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A batalha mais vital que Trump tem que ganhar: a da opinião pública

A maioria dos americanos ainda não se convenceu da necessidade da guerra no Irã e o presidente continua a perder popularidade

Por Vilma Gryzinski 11 mar 2026, 07h05 •
  • Manter várias ideias no ar ao mesmo tempo, mesmo sendo conflitantes, é uma necessidade para entender o que está acontecendo no Irã – e nos Estados Unidos. Militarmente, a capacidade bélica do Irã está massacrada, mesmo que apenas com o recurso da guerra aérea. Mas as guerras também precisam ser vencidas na trincheira da opinião pública e aí as pesquisas mostram resultados negativos para Donald Trump. Segundo uma das pesquisas da Quinnipiac, 53% dos americanos são contra a operação militar e apenas 40% a favor. Mais de três quartos acham que a intervenção militar redundará num atentado terrorista em território americano e uma porcentagem similar se preocupa com o aumento do preço da gasolina. A ideia de mandar tropas para uma invasão terrestre é rejeitada por 74% dos americanos.

    É claro que as opiniões se dividem segundo as simpatias políticas. São contra a guerra 89% dos eleitores do Partido Democrata e a favor dela 85% dos republicanos – é importante notar que nesse segmento, também há uma maioria de 52% contra o envio de tropas por terra, um reflexo ainda do repúdio que a invasão do Iraque continua a reverberar.

    Curiosamente, na época dessa invasão, o presidente George Bush filho conseguiu convencer a maioria dos americanos de que era necessária, usando o argumento das armas de destruição em massa que, no final, o regime de Saddam Hussein não tinha.

    O New York Times, que faz uma cobertura intensa contrária à operação no Irã, fez uma comparação interessante entre conflitos diferentes. Na II Guerra Mundial, 97% dos americanos foram a favor de romper o isolamento do país. Sob o impacto do Onze de Setembro, apoiaram a invasão do Afeganistão 92% do país. A Guerra do Golfo Pérsico, de 1991, para tirar Saddam Hussein do Kuwait invadido, teve o apoio de 82%. Intervenção no Panamá de Manuel Noriega em 1989, 80%. Guerra da Coreia, 75%. Intervenção em Kosovo, em 1980, 58%. Na pequena Granada, 53%. Líbia, 47%. Agora no Irã, 41%.

    TORNEIRA FECHADA

    Note-se que em invasões importantes, presidentes anteriores, inclusive Bush pai e filho, conseguiram a aprovação da ONU e do Congresso, o que deu um estofo legal às guerras. Não é errado dizer que Trump agiu fora das normas do direito internacional, mesmo com o caso do Irã sendo único, no sentido de patrocinar as maiores organizações terroristas do mundo e perseguir o sonho nuclear, o que o blindaria de futuras intervenções.

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    A falta de um apoio muito maior da opinião pública, além da campanha contrária da maioria da mídia, não muda em nada a natureza execrável do regime iraniano. O problema, para Trump, é que ele não conseguiu demonstrar que a ameaça representada pelo regime fundamentalista, obcecado por conseguir bombas nucleares, tenha aumentado a ponto de justificar uma guerra, mesmo que apenas via bombardeios aéreos, sem o envolvimento obrigatoriamente mais cruento de operações por terra.

    Segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos, os americanos aprovariam mais as operações se levassem a um governo mais amigo dos Estados Unidos (47%), o fim do programa nuclear iraniano (48%) e a Rússia não pudesse mais comprar armas do Irã para usar contra a Ucrânia (46%). Um conflito generalizado no Oriente Médio, por motivos óbvios, tem o apoio de apenas 9%; baixas entre forças americanas, 6%, e aumento do preço do petróleo, 5%.

    O preço do combustível é evidentemente um dos pontos mais fracos para Trump e o regime iraniano sabe disso, tendo conseguido fechar a torneira, em grande parte, do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. O fato de que o petróleo iraniano também não possa sair por ali mostra como o regime está num modo de sobrevivência existencial, apostando em aguentar o quanto der, para cansar os americanos primeiro.

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    GUERRA FORA DO RADAR

    Trump tem dado inúmeras entrevistas à mídia, tanto coletivamente quanto de maneira individual, para defender uma intervenção que ainda não conseguiu convencer a maioria da opinião pública. Seus argumentos oscilam muito, mas o mais forte é impedir que o Irã tenha a bomba nuclear, tendo adquirido – e escondido – urânio suficiente para fazer onze artefatos se a última fronteira do enriquecimento, como é chamada a transformação do material para fins bélicos, for transposta. O presidente também toma o cuidado de envolver Israel o mínimo possível para não dar argumentos à ala ultradireitista que condena a operação como uma terceirização de um projeto israelense (número a ser anotado: enquanto a aprovação à Fúria Épica gira na casa dos 40% nos Estados Unidos, em Israel tem 97% de apoio dos israelenses judeus, há quase meio século ameaçados de extinção pelo regime teocrático iraniano).

    Trump está com uma desaprovação alta, de 54,1%, segundo a média do RealClear, contra 43,4% de aprovação, sendo a maior fonte de reclamações a condução da política econômica. Uma guerra que não estava no radar dos americanos, mesmo que apenas via mísseis contra alvos militares, poupando baixas civis em grande escala, e o repúdio que provoca, não contribuem para aumentar sua popularidade.

    Os aspectos positivos são impressionantes, como a extrema degradação dos estoques de mísseis e drones iranianos, o enfraquecimento de seus apaniguados terroristas como o Hezbollah e o radical descolamento dos vizinhos árabes que mantinham a ilusão de se equilibrar entre o apoio americano e a abertura ao diálogo com os aiatolás.

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    Falta convencer a maioria dos americanos de que vale a pena ir à guerra por causa disso. Ter a vantagem do ponto de vista moral também conta, pois assim funciona a civilização ocidental – e é importante ter esta discussão. Se os Estados Unidos fossem atrás de todos os regimes virulentos e repressivos, que matam seu próprio povo quando os inconformados ousam protestar, não fariam outra coisa.

    As especificidades do caso iraniano justificam a guerra? Vale a pena refletir sobre isso, desde que com argumentos de boa-fé. Os de má-fé, como tantos que temos ouvido, merecem apenas desprezo.

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