Produtos para engravidar exploram vulnerabilidade de casais tentantes
Suplementos e vitaminas devem ser prescritos por médico especialista, mas tecnologias de reprodução assistida podem ser necessárias
No contexto em que 1 em cada 6 casais têm dificuldade para engravidar ou levar uma gravidez a termo, segundo a Organização Mundial da Saúde, surge um mercado perigoso: o de produtos de venda livre dedicados a ‘curar’ a infertilidade.
Suplementos alimentares e vitaminas são vendidos com alegações não comprovadas de cura, tratamento, mitigação ou prevenção da infertilidade e outros problemas de saúde reprodutiva.
Isso é perigoso. A infertilidade é um problema complexo que requer o diagnóstico de um médico especialista para identificar a causa.
Apenas ingerir suplemento pode representar um risco: de perda de tempo (e tempo é óvulo); de gastos desnecessários; e de perigo para a saúde, uma vez que vitaminas em excesso também podem fazer mal.
Alegações de que um produto previne, trata ou cura infertilidade o caracterizam como um novo medicamento e, portanto, deve ser aprovado pela ANVISA antes de ser comercializado com segurança.
Suplementos alimentares com tais alegações podem dissuadir pacientes de buscarem atendimento médico especializado e medicamentos eficazes e aprovados pela agência.
Sempre que um casal tiver dificuldades para engravidar, a primeira coisa a fazer é sempre consultar um médico especialista.
Uma das melhores maneiras de se proteger de tratamentos falsos é questionar se uma alegação parece boa demais para ser verdade ou se contradiz o que você ouviu de fontes confiáveis sobre o tratamento da infertilidade.
A infertilidade pode ser causada por diversos fatores e afetar tanto homens quanto mulheres. De maneira geral, nas mulheres, a principal causa de infertilidade é a idade, pois, devido ao processo de envelhecimento, há uma diminuição natural da quantidade e qualidade dos óvulos.
Já nos homens, a infertilidade está relacionada principalmente a condições como varicocele, que é a dilatação das veias dos testículos, infecções urogenitais e hipogonadismo, ou seja, quando os testículos não produzem quantidades adequadas de testosterona.
Como são inúmeras as possíveis causas, o médico fará uma extensa investigação para iniciar o tratamento. O médico pode prescrever, por exemplo, medicamentos como as gonadotrofinas (hormônios injetáveis) para ajudar na fertilidade. Em alguns casos, medicamentos também são usados para aumentar a produção dos espermatozoides.
Existem casos com indicação cirúrgica. E, em muitos casos, os tratamentos de reprodução assistida são a solução.
Uma das possibilidades é a Inseminação Intrauterina, na qual o esperma é colocado diretamente no útero usando um tubo de plástico fino. O procedimento é programado para coincidir com a ovulação.
Já na Fertilização In Vitro (FIV), o óvulo da mulher é fertilizado com o espermatozoide fora do corpo. O embrião é então transferido de volta ao útero. A taxa de sucesso da FIV é de cerca de 60% para cada ciclo de tratamento entre mulheres com menos de 35 anos.
De qualquer forma, quanto antes um médico for consultado, maiores as chances de tratar o problema e – finalmente – engravidar.
*Rodrigo Rosa é ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana, e membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana





