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Em versos, Drummond para os íntimos

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Por Rodrigo Levino
Atualizado em 13 ago 2018, 22h10 - Publicado em 17 jul 2011, 17h56

 

O poeta Carlos Drummond de Andrade era conhecido entre seus pares pela afeição à memorabilia. Ao contrário da recomendação feita por ele mesmo em uma crônica nos anos 1960, de que cartas não deveriam ser guardadas, Drummond recolhia em casa correspondências, livros e recortes. Guardava de um tudo. Foi a partir desse mazaroio de coisas que o poeta Eucanaã Ferraz organizou Versos de Circunstância (Instituto Moreira Salles, 288 páginas, 55 reais), uma reunião de 295 poemas, 229 deles inéditos, tirados de três cadernos onde o autor da pequena cidade mineira de Itabira registrava as dedicatórias feitas em verso para familiares, amigos e leitores anônimos, desdizendo a recomendação do cronista.

O conjunto da obra é irregular, mas nem por isso sensabor. Nos poemas-dedicatórias, fulanos e sicranos desconhecidos do grande público se misturam a nomes expressivos como Otto Maria Carpeaux, Thiago de Mello e Lygia Fagundes Telles, em textos em que poesia e familiaridade se misturam. Ao colocar a sua criação a serviço da generosidade com que trata cada um a quem dedicava um poema, Drummond afiava o próprio verso, de palavras bem escolhidas e feitura aparentemente simples, mas de verdadeira riqueza lírica, e cativava velhos e novos admiradores.

Tal hábito o aproximava de uma declaração do pernambucano Manuel Bandeira, seu amigo, que se dizia poeta de desabafos e circunstâncias. Para Bandeira, aliás, Drummond dedica alguns versos de Viola de Bolso, livro publicado em 1955, entre a diversão e a reverência: “Querido Manuel, a minha / musa de pescoço fraco / a ver-te, mete a violinha / no saco”. Com a escritora cearense Rachel de Queiroz, também sua contemporânea, o poeta foi mais solene: “‘Cultiva o teu jardim’. Rachel o sabe, / mas, na Ilha Feliz, ela não deixa / de guardar em ternura quanto cabe / no coração, e ouvir a humana queixa”. Entre uma e outra dedicatória, se nota a versatilidade do seu estilo, ora pendendo para o picaresco ora para o terno.

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A opção do Instituto Moreira Salles de publicar a transcrição dos poemas ao lado das copias fac-símile dos cadernos onde eram anotados – e que carregam na capa uma etiqueta com o agora título do livro – ajuda a boa apreciação. A letra cursiva do autor de Alguma Poesia (1930) e Boitempo (1968), o cuidado com a métrica e as rimas que muitas vezes lembram chistes – a depender da proximidade com o destinatário – transformam a nova obra em algo que era caro ao poeta e que agora se percebe melhor: verter sentimento pródigo em palavras gentis e, no seu caso, de valor literário.

 

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