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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

O número que poderá derrotar Bolsonaro de uma vez por todas

Entenda

Por Matheus Leitão Atualizado em 10 Maio 2022, 12h53 - Publicado em 10 Maio 2022, 12h28

13? Não, não é o 13.

Se eu escrevesse 13 seria apenas uma provocação para com os eleitores da extrema-direita brasileira que “não lembram” do trabalho dos jornalistas durante o governo do ex-presidente, criticado inúmeras vezes.

Mas a extrema-direita não tem apreço pela liberdade de imprensa numa democracia, porque nem de democracia eles gostam. A vida deles se resume, em boa parte, na tentativa de justificar as atrocidades de ditaduras.

O número que poderá acabar de vez com Jair Bolsonaro é o do salário mínimo. Ou melhor, o tanto que ele encolheu durante o mandato do atual presidente do Brasil.

Bolsonaro será o primeiro presidente da República a terminar o “seus” 4 anos de governo com o salário mínimo valendo menos que no início do mandato. Ou seja, com menor poder de compra. Isso, se contarmos a partir de 1994, época em que foi lançado o Plano Real.

A informação faz parte do relatório semanal  da corretora Tullet Prebon, que produz análises periódicas sobre o país. Divulgada nesta segunda, 9, ganhou destaque em todos os órgãos de imprensa do Brasil.

O poder do salário cairá de R $1.213,84 para R $1.193,37.

O que fica claro é que o número pode e deve resumir o que foi o governo Jair Bolsonaro. Sabe-se hoje que o que define de fato uma eleição é o humor do eleitor em relação à economia e ao poder aquisitivo da sua suada remuneração.

Todo cientista político sabe disso. E o atual presidente será o que entregará a economia pior – com o salário mínimo mais desvalorizado do que quatro anos atrás.

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Uma parte do problema veio com a crise sanitária gerada pela pandemia. Sim, é verdade. Mas o pior foi o quanto Bolsonaro atacou, tripudiou, minou e pisoteou a democracia brasileira.

Foi no pós 7 de setembro do ano passado, quando o presidente resolveu elevar ao máximo grau de estresse com os outros poderes, que o dólar disparou de vez e a bolsa teve perdas substanciais. Depois, a inflação piorou bastante.

Mas antes – o tempo todo de seu mandato, aliás – Bolsonaro já havia encarnado o ditador sem apreço pelo Congresso Nacional, pelo Supremo Tribunal Federal e pela imprensa.

Deu no que deu. Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura.

O eleitor pode escolher.

O presidente deu um tiro no pé? Criou munição contra si mesmo? Fato é que Bolsonaro pode ter cavado a própria cova política justamente através de seus devaneios extremistas.

Agora, o que não falta é apelido para o seu governo, que não conseguiu, por exemplo, nem colocar a agenda de privatizações em curso.

“Bolsocaro” é um deles, outros… não repetirei.

O importante é que nada resumiria mais a atual gestão do que o professor Raimundo, personagem icônico de Chico Anysio da “Escolinha”, dizendo “e o salário, óóóó!” – olhando para as câmeras e com o sinal de pequeno usando os dedos.

Só faltaria – na nova versão – um Jair Bolsonaro ao fundo, o bastante para completar a cena com maestria.

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