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Em alta: Robert Sarah, cardeal africano que defende a identidade europeia

Ele tem tudo contra, da idade a posições conservadoras, num conclave onde maioria foi nomeada por Francisco, mas surpresa é o nome do jogo

Por Vilma Gryzinski 24 abr 2025, 07h04 •
  • Quem diria que um desconhecido polonês chamado Karol Wojtyla seria eleito papa? Ou o argentino Jorge Mario Bergoglio, ocupante de um distante décimo-quinto lugar nas especulações da época? O lugar de azarão no momento é de dom Robert Sarah, que é da Guiné, país da África Ocidental, ligado ao Brasil pelo grande tráfico de africanos escravizados.

    Um papa negro que é adepto da missa tridentina – em latim, com o celebrante de costas, à moda antiga e proibida por Francisco – e lamenta que a Europa tenha “perdido o sentido de suas origens”, como uma árvore que perde as raízes.

    “Tenho medo que o Ocidente morra e vemos muitos sinais. Não há mais natalidade, invasão de outras culturas, outros povos, que progressivamente o dominarão pelos números e mudarão completamente a sua cultura, suas convicções, seus valores”, diz numa entrevista que voltou a circular.

    Note-se que é uma oposição exatamente contrária à de Francisco, que fez da defesa das fronteiras abertas nos países ricos uma das causas centrais de seu pontificado.

    O vídeo em que ele faz estas declarações, que coincidem com a da direita populista, reemergiu depois da morte do papa e das especulações sobre quem o sucederá.

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    ‘COLONIALISMO IDEOLÓGICO’

    Em princípio, devido à composição do conclave modelado por Francisco, seria impensável votar num antípoda ideológico do papa morto – e ainda por cima prestes a completar 80 anos -, mas a dinâmica que acontece na Capela Sistina tem caminhos próprios. Nas sucessivas votações, os que ficam nos últimos lugares vão sendo eliminados e outros nomes até então não cogitados ascendem.

    “É a nossa esperança”, disse, segundo anotado pelo Telegraph, um deputado polonês de direita, Dominik Tarcsynski, refletindo uma tendência nas esferas católicas conservadoras.

    Sarah também é linha dura em matéria de sexualidades alternativas. Embora Francisco também fosse, o cardeal africano chegou a chamar a ideologia de gênero de “uma recusa luciferiana em receber uma natureza sexual de Deus”.

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    “Dessa forma, alguns se rebelam contra Deus e se mutilam inutilmente para mudar de sexo. Mas na verdade, não mudam fundamentalmente nada em sua estrutura como homem ou mulher”.

    São palavras pesadas, talvez incompatíveis com o dever de compaixão que todos os católicos devem ter, mas refletem a opinião de líderes religiosos africanos, mesmo os mais progressistas. O cardeal da Guiné já disse que os países africanos mais pobres são obrigados a aceitar posições dos ricos em matéria de sexo e gênero por causa do “colonialismo ideológico do Ocidente”.

    Sarah levou uma chamada de Francisco numa questão que parece menor, ao dizer que o Concílio Vaticano II não obrigava os sacerdotes a celebrar a missa de frente para os fieis. Disse que suas palavras haviam sido “incorretamente interpretadas”.

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    COM OU SEM EMOÇÃO

    As “apostas” vão mudando – algumas ao sabor dos burburinhos nos infindáveis corredores do Vaticano. O momento é de contrição pela morte de Francisco, mas é irresistível especular, até para os que acreditam que os eleitores serão guiados pelo Espírito Santo.

    Segundo alguns desses murmúrios, chega de falar em mudança climática e outros temas correlatos caros a Francisco. O momento é de retomar o apelo espiritual da Igreja e a clareza de sua mensagem moral, justamente o que faz sua força nos lugares onde cresce, na África e na Ásia.

    Nenhum dos potenciais papáveis tem um perfil muito carismático, mas é depois de sair no balcão da Basílica de São Pedro, já tendo escolhido como será chamado, que o perfil do novo papa se define.

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    Nem sempre as escolhas são surpreendentes, como no caso de João Paulo II e de Francisco. A escolha de Bento XVI era considerada uma unanimidade – surpresa foi sua renúncia, até hoje fonte de teorias conspiratórias.

    Se não houver surpresas, o escolhido deve ser Pietro Parolin, que foi secretário de Estado – uma espécie de primeiro-ministro do papa – e conhece profundamente os meandros da Cúria Romana, a mãe de todos os estados profundos do planeta. Seria uma escolha sem emoção. Robert Sarah, evidentemente, injetaria uma dose extremamente emocional

    Até o momento em que for anunciado Habemos Papam, continuará o suspense do maior reality show do mundo – escondido dos nossos olhos, tão acostumados a ver tudo. Na intimidade da Capela Sistina, que pode ser a maior obra de arte da humanidade, não há câmaras, nem sequer um celular.

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