O peso da responsabilidade que recai sobre o presidente Lula é ainda maior agora que o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro pelos crimes contra o país e o povo brasileiro. Até agora, Lula é o único candidato do campo esquerdista que surge como viável para disputar e ganhar a presidência da República em 2026.
Se perder a eleição, Lula verá o país ser governado por aliados de Jair Bolsonaro, líder de um grupo que tentou abolir a democracia e as liberdades individuais no Brasil.
Despontam como candidatos desse campo os governadores Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior. Outros nomes que correm por fora também têm sido testados pela extrema direita, como Michele e Eduardo, esposa e filho de Jair Bolsonaro.
Além de tentar ganhar a próxima eleição, Lula tem agora uma outra responsabilidade, tão ou mais importante do que a vitória no próximo ano. Trata-se da obrigação de apresentar ao país seu sucessor político.
Por um lado, Lula e o PT calaram parte dos críticos quando transferiram o poder de forma pacífica a Michel Temer após perderem a votação que levou ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
Lula também se entregou à Justiça quando foi condenado, de modo injusto, em decorrência da atuação política e enviezada de Sergio Moro e seus colegas de Lava Jato.
Batalhou contra a condenação indevida pelos meios institucionais, tendo como advogado o hoje ministro do STF Cristiano Zanin.
Por outro lado, no entanto, o mesmo Lula e o PT sempre sufocaram todas as lideranças do partido e da esquerda que despontavam com possibilidades de, um dia, assumir a liderança da esquerda brasileira. Nunca deram chance para que surgisse um novo líder de peso no campo progressista. O vergonhoso mensalão não mudou as estruturas do partido.
Agora, como assentado pelo STF, a disputa em curso pode significar a continuidade ou não da democracia e dos valores que orientam a vida em um país civilizado. Pode custar caro ao Brasil, portanto, a inexistência de um novo líder com a força e a representatividade de Lula.
Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Gleisi Hoffmann e a própria Dilma Rousseff não representam nem exercem a mesma liderança que Lula tem. O país não tem um outro nome que seja viável para sucedê-lo como líder do chamado “campo democrático”.





