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A cotação de Marco Rubio está subindo; será primeiro presidente latino?

Embora seja cedo demais, o secretário de Estado tem sido elogiado por Trump e não esconde ambição; Venezuela e Cuba definirão seu futuro

Por Vilma Gryzinski 26 fev 2026, 06h38 •
  • Os chineses acreditam que ter orelhas grandes é um bom presságio, pois permitem ouvir quando a sorte passa por perto. Nesse caso, Marco Rubio, o secretário de Estado, está bem equipado para captar se o cavalo selado que pode levá-lo ao cargo mais importante do mundo está desfilando à sua frente. Para as pessoas comuns, parece cedo demais para discutir a eleição presidencial de novembro de 2028, mas políticos evidentemente só pensam nisso.

    Os recentes elogios de Trump têm deixado Rubio com a bola toda. O mais público foi durante o discurso do Estado da União, na presença de todas as autoridades nacionais. “Grande secretário de Estado. Acho que entrará para os registros como o melhor de todos”, exaltou o presidente. Modestamente, Rubio fez um gesto indicando o próprio Trump como o responsável por tudo.

    Alguns podem ter achado que foi excesso de bajulação, mas imediatamente Rubio abriu uma mensagem no celular dizendo: “Isso é que é classe”. Autor: Richard Grenell, o homem que põe diretamente a mão na massa, negociando as mudanças gradativas no regime venezuelano. Antes da captura de Nicolás Maduro, os dois pareciam em rota de colisão, com Rubio defendendo uma intervenção americana e Grenell numa posição mais dialoguista.

    O sucesso fulminante da operação de 3 de janeiro resolveu as eventuais diferenças. “Somos amigos. Eu simplesmente me dirigi a um amigo para cumprimentá-lo pela humildade num momento tão público”, disse Grenell sobre a mensagem, capturada pelo fotógrafo do New York Times.

    RETORNO DA REPRESSÃO CUBANA

    É bom que eles se entendam. O sucesso do inédito experimento que os americanos estão conduzindo na Venezuela, com a captura do chefão e a cooptação gradativa de seus asseclas, sem uma derrocada súbita do regime, será um dos fatores que definirão o futuro político de Rubio.

    Outro é o destino de Cuba, atualmente submetida a um embargo de combustíveis que acelera em ritmo rápido o desmanche, mais do que econômico e social, existencial, do regime erguido com base em ideias comunistas e hostilidade aos Estados Unidos.

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    É uma tática arriscada. Se parecer que os cubanos comuns estão sofrendo demais por pecados de seus governantes, pode haver uma guinada na opinião pública. O regime comunista sabe que “exigências” como eleições democráticas e libertação de presos políticos implicariam o seu desmoronamento.

    Seus integrantes resistirão de todas as formas, enquanto a população pena com a carência extrema de tudo, impossibilitada de reagir por um esquema repressivo que é a única coisa que continua funcionando. Ironicamente, a repressão será reforçada pelos cubanos que ocupavam cargos importantes nos órgãos de segurança da Venezuela. Eles estão sendo gradativamente despachados de volta para Cuba, cumprindo uma das condições impostas pelos Estados Unidos.

    ‘LUVAS DE PELICA’

    Como filho de cubanos que emigraram para os Estados Unidos antes da ditadura castrista, Rubio tem uma responsabilidade moral maior pelo destino da ilha.

    Aos 54 anos, casado com a ex-cheerleader Jeanette, filha de imigrantes colombianos, Rubio tem potencialmente espaço para esperar caso o candidato escolhido pelo Partido Republicano seja o vice-presidente JD Vance, atualmente o favorecido pelas casas de apostas.

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    Trump faz o jogo de elogiar os dois e deixar no ar quem seria seu preferido. Falou em tom positivo sobre os discursos que cada um deles fez na Conferência de Munique, Rubio mais elegantemente – com “luvas de pelica”, segundo o presidente – ao defender propostas conservadoras para uma Europa culturalmente fiel a suas origens e com imigração sob controle, mantendo a forte aliança com os Estados Unidos.

    Foi o discurso mais elaborado de Rubio, que não é um intelectual, mas aprende rápido – e não reclama do excesso de trabalho, acumulando a chefia da diplomacia americana e, interinamente, o posto de Assessor de Segurança Nacional, além de postos acessórios. Os adversários diriam que está tudo dominado.

    ELOGIOS DO CHEFE

    Ou quase tudo. O assunto mais urgente do momento, o que os Estados Unidos farão em relação ao Irã, está sendo conduzido não pelo secretário de Estado, mas pelos emissários especiais Steven Witcoff e Jared Kushner. Mas é claro que, se algo der muito errado, respingará em Rubio. Se der certo, impulsionará sua potencial candidatura.

    Ele tem a vantagem de ter sido senador e contar com a boa vontade de colegas no Congresso. Seu nome foi aprovado como secretário de Estado com 100% dos votos do Senado, um fato que Trump exaltou no discurso de terça-feira – “E alguns democratas agora estão dizendo: não acredito que aprovamos este cara”, brincou o presidente.

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    Também em nenhum momento Rubio usa a “carta da minoria”, ou seja, não coloca em destaque, fazendo o papel de vítima, mas tampouco esconde sua origem latina.

    Esta origem pesa entre um eleitorado que, embora heterogêneo, historicamente vota nos candidatos democratas e, mais importante ainda, porque o possível adversário final seria o governador do mais latino dos estados, o californiano Gavin Newson.

    Um presidente latino, de direita, equilibrado nas palavras mas defensor de iniciativas arriscadas como abduzir Nicolás Maduro, com bom trânsito no Congresso e elogios reiterados do chefe. É um bom pacote eleitoral. Claro que tudo dependerá de como o governo Trump será avaliado, algo que ainda tem três anos para ser definido. Mas é impossível que Marco Rubio não esteja ouvindo as passadas do metafórico cavalo selado.

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