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A corrida maluca de Musk

Bilionários disputam como vai ser o futuro e quem vai chegar lá primeiro

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 17 dez 2021, 10h13 - Publicado em 18 dez 2021, 08h00

Não houve algo parecido nem quando os Medici e os Borgia compartilharam o mesmo tumultuado céu da península italiana, disputando quem fazia mais papas, patrocinava mais artistas e, de modo geral, mandava mais. Os bilionários da era high-tech querem moldar o futuro da raça humana, neste planeta e fora dele. É um mundo com zero emissão de gás carbônico (Elon Musk), sem doenças transmissíveis (Bill Gates), vivido virtualmente (Mark Zuckerberg) e reproduzido em colônias espaciais ou no planeta Marte (Musk, Jeff Bezos, Richard Branson). Como circulam no mundo das centenas de bilhões de dólares — Musk está perto dos 300 bilhões, um três seguido por onze zeros —, não ligam muito quando a esquerda diz que são de direita, e vice-­versa. “A maioria das ideias mais convincentes e visíveis sobre o amanhã está sendo concebida e desenvolvida por uma pequena minoria de indivíduos ultrarricos e companhias do setor privado”, bufou o Guardian, jornal guardião de todas as relíquias esquerdistas, incluindo a ideia de que o setor público poderia competir com os gênios da era tecnológica em criatividade, agilidade, empreendedorismo e visionarismo.

“Eles querem todo o conhecimento que podem adquirir e monetizar — de preferência antes dos outros”

A escolha de Elon Musk como pessoa do ano da Time trouxe para mais perto dos mortais comuns o ambiente de ficção científica vivido no presente pelo homem mais rico do planeta, nascido na África do Sul, filho de um pai “horrível”, portador de síndrome de Asperger e piadista de nível primário que tuíta quando está sentado no “trono” e faz relatos sobre os resultados (66 milhões de seguidores acompanham os detalhes). “Eu ficaria surpreso se não estivermos pousando em Marte dentro de cinco anos”, disse ele à revista, contrariando todos os prognósticos. A Tesla de Musk hoje domina dois terços do mercado de carros elétricos, o que lhe dá um poder de barganha enorme, embora ainda longe de comparável ao monopólio das redes sociais e dos mecanismos de busca, que podem induzir, seduzir, arrebatar, cooptar, censurar e dar a última palavra sobre quem diz o que no mundo digital onde estaremos vivendo mais do que nunca.

“O poder não corrompe os homens; os tolos, no entanto, se chegarem a uma posição de poder, corrompem o poder”, dizia o frasista George Bernard Shaw. Os bilionários que estão moldando o futuro são gênios que conquistaram o direito de guiar a humanidade rumo a um futuro que não temem projetar agora ou tolos que sabem fazer muito bem as atividades originais onde foram tão afortunados, mas se metem em campos que não lhes dizem respeito ou deveriam, como acha o Guardian, ser reserva de instituições de Estado?

“Conhecimento demais é uma desgraça”, é uma frase atribuída a Lorenzo de Medici, da família de banqueiros florentinos que financiou o Renascimento e um jovem e promissor intelectual chamado Nicolau Maquiavel. Os bilionários contemporâneos que inundam de dinheiro seus projetos prediletos correm na pista oposta. Querem todo o conhecimento que podem adquirir e monetizar — de preferência antes dos concorrentes. E sentados no “trono”.

Publicado em VEJA de 22 de dezembro de 2021, edição nº 2769

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