIGODES

    Dificilmente ele vai escolher recuar – o ego e a aura de protetor nacionalista não permitem. Irá se aproximar do outro gigante asiático, com quem a Índia tem um histórico de conflitos fronteiriços? A China deve estar lambendo os bigodes. Agora no fim do mês, Modi faz a primeira visita à China desde 2019, saudada por partidários como parte de seu papel de Vishnaguru, guru ou professor global.

    O mundo tal como o conhecemos nas últimas décadas nunca viu uma situação como a atual, com um presidente americano buscando agressivamente a abertura de mercados – e, agora, usando o porrete que tantos aliados europeus pediam para punir o imperialismo russo. Fica difícil criticá-lo, para essa turma, mas ninguém quer encrenca com a Índia.

    Da mesma forma como nunca vimos isso antes, também não sabemos no que vai dar.

    Isso que ainda nem chegamos na parte das importações de diesel russo pelo Brasil.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).