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Letra de Médico Por Cilene Pereira Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Será que vou conseguir ter filhos?

A dúvida tem acometido não só mulheres mais velhas, mas meninas muito jovens também. Conheça aqui os sinais da fertilidade

Por Marianne Pinotti Atualizado em 15 dez 2016, 15h45 - Publicado em 15 dez 2016, 15h15

Recentemente, uma paciente muito querida, de quem cuido desde os 15 anos e que hoje tem 32, agendou uma consulta para me perguntar se deveria congelar seus óvulos. Após uma longa conversa, chegamos juntas à conclusão de que seria uma medida excessiva, já que ela e seu esposo são saudáveis, sem nenhuma história pregressa que pudesse preocupar. Solicitei então um check-up para ambos que querem aguardar mais um ano antes de tentar engravidar. Conto o fato pois tem sido uma constante no meu dia a dia essa preocupação de mulheres em idade fértil.

As estatísticas mundiais demonstram que 10-15% dos casais são inférteis, porcentual que varia não apenas geograficamente, mas de acordo com vários outros fatores, entre eles a atividade profissional das mulheres, que hoje em dia adiam o projeto de ter filhos para mais tarde.

Os principais fatores que causam as dificuldades em ter filhos se dividem em: problemas com a ovulação (hormonais), como a síndrome dos ovários policísticos; fatores tubo-ovarianos que impedem o funcionamento pleno das trompas, cuja causa mais comum são as infecções pélvicas e a endometriose. No primeiro caso, fatores imunológicos e de coagulação — uma área bastante nova e controversa; fator masculino e a esterilidade sem causa aparente, quando os exames são todos normais mas a gravidez não acontece. Outros aspectos que devemos considerar são a idade, principalmente a feminina; uso de lubrificantes e duchas vaginais. No segundo caso, é que podem interferir na sobrevida dos espermatozoides; excesso de peso ou índice de massa corpórea abaixo do normal; excesso de exercícios físicos; uso frequente de fumo, álcool, maconha ou outras drogas; medicamentos como antidepressivos, antieméticos e fatores ambientais e de irradiação.

Como se trata de uma questão de saúde multifatorial, existe uma razoável complexidade envolvida desde o diagnóstico das causas até seus tratamentos, e na grande maioria das vezes as chances de sucesso são grandes. A avaliação inicial é simples e já descarta várias dessas causas: nas mulheres, devemos checar a periodicidade menstrual, os hormônios relacionados à ovulação, a anatomia uterina e a permeabilidade das trompas; para os homens, um simples espermograma é suficiente.
Os tratamentos disponíveis vão desde uma simples orientação sobre o período fértil até os mais complexos métodos de fertilização assistida (bebê de proveta), que, apesar de muito eficientes, não são indicados em muitos casos. Cito aqui todas as alterações imunológicas e de coagulação que não são corrigidas e dificultam ou impedem o sucesso de um processo de fertilização in vitro.

Não obstante o diagnóstico e o tratamento da esterilidade constituírem uma subespecialidade da ginecologia, são poucos os serviços públicos que atendem casais estéreis de forma eficiente. Existe um certo preconceito com o tema por diversas razões. De um lado, existe ainda a convicção entre os responsáveis pela política de saúde (pública ou privada) de que a esterilidade não constitui um problema de saúde pública, pois ninguém morre por não ter filhos e isso não exerce, portanto, nenhuma influência sobre os indicadores da saúde tradicionais. De outro lado, prevalece o conceito distorcido de que já exibimos um índice de natalidade bastante alto e não é necessário aumentá-lo.

Tudo isso deixa muitos casais “abandonados” e sem opção, já que os tratamentos são caros, não cobertos por convênios e o sistema público de saúde não oferece acolhimento e resolutividade nessa área.

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Por último, é importante lembrar que a esterilidade comporta medidas preventivas, que incluem hábitos de vida saudáveis, boa alimentação e exercícios físicos, manutenção do índice de massa corpórea dentro da normalidade, atenção no uso de medicamentos, cuidados com a saúde sexual já que várias DSTs são causa de esterilidade e, por fim, atenção com a idade, principalmente no caso das mulheres, pois temos um limite de fertilidade. Assim, os jovens casais poderão planejar sua família com tranquilidade e, se aparecerem problemas, eles serão mais facilmente solucionados.

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Heitor Feitosa/VEJA.com

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