O ‘milagre’ de Kassab para ter 3 presidenciáveis e seguir no governo Lula
Presidente do PSD é considerado um dos maiores estrategistas da política nacional atualmente
O secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, um dos principais caciques partidários atuais, tem conseguido, praticamente, realizar um milagre na política brasileira nos últimos meses ao manter sua legenda com boas posições em times rivais e garantir um posto de destaque e estratégico para a sigla.
O ex-ministro vem repetindo que tem dois pré-candidatos à Presidência da República para 2026 em seu partido — os governadores do Paraná, Ratinho Junior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Além disso, ele também dá sinais de apoio a um terceiro nome, o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre quem diz que, caso ele seja candidato ao Planalto, o PSD pode até rever a estratégia de ter candidatura própria.
“Vamos aguarda a manifestação do Tarcísio [sobre ser candidato oficialmente ou não]. Todos sabem da minha proximidade com ele. Tenho ele como a liderança maior em relação a mim no presente momento”, comentou Kassab na segunda ao ser questionado sobre seu apoio. Até a decisão, Kassab mantém as pré-candidaturas de Leite e Ratinho.
Apesar de estar se posicionando cada vez mais à direita, na oposição ao governo Lula, o cacique consegue manter situações muito confortáveis para sua sigla dentro do governo e em vários estados. É o caso, por exemplo, da Bahia, onde o PT possui um forte acordo com o PSD, representado, principalmente, na figura do senador Otto Alencar (PSD-BA). Quadro semelhante ocorre no Amazonas e em Minas Gerais, onde os principais nomes de Lula para disputar os governos estaduais em 2026 são do PSD: Omar Aziz (PSD-AM) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente.
Em Pernambuco, mesmo com a aliança do PT e PSB, representado na figura de João Campos, o presidente Lula não corta relações com a governadora Raquel Lyra (PSD) e nem se coloca como oposição a ela, mas faz questão de elogiá-la sempre que possível — impondo um clima de tensão dentro da sua principal aliança.
Além dos estados, Kassab ainda tem mantido postos de comando na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ao todo, três ministérios são comandados pelo PSD: Minas e Energia (Alexandre Silveira); Agricultura (Carlos Fávaro); e Pesca (André de Paula).
Mesmo afirmando que será oposição e que estará ao lado dos principais adversários de Lula no próximo ano, Kassab tem conseguido manter sua influência e o poder do PSD na gestão federal. Resta saber se tudo isso terá ou não um custo político lá na frente e até quando ele conseguirá manter o pé em duas canoas.





