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Por José Benedito da Silva Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Bruno Caniato, Isabella Alonso Panho, Heitor Mazzoco, Pedro Jordão e Anna Satie. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Tarcísio diz que busca negociar tarifaço de Trump e irrita o clã Bolsonaro

'É preciso negociar. Narrativas não resolverão o problema', disse governador após se encontrar com representante dos EUA; Eduardo e Flávio Bolsonaro reagem

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 jul 2025, 17h14 • Atualizado em 11 jul 2025, 17h34
  • A posição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarada na tarde desta sexta-feira, 11, de tentar negociar soluções com os Estados Unidos para evitar prejuízos às empresas paulistas diante do tarifaço de 50% nas exportações brasileiras para os EUA pelo presidente americano Donald Trump, provocou desconforto e irritação no clã Bolsonaro.

    Tarcísio usou as redes sociais para falar sobre suas tentativas de negociação. “Acabo de me reunir com Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, em Brasília. Conversamos sobre as consequências da tarifa para a indústria e o agro brasileiro e também o reflexo disso para as empresas americanas. Vamos abrir diálogo com as empresas paulistas, lastreado em dados e argumentos consolidados, para buscar soluções efetivas. É preciso negociar. Narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa“, disse. Como os EUA não têm embaixador no Brasil, Escobar é o principal representante diplomático americano no país.

    Sem citar o governador de São Paulo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) comentou. “Qualquer tentativa de acordo sem um primeiro passo do regime (sic) em direção a uma democracia será interpretado como mais um acordo caracu (sic), pois isso já foi exaustivamente tentado no passado — e os americanos também já conhecem essas histórias”, escreveu o parlamentar na rede social X apenas uma hora após Tarcísio ter se posicionado.

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    Eduardo está nos EUA há meses e tem feito encontros e conversas com autoridades americanas, objetivando convencê-las de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é um tirano que precisa ser destituído do cargo e punido com sanções econômicas. No entanto, as articulações levaram Trump a sancionar todo o país. A situação deu um novo discurso à esquerda, que agora responsabiliza os Bolsonaro pelo tarifaço contra o Brasil.

    Ainda assim, Eduardo insiste que a medida é contra Moraes, chamando a nova taxa, inclusive, pelo nome do ministro. Ele também defende o tarifaço e elogia a posição de Trump. “O único fato em favor da liberdade nos últimos anos foi a ação forte de Donald Trump. Antes disso foi só censura, prisões e regulamentação das redes sociais — e acordos caracu (sic). Não mais. Lamento, mas não dá para pedir ao presidente Trump — e nenhuma autoridade internacional minimamente decente — para tratar uma ditadura como se fosse uma democracia. Ou há uma anistia ampla, geral e irrestrita para começar ou bem vindos à ‘Brazuela'”, escreveu.

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    Para Eduardo Bolsonaro, uma negociação para retirada da tarifa de 50%, independentemente dos prejuízos que ela pode causar ao Brasil, neste momento representaria uma grande derrota para a extrema-direita brasileira. “Retirar a Tarifa-Moraes agora significa: [ficar] sem oposição na eleição de 2026; [ter a] esquerda eternamente no poder, pois a eleição de 2026 será mais ditatorial (sic) do que a de 2022 (e sem sequer aparecer nas urnas); Jair Bolsonaro preso até morrer; Moraes voltando, como sempre, dobrando a perseguição; redes sociais com mais censura do que a China; velhinhas presas seguindo o rito ‘sui generis’ de progressão de regime igual ao do deputado Daniel Silveira”.

    Mais uma hora depois, o parlamentar brasileiro voltou a falar no assunto, demonstrando incômodo com a postura de Tarcísio: “Quem está no controle é o Donald Trump. Podem ir lá negociar com ele. Boa sorte. Jamais vi Trump fazer um acordo ‘caracu'”, disse.

    Flávio Bolsonaro

    Em entrevista à Globonews, ao ser questionado sobre por que Tarcísio havia se encontrado com o encarregado de negócios dos EUA, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também mostrou desconforto. “Tem que perguntar para ele. Não sei o que ele foi fazer lá”, afirmou.

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    Indagado sobre se poderia haver sucesso em uma negociação que não fosse condicionada à concessão de anistia a Bolsonaro, ele mostrou descrédito. “Não sei se vai resolver, acredito que, nessa linha, tem pouca chance de resolver”, afirmou. Ele também afirmou que o governador de São Paulo pode “estar desatualizado” sobre o que se passa na cabeça de Trump.

    Oposição

    Desde que Trump anunciou a tarifa de 50%, fotos do governador Tarcísio de Freitas usando o típico chapéu do eleitor trumpista, com a frase Make America Great Again (Faça a América grande novamente) viralizaram nas redes sociais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros representantes da esquerda apontam-no como um dos responsáveis pela situação prejudicial ao país.

    Tarcísio é cotado para ser o candidato da direita e da centro-direita à Presidência da República, já que o ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível.

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