Tarcísio rejeita trocar secretário de Segurança, mas promete ‘providência’
Declaração vem após série de acusações de abuso policial no estado; último episódio foi de PM que arremessou homem de ponte na zona sul da capital
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira, 4, que não pretende demitir o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, mas prometeu tomar “providências” em relação a episódios de violência policial no estado.
As declarações vêm na esteira de uma série de casos envolvendo a atuação controversa de forças de segurança em São Paulo. O último episódio se deu nesta semana, quando um policial foi flagrado arremessando um homem de uma ponte na zona sul da capital.
“Não vou (demitir Derrite). Olha os índices (da segurança pública)“, disse Tarcísio a jornalistas nesta quarta-feira, 4. O governador cumpre agenda em Brasília, onde deverá participar de sessão na Câmara dos Deputados para outorga da Medalha do Mérito Legislativo. “O que aconteceu foi muito ruim. Vamos tomar providência”, afirmou Tarcísio sobre o episódio do rapaz jogado da ponte.
Na terça-feira, 3, Derrite divulgou um vídeo anunciando o afastamento dos policiais envolvidos na ação. O secretário classificou a abordagem dos agentes como “lamentável” e afirmou que a ação não tem “respaldo nenhum” nos procedimentos operacionais da Polícia Militar.
De acordo com a corporação, os agentes afirmam que dois homens não teriam parado após abordagem policial, o que deu início a uma perseguição por cerca de 2 quilômetros. O vídeo teria sido feito quando os policiais conseguem alcançá-los.
Índices
Conforme afirmou Tarcísio, o estado de São Paulo tem registrado queda em alguns índices de criminalidade — o balanço mais recente da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostra diminuição de roubos e furtos em setembro deste ano em comparação ao mesmo período de 2023.
Por outro lado, a letalidade policial tem aumentado. Levantamento de outubro do Instituto Sou da Paz, divulgado com base em balanços da própria pasta de Segurança, aponta que o número de mortes praticadas por policiais em serviço no estado teve alta de 78,5% entre janeiro e agosto de 2024 ante o mesmo período do ano anterior. O relatório também aponta que o índice vinha em queda constante desde 2020, mas que os números voltaram a crescer a partir de 2023 — primeiro ano da atual gestão.
Violência policial
Entre os episódios recentes que se tornaram alvos de críticas devido à atuação das polícias em São Paulo está a morte de um estudante de medicina. Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, foi morto com um tiro à queima-roupa disparado por um policial militar após uma suposta discussão em um hotel na zona sul da capital, no final de novembro.
Imagens de câmeras de segurança mostram que o PM segurou o braço do jovem, que tentou se soltar, enquanto outro policial o chutou. Na sequência, é possível ver que o PM dispara na direção do rapaz, que cai no chão. A SSP diz que o estudante golpeou a viatura, tentou fugir e, ao ser abordado, “investiu” contra os policiais e foi ferido. Tarcísio condenou a ação dos agentes e disse que abusos serão punidos.
No início de novembro, outro caso teve repercussão, quando uma operação policial terminou com a morte de uma criança de 4 anos na Baixada Santista. Ryan da Silva Andrade Santos brincava na calçada quando foi atingido por um disparo. Na ocasião, a SSP afirmou que a polícia fazia patrulhamento em uma área de tráfico de drogas na região quando foram atacados por um grupo de criminosos e, na sequência, houve a troca de tiros.