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Matheus Leitão

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Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Carta ao treinador do Flamengo Filipe Luís

Entenda

Por Matheus Leitão 17 dez 2025, 07h27 • Atualizado em 17 dez 2025, 07h33
  • Querido amigo Filipe Luís,

    Desculpa te chamar de amigo, Filipe. Mas depois de tudo que já vivi com o Flamengo ao longo de mais de quatro décadas, contando também quando você vestiu o Manto como profissional, é assim que preciso te chamar.

    Você é um pouco mais novo do que eu. Naquele 1981, em que Zico, Júnior, Adílio, Andrade, Lico, Leandro, Raul Plasmann levantaram a taça de campeão do mundo, eu tinha quatro anos. Meu pai conta que, eufórico, eu corria pela sala. Mas não me lembro.

    Sabe, Filipe Luís, passei a vida na arquibancada do Maracanã. Aos dez anos, vi minha primeira final. Fui com meu pai, Marcelo Netto, e com meu irmão, Vladimir Netto, ver o Mengão ser tetra do brasileiro.

    Anos depois, escrevi sobre isso, quando ainda era colunista do G1. Escrevi de Lima, quando o Flamengo ganhou o Brasileiro e a Libertadores no mesmo fim de semana e eu estava lá naquele jogo épico te vendo entregar tudo. O título daquele texto foi: quero morar para sempre neste final de semana.

    Como não te chamar de amigo, Filipe?

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    Vim também ao Catar ver Flamengo e Liverpool. Você ainda era jogador. Você novamente jogou com garra e técnica. Batemos literalmente na trave. A gente fez um jogo gigante. Empatamos no tempo normal. Perdemos na prorrogação, num contra-ataque. Doeu.

    Mas eu já tinha aprendido, desde pequeno, que amar esse clube também é isso: perder sabendo que se esteve inteiro.

    Repito, desde que me entendo por gente, estive na arquibancada. Vi finais. Muitas. Estava arquibancada em 1992, quando parte dela caiu, de tão cheio que estava o estádio. O Maestro jogando um bolão. Mas ainda sofro por aqueles irmãos que morreram, assim como sofro pelos nossos 10. E vejo que você também sofre. Sua sensibilidade ao falar deles a cada título toca a Nação.

    Quero te dizer que somos do mesmo Ninho. Como não te chamar de amigo, Filipe? Sempre falo deles nas colunas, como você fala nas coletivas. Sabe o seu vôzinho flamenguista, que eu vi no mural feito pela torcida no Maraca — aliás, homenagem linda a vocês? Também tive o meu.

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    Estava nos Brasileiros também, de 2009, 2019, agora com o Ceará em 2025. Vi quatro das taças da Copa do Brasil sendo levantadas no estádio. Duas delas com você. Como não te chamar de amigo, Filipe? Sabe o tri do Pet? Estava lá. Vi títulos demais para contar numa coluna só.

    Vi também derrotas. Poucas, mas que ainda arranham, como a do Liverpool. Outras que prefiro nem nomear. Ganhei até uma poesia linda da minha mãe, Miriam Leitão, como consolo.

    E eu estou cansado. Cansado de cantar até não ter mais voz. Cansado de atravessar oceanos carregando o mesmo sonho. Cansado no corpo, na garganta, na alma. E estou feliz. Porque o cansaço também é sinal de que vivi tudo intensamente.

    Voltei a Lima. De novo, Lima. De novo atrás do gol. E agora estou no Catar com meu filho mais novo, Daniel. Ele já tem uma lista de presença em estádios respeitável: campeão da Copa do Brasil e do Brasileiro no Maracanã, tudo vendo você como jogador. Em uma dessas vitórias, minha filha Mariana também estava.

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    No dia seguinte à final da Libertadores deste ano, quando você se tornou o brasileiro a conquistar o título tanto como jogador quanto como treinador, logo no primeiro ano de carreira, minha goela estava inchada. Inchada a ponto de doer, de incomodar ao engolir. Não era doença. Era excesso.

    Tentei cantar tudo mais uma vez, como se ainda tivesse vinte, quinze anos. Se você soubesse o tanto que eu já cantei nas arquibancadas.

    Sabe a música que fala dos amores deixados? Eu deixei. Deixei gente, deixei cidades, deixei pedaços de mim para poder estar ali.

    Desta vez, deixo no Brasil o meu amor, Bianca Santana, que me acompanhou em Lima. Estou no Catar para realizar o sonho do menino que eu fui. Aqueles mais de casa ainda me chamam do apelido de criança: Teteu.

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    Ele, esse menino que vai aos jogos no Maraca desde os dez anos, sempre sonhou em ser bicampeão mundial.

    Me deixa viver isso com meu filho? Ou melhor, amigo: lute por esse título, esse sonho de todos nós, da nossa geração, como nunca no jogo desta quarta, 17.

    Aqui estou também com meu amigo Rodrigo Rangel, com quem já estive no Catar, em Lima por duas vezes, e nos Estados Unidos.

    É uma luta tentar ser aquele que canta mais alto para os outros não pararem de cantar.

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    No sábado, poucas horas antes da semifinal, fui ao Santuário São Judas Tadeu, em São Paulo. Comprei vela, comprei santinhos. Fiz promessa. Pedi pelo Flamengo.

    Eu vou cantar muito nesse jogo. Vou entregar tudo. Mas eu te peço que entregue tudo também.

    Chegou a hora de a gente ser campeão mundial? A história vai dizer. Mas que não falte garra, nem luta. O meu filho chama Daniel, mas o apelido dele para os que são de casa é DanDan.

    Meu desejo é que o Teteu e o Dandan se encontrem juntos neste sonho realizado, amigo Filipe, assim como a nação de mais de 45 milhões de brasileiros. Vai ser festa na favela. Mengão do povo, do asfalto e do nosso coração.

    Chegou a hora do seu povo, Flamengo, ter o mundo de novo.

    Um abraço, amigo Filipe,

    Matheus Leitão.

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