Marçal perdeu a eleição, mas continua na mira da Justiça Eleitoral
Ex-coach ficou fora do segundo turno acumulando polêmicas, atritos e enroscos judiciais por causa do tom da sua campanha

A derrota do ex-coach Pablo Marçal (PRTB) nas urnas neste domingo, 6, deixou ele fora do segundo turno, mas não livra o ex-candidato de continuar respondendo aos enroscos que ele ainda tem na Justiça Eleitoral. Sua campanha foi marcada por um intenso disparo de ofensas aos adversários e estratégias de comunicação duvidosas, que apesar de terem angariado 1,7 milhão de votos para o influenciador, ainda podem lhe custar caro.
A Justiça Eleitoral tem punições que podem ser voltadas tanto para a candidatura (como a cassação da chapa, a restrição de alguns atos ou a imposição de multas) quanto para o candidato, que pode perder o direito de continuar elegível em votações seguintes. O fato de Marçal ter sido derrotado diminui o rol de punições que ainda podem ser aplicadas, mas não o isenta de responder pelos seus atos.
O ponto mais crítico foi a divulgação, no sábado, 5, véspera das urnas, de um laudo médico falso dizendo que seu adversário, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) teria sido internado por causa de um surto psicótico. Os números dos documentos do psolista estão errados no laudo, e o médico que supostamente o assina já morreu. A Polícia Civil de São Paulo confirmou que o documento não é idôneo.
A campanha do psolista entrou com uma representação criminal na Justiça Eleitoral, pedindo que Marçal seja punido pelo episódio. Se ele for condenado por crime eleitoral, pode ficar inelegível por oito anos (o que não exclui a possibilidade de ele também ser responsabilizado na Justiça Comum), minando o sonho do ex-coach de se candidatar em 2026. O plano de disputar o Planalto, segundo entrevista concedida por ele na noite do domingo após a derrota, continua em pé, mas pode ir por água abaixo.
Mesmo o episódio da cadeirada, em que Marçal apanhou do apresentador José Luiz Datena (PSDB), também lhe rendeu problemas na Justiça. Os dois movem, um contra o outro, pedidos de indenização por dano moral que chegam à casa dos seis dígitos. O tucano alega que a agressão foi provocada pelo ex-coach, que o acusou várias vezes durante o debate de ser um “jack” (gíria usada em presídios para se referir a estupradores).
Além disso, há outro enrosco no começo da campanha. O PSB de Tabata Amaral move contra o ex-coach uma ação de investigação judicial eleitoral — mesmo tipo de processo que deixou Jair Bolsonaro inelegível — por causa da suposta existência de uma rede de apoiadores pagos para fazer “cortes” dos vídeos de Marçal e promovê-los nas redes sociais, ampliando o alcance dos conteúdos do influenciador sem implicá-lo diretamente. Foi nesse processo que o ex-coach perdeu, pela primeira vez, suas redes sociais.