Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Letra de Médico

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Parada cardíaca: maioria dos brasileiros não sabe como agir na emergência

Pesquisa mostra que 44% não sabem acionar SAMU nem fazer RCP — manobra que, aplicada nos primeiros 5 minutos, pode garantir até 70% de sobrevivência

Por Pedro Duccini e Agnaldo Piscopo
9 dez 2025, 09h20 • Atualizado em 9 dez 2025, 09h21
  • Uma pesquisa da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) evidenciou que, após uma parada cardiorrespiratória, a chance que a vítima tem de se salvar será reduzida a zero por um detalhe: 44% dos entrevistados não sabiam o telefone do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), o 192, ligação gratuita feita de qualquer dispositivo.

    De acordo com o levantamento, 14% não têm ideia de para onde ligar e 30% tentariam o número errado. A pesquisa ouviu 1.765 entrevistados, sendo 56,6% mulheres e 43,4% homens, nas cidades de Araçatuba, Araras, Bauru, Marília, Presidente Prudente, Santos, São José do Rio Preto, Vale do Paraíba e na capital paulista.

    A American Heart Association (AHA) determinou outubro como o mês da ressuscitação cardiopulmonar (RCP). A RCP são compressões feitas com as mãos no tórax de quem sofreu a parada, com o objetivo de manter a circulação sanguínea e a oxigenação dos órgãos. Pessoas devidamente habilitadas podem realizar as manobras enquanto o socorro não vem. Em um país como o Brasil, onde ocorrem 720 desses eventos cardiorrespiratórios por dia – e menos de 2% chegam com vida aos hospitais – quanto mais treinados atuantes, menos mortalidade.

    Credenciada pela AHA para ministrar cursos de Suporte Básico de Vida (BLS) e Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS) no Brasil, a SOCESP reitera a necessidade de cada vez mais voluntários que reconheçam os sintomas e estejam aptos a agir. A maioria da população — incluindo crianças — pode aprender RCP que, quando realizada em até cinco minutos após o mal súbito, permite uma taxa de sobrevida entre 50% e 70%. Em contrapartida, a cada minuto sem atendimento, a vítima perde de 7% a 10% da chance de permanecer viva.

    Em 2023, a SOCESP realizou mutirão em Araras (SP) com cerca de quatro mil crianças e adolescentes. O grupo treinou em bonecos reciclados, feitos de forma artesanal pelos próprios estudantes com suporte da entidade. Araras é a primeira cidade paulista com legislação específica para o ensino de RCP em escolas públicas e particulares.

    Continua após a publicidade

    Cidade modelo

    Em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, o Projeto de reanimação cardiopulmonar Cor+Ação quer tornar a cidade um modelo na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares (DCVs) e paradas cardíacas. Criado pela ONG Salva Coração – em parceria com a prefeitura municipal e apoio da SOCESP –, tem como objetivo capacitar um grande número de pessoas em diversos setores.

    As manobras de ressuscitação já foram ministradas para servidores municipais e demais colaboradores do serviço público; preparadores físicos e professores de escolas municipais; funcionários de parques, shoppings e motoristas de aplicativos, além da população civil através das ações sociais. Ao todo, são mais de 11 mil pessoas treinadas na cidade. Além disso, em 2023, uma Lei Municipal incluiu a obrigatoriedade do ensino de primeiros socorros na grade curricular das escolas, tornando São José o segundo município neste quesito.

    Continua após a publicidade

    A cidade já conta também com todo o efetivo da Guarda Municipal e da Mobilidade Urbana treinados para emergência cardiopulmonar e portando desfibriladores em suas viaturas. O Desfibrilador Externo Automático (DEA) é o equipamento usado para tratar arritmias cardíacas potencialmente fatais. Funciona por meio da aplicação de uma descarga elétrica controlada no coração, visando restaurar o ritmo cardíaco normal.

    As ações em São José dos Campos já renderam dividendos: antes do projeto, 8% das vítimas pós-evento cardiorrespiratório ingressavam com vida aos hospitais, o que já era bem acima da média nacional, que é de 2%. Atualmente, 28% dos infartados sobrevivem até receberem atendimento formal.

    O sucesso do Cor+Ação está motivando outros municípios a adotarem as mesmas práticas. É o caso de São José do Rio Preto e de Araras, citados acima. A SOCESP, por sua vez, está disseminando os bons resultados em suas regionais e pretende apresentar projeto similar à Prefeitura de São Paulo.

    Continua após a publicidade

    “Seattle brasileira”

    Apesar dos números promissores, São José dos Campos quer ir adiante e, para isso, se espelha em Seattle, cidade norte-americana reconhecida como líder nacional em sobrevivência a paradas cardíacas fora do hospital: dados recentes apontam que a taxa chega a 62%, enquanto a média nos Estados Unidos fica entre 8% e 10%. Os altos índices refletem anos de investimento em programas comunitários de RCP, acesso público a desfibrilador e o sistema de resposta precoce a emergências.

    O exemplo de Seattle mostra que o caminho para diminuir fatalidades cardíacas passa obrigatoriamente pelas manobras de ressuscitação e pela proatividade de atendimento. Ter alguém pronto a fazer o procedimento ou mesmo chamar socorro médico tende a fazer a diferença entre viver e morrer. Por isso, investir em conscientização e treinamento é a condição para o aumento exponencial deste “exército do bem”. E isso deve ser tão sério quanto emocionante: manter o coração de um semelhante pulsando pode estar, literalmente, em nossas mãos.

    Pedro Duccini é cardiologista e assessor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP). Agnaldo Piscopo é cardiologista e diretor da SOCESP.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).