O advogado Gustavo Guedes, que atuou para a campanha do empresário e ex-coach Pablo Marçal (PRTB) à prefeitura de São Paulo, condenou neste sábado, 5, a fake news lançada pelo candidato contra o seu adversário Guilherme Boulos (PSOL) às vésperas da eleição.
Marçal divulgou um suposto laudo toxicológico de Boulos que aponta positivo para o uso de cocaína em 2021. O documento, no entanto, tem vários problemas que colocam em xeque a sua autenticidade: o RG de Boulos está errado, o médico que assina o suposto laudo, José Roberto de Souza, já faleceu e seu CRM está inativo desde 2022. Além disso, o dono da clínica que emitiu o laudo, Luiz Teixeira da Silva Júnior, é apoiador de Marçal. Para completar, Boulos divulgou posts da época mostrando que ele estava ativo participando de atividades sociais e não internado em uma clínica, como tenta fazer parecer o suposto documento médico.
Na sexta-feira, 4, após reagir à publicação de Marçal, Boulos anunciou que irá pedir a prisão de Marçal. O advogado Gustavo Guedes disse que não acredita que o ex-coach possa ser preso, porque a lei eleitoral proíbe a prisão de candidatos quinze dias antes das eleições – a proibição está em vigor desde 21 de setembro. “Não acho que esse caso, apesar de grave, dessa divulgação do suposto laudo toxicológico de Guilherme Boulos, poderia justificar essa prisão em flagrante até porque há essas dúvidas sobre assinatura, médico morto, RG e etc e é preciso que se crie um contraditório”, disse em post divulgado nas suas redes sociais.
Gustavo Guedes, no entanto, condenou firmemente o episódio. “Democracia é uma coisa séria. Hoje é uma fake news, se assim se comprovar, contra o candidato da esquerda; amanhã vai ser contra o candidato da direita”, disse. “E falo isso com a legitimidade de quem advogou para o Pablo Marçal por um mês na pré-campanha”, completou.
Segundo ele, “não se pode tolerar esse tipo de criação de fake news ás vésperas das eleições”. Espero que a Justiça Eleitoral de são Paulo, tão logo provocada, aja com muita firmeza, indefira registro, casse candidatura e o deixe inelegível, se de fato se constatar (o crime), porque a democracia não pode aceitar esse tipo de brincadeira às vésperas das eleições”, afirmou.