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Está o novo líder supremo do Irã em estado grave, com perna amputada?

Mojtaba Khamenei foi ferido e nenhuma imagem dele apareceu depois do início da guerra; seu primeiro discurso foi lido por apresentadora na televisão

Por Vilma Gryzinski 13 mar 2026, 06h45 • Atualizado em 13 mar 2026, 07h36
  • Qual a verdadeira situação do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei? Seriam as autoridades religiosas que se reuniram para elegê-lo, no lugar do pai eliminado nos primeiros segundos da guerra, insanas o suficiente para escolher um homem com a saúde seriamente abalada, atingido por um bombardeio, com pelo menos uma perna amputada e, segundo relatos não confirmados, em estado de coma? Ou até mesmo morto?

    A ausência de qualquer manifestação física de Mojtaba, nem que fosse um vídeo gravado em condições de extrema segurança, alimenta todo tipo de boataria. “Ninguém sabe nada sobre Mojtaba, inclusive se ele está vivo ou morto”, disse uma autoridade mencionada pelo Telegraph. “Para nós, só disseram que ele está ferido. Ele não tem controle sobre a guerra porque não está presente. Os comandantes não têm notícias dele”.

    Outra especulação extrema foi feita por fontes do jornal The Sun – com a necessária visão crítica, os tabloides devem ser levados a sério porque investem muitos recursos quando assuntos de extrema importância abalam o mundo.

    Por exemplo, o título da reportagem em que falou sobre a gravidade do estado de Mojtaba não é produto da pura especulação, apesar dos exageros. Dizia: “O novo aiatolá impotente está em coma e perdeu pelo menos uma perna”.

    ‘BEBÊ DE UM BILHÃO\’

    A parte da impotência remete ao célebre vazamento de comunicações diplomáticas de funcionários americanos, conhecido como WikiLeaks. E os americanos, como sempre, sabem muito.

    O problema sexual seria a razão pela qual Mojtaba foi com a mulher para Londres, em 1998, fazer um tratamento para infertilidade. O filho gerado depois dos procedimentos feitos em duas clínicas ficou conhecido como “o bebê de um milhão de libras” – a quantia calculada para os gastos de alojamento para o enorme séquito do filho de Ali Khamenei, incluindo pelo menos vinte seguranças, além de empregadas para atender as mulheres da família.

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    A fonte do Sun afirmou que Mojtaba está internado na UTI do Hospital da Universidade de Sina, em Teerã, localizado na parte histórica da cidade e agora totalmente isolado. A fonte ouviu as informações sobre o estado grave do novo líder supremo de conhecidos que trabalham no hospital, incluindo o detalhe de que o atendimento é chefiado pelo ministro da Saúde, Mohammad Reza Zafargandhi, a maior autoridade médica em traumatologia do país.

    Disse também o informante: “Uma ou duas pernas foram amputadas. Ele teve ruptura de fígado ou abdominal. Aparentemente, está em coma”.

    NOVAS FRENTES SERÃO ABERTAS

    Os ferimentos – no mesmo ataque em que morreu seu pai ou em algum bombardeio subsequente – foram confirmados oficialmente pela televisão estatal, que se refere a ele como “Jaanbaz do Ramadã”.

    A primeira palavra significa ferido de guerra. Como o conflito acontece no mês santo da religião muçulmana, quando todos precisam jejuar o dia inteiro, até o pôr do sol, está sendo chamado oficialmente pelo regime iraniano de Guerra do Ramadã, enfatizando assim um significado religioso e o caráter de mártires dado aos que caem em combate.

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    Por mais uma extraordinária coincidência, o pai de Mojtaba também sofreu ferimentos graves, na explosão de uma bomba colocada dentro de um gravador onde registrava o sermão que fazia numa mesquita, em 27 de junho de 1981. Khamenei ainda não era o líder supremo, mas já tinha grande autoridade no novo regime. Perdeu para sempre os movimentos no braço direito. O atentado foi atribuído a um grupo islamista marxista – sim, já existia isso -, marginalizado da luta pelo poder depois da queda do xá.

    No discurso lido pela apresentadora na televisão, Mojtaba disse o previsível: os ataques contra países árabes do Golfo vão continuar enquanto houver bases americanas em seus territórios, embora o Irã busque “boas relações” com os vizinhos – uma tremenda ironia, considerando-se os ataques constantes com mísseis e drones contra alvos civis. O Estreito de Ormuz também continua bloqueado; serão abertas outras frentes onde os Estados Unidos e aliados “não têm experiência e são severamente vulneráveis” e, claro, o “sangue dos mártires” será vingado.

    AIATOLÁ FANTASMA

    Como líder supremo, ele tem a palavra final em todas as decisões do país, em todos os aspectos, e possíveis aberturas para conversações sobre um acordo para terminar a guerra só irão adiante com sua aprovação. A grande questão é: está em condições de tomar essas decisões?

    Há indícios de que países como o Egito e Omã estão propondo intermediar conversações, mas tudo dependeria da disposição do homem de 56 anos, que perdeu o pai, a mãe, a esposa, um cunhado e uma sobrinha. Sem contar os próprios danos físicos, em extensão ainda sem confirmação. Não parece um bom indicador para aberturas.

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    Mesmo antes dos recentes acontecimentos momentosos, ele já era considerado mais radical ainda do que o pai e professava a apocalíptica convicção xiita sobre a proximidade do fim do mundo. Também tinha um comportamento furtivo, sem aparecer nem discursar em público, algo estranho para a tradição dos pregadores xiitas de falar sobre tudo e todas as coisas. As imagens sancionadas pelo regime até agora só mostram Mojtaba em cartazes levados nas mãos ou pregados no peito de seguidores e integrantes das forças de segurança, que fazem cerimônias de juramento de fidelidade ao novo líder ou vigiam os ambientes públicos para que não irrompam protestos.

    Mas, na calada da noite, desde que ele foi eleito, há iranianos com coragem suficiente para gritar “Morte a Mojtaba”. Da mesma maneira que faziam com o seu pai.

    Com seu pendor para a espetacularização das notícias, ele está sendo chamado pelos tabloides ingleses de “aiatolá fantasma”. Aiatolá no sentido genérico, de clérigo xiita, porque ele não tem essa qualificação, embora hoje todos tenham que curvar o turbante diante dele. Isso, se e quando aparecer.

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