A incrível destruição da Marinha iraniana, incluindo fragata suspeita
Recursos navais do Irã foram praticamente varridos do mapa, com ataque até no Sul da Ásia com torpedo disparado por submarino
Diz uma piadinha cruel que Donald Trump doou generosamente aos iranianos mais de dez submarinos. É uma forma jocosa de retratar como fragatas e outras embarcações que eram vitais para o país, totalmente dependente das vias marítimas para escoar o petróleo, hoje estão no fundo do Golfo Pérsico. Ou, no caso da fragata Dena, que o governo Lula da Silva permitiu aportar no Rio de Janeiro, num gesto de boa vontade em relação ao regime iraniano (e de péssima vontade para com Trump), no fundo do mar do Sul da Ásia, a cerca de quarenta quilômetros do Sri Lanka, país que atendeu o pedido de socorro e resgatou 32 tripulantes, uma minoria.
Mais de oitenta foram para o fundo do mar com a Dena. Qualquer pessoa decente fica compungida com tantas mortes. É triste ver o resultado de uma guerra, principalmente porque poderia ter sido evitada se o Irã tivesse dado garantias sérias de que não iria tentar fazer bombas nucleares para explodir Israel. Em vez disso, os negociadores iranianos se jactaram para interlocutores americanos de que já tinha urânio pronto para passar pelo último estágio do processo de enriquecimento e ser usado na fabricação de onze artefatos do fim do mundo.
A Marinha iraniana começou a ser afundada assim que Trump deu, em nove palavras, a autorização para o início das operações cinéticas – o jargão para guerra em si (“Operação Fúria Épica está aprovada. Sem cancelamentos. Boa sorte a todos”, dizia a mensagem enviada há uma semana).
Fora tomar o controle do mar, o afundamento de embarcações inimigas também limita o dano que os mísseis embarcados podem provocar.
NAVIOS DE TURISMO PRESOS
A operação foi tão devastadora que o Comando Central, responsável pelo teatro de operações do Oriente Médio, se desviou um pouco da linguagem profissional que deve ser seguida pelos militares e fez um certo exibicionismo num post no X na segunda-feira: “Há dois dias, o regime iraniano tinha onze navios no Golfo de Omã, hoje tem ZERO. O regime iraniano tem assediado e atacado a navegação internacional no Golfo de Omã há décadas. A liberdade de navegação tem sustentado a prosperidade americana e global há mais de oitenta anos. As forças dos Estados Unidos continuarão a defendê-la”.
O sucesso contra a Marinha inimiga não significa que o Golfo Pérsico – ou de Omã, como preferem agora os americanos – esteja liberado para a navegação. Ao contrário, o Irã ainda tem grandes depósitos de drones para ameaçar petroleiros. Um artefato de 20 mil dólares pode destruir um gigante de 160 milhões. Até navios de turismo estão presos no Golfo, cheios de viajantes suficientemente otimistas para fazer viagens de lazer a um palco de operações onde os Estados Unidos já reuniam uma frota que definitivamente não estava ali para fazer exercícios de rotina e trocar amenidades com os locais.
O domínio marítimo se soma ao aéreo, com americanos e israelenses dominando um espaço de intensa hostilidade, mas pouca capacidade. Os únicos aparelhos perdidos até agora, por eles, foram os três caças F-15 abatidos por um avião aliado, do Kuwait. Treinar pilotos de países amigos sempre foi uma das tarefas dos Estados Unidos, mas faz parte do jogo aceitar que alguns se confundam nas identificações, principalmente sob a tensão dos mísseis e drones disparados pelo Irã com o intuito de fazer os vizinhos árabes se apavorar e pressionar os Estados Unidos pelo fim da guerra. Perder três aviões de 31 milhões de dólares para um aliado nervoso não é nada agradável, mas as tripulações conseguiram se ejetar com segurança.
Os ataques iranianos a vizinhos estão provocando efeitos contrários aos desejados. No Líbano, que voltou a ser bombardeado depois que o Hezbollah, mesmo desbaratado, resolveu também entrar na guerra, estão acontecendo guinadas impressionantes. O governo libanês, por tanto tempo um apêndice do Hezbollah, disse que a organização está proibida de exercer atividades militares e vai caçar os vistos dos militares iranianos no país – são eles que hoje mandam na organização xiita libanesa.
O Líbano todo sofre quando o Hezbollah ataca Israel pois os israelenses revidam com ataques dirigidos contra seus dirigentes, abrigados entre a população civil não do lado xiita, mas espalhados pelo país.
Até o Azerbaijão foi bombardeado pelos iranianos, na tática de tocar fogo no circo.
Adendo: além da capacidade ofensiva, os Estados Unidos protegem os aliados com um caríssimo, mas eficaz, manto defensivo. Nos primeiros cinco dias de guerra, as baterias antiaéreas Patriot e THAAD, montadas sobre caminhões móveis, interceptaram 172 dos 186 mísseis e 755 de 812 drones Shaheed disparados contra os Emirados Árabes Unidos.
FRAGATA, NUNCA MAIS
Parece loucura o Irã atacar um país que não fez nada para provocá-lo. Mas, do ponto de vista dos integrantes mais radicais do regime iraniano, a guerra total faz sentido, mesmo que com traços de insanidade, considerando-se que na guerra convencional estão sendo cruelmente moídos, seus estoques de mísseis diminuem, os sistemas antiaéreos não funcionam mais, a Marinha foi afundada e tentativas de usar caças não passam pelo crivo – um F-35 de Israel derrubou ontem, sobre Teerã, um caça iraniano Yak-130, num feito sem precedentes.
Até o próprio fechamento do Golfo prejudica o Irã, pois fica sem ter como escoar o petróleo de onde veio o dinheiro para os enormes estoques de armamentos e equipamentos agora em acelerada destruição. O modo sobrevivência sempre tem um aspecto autodestrutivo, mas o fato é que ataques aéreos não ganham guerras sozinhos e, apesar da enorme destruição de equipamentos, o componente humano continua em grande parte ileso e sem sinais de racha. Operações em terra de separatistas curdos, como estão sendo separadas, acrescentariam um estresse pesado, mas não capaz de definir rumos definitivos.
Como irá esta guerra terminar? É difícil dizer, inclusive porque as demandas políticas sobre Donald Trump são quase impossíveis de atender, mas o Irã está sendo sistematicamente incapacitado, malgrado a torcida da grande maioria dos órgãos da mídia dos Estados Unidos e da Europa para que o presidente americano se dê mal. Por causa dessa torcida, a degradação bélica do Irã é pouco retratada ou até escondida.
Talvez nunca saibamos o que a fragata iraniana Dena veio fazer no Brasil, mas o que quer que tenha sido não se repetirá.





