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Letra de Médico

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Ops! Como prevenir escapes de urina

No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, mais de 10 milhões de pessoas sofrem com o distúrbio

Por Marcelo Bendhack 21 mar 2022, 16h36
Ops! Como prevenir escapes de urina Priorizar nos meus resultados Google

Yuval Noah Harari, docente do Departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, filósofo e autor de vários best-sellers, como Sapiens: Uma Breve História da HumanidadeHomo Deus: Uma Breve História do Amanhã e 21 Lições para o Século 21, já disse que “a morte já é opcional”. Mas nem tão opcional assim é viver em condições plenas e com qualidade.

No Brasil e no mundo, o envelhecimento acontece em um processo cada vez mais acelerado. O IBGE estima que, a partir de 2039, haverá no país mais pessoas idosas do que crianças. Para 2060, calcula-se que um em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos. Em média, a expectativa de vida dos brasileiros é de 76 anos. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde identificaram que sete em cada dez pessoas com mais de 50 anos têm alguma doença crônica no país. Até 2050, vamos atingir a marca de mais de 1,5 bilhão de pessoas acima dos 65 anos no mundo.

A longevidade requer preparo, cuidados, atenção básica à saúde e, principalmente, mudança de mentalidade nas nossas atitudes cotidianas. Incluir a prática de atividades físicas, buscar uma alimentação saudável, controlar o peso e, claro, prevenir e cuidar das doenças crônicas e ter acesso aos sistemas e centros de saúde. Hoje, com os avanços da ciência e da medicina, quanto antes detectarmos doenças, síndromes e distúrbios, melhores serão as condições de tratamento e, possivelmente, com menos efeitos colaterais.

No futuro, a morte poderá, sim, ser realmente opcional. Enquanto isso, precisamos de bem-estar físico e qualidade de vida por mais tempo possível. Agora, opcional é cuidar bem da nossa saúde, evitar ao máximo o estresse e evitar que fatores externos nos afetem emocional, psicológica e socialmente.

Há condições físicas e de saúde que são praticamente inerentes à idade. Sabemos que existem fatores genéticos e epigenéticos que, às vezes, não podemos controlar. Mas algumas alterações em nosso corpo acontecem pelo próprio efeito do envelhecimento.

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Uma dessas condições frequentes em consultórios de urologistas e geriatras é a incontinência urinária, perda de urina de forma involuntária pela uretra. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, mais de 10 milhões de pessoas, entre homens e mulheres de diferentes faixas etárias, sofrem com esse distúrbio. Claro que pode afetar também pessoas jovens, mas a maior incidência ocorre a partir dos 65 anos de idade, em 20% das mulheres e em 10% dos homens.

Como sempre, a prevenção é ainda a melhor opção e não foge à regra quando falamos de incontinência urinária. É aconselhável a prática cotidiana de exercícios e, especificamente, exercícios no assoalho pélvico — contraindo e soltando rapidamente os músculos do assoalho pélvico —, perder peso, ter uma alimentação balanceada adequada, reduzir a cafeína, beber bastante água, não segurar a urina por tempo prolongado, manter a higiene íntima correta, não fumar e reduzir o consumo de álcool.

Envelhecimento, estilo de vida, obesidade, tabagismo, alimentação inadequada são alguns dos fatores relacionados à incontinência urinária. É uma condição que afeta não só o bem-estar físico, mas a qualidade de vida (sobretudo nos idosos) e tem reflexos emocionais, psicológicos e sociais em praticamente todos os pacientes.

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Para os homens, outros dois fatores podem ser acrescidos: o aumento da próstata (hiperplasia prostática benigna), que pode causar incômodos na bexiga, aumentando a vontade de urinar com mais frequência, e o câncer de próstata, que, dependendo do tipo de tratamento, pode ter como efeito colateral a incontinência urinária.

 De modo geral, a incontinência urinária pode ser temporária, causada por substâncias que aumentam a quantidade da urina na bexiga, ou por algum problema de saúde passageiro. Pode ser persistente, quando provocada por condições físicas e até neurológicas, como mal de Parkinson, tumor cerebral, acidente vascular cerebral, lesão na coluna vertebral – neste caso, pode ocasionar a incontinência urinária duradoura.

Sim, tendo a concordar com o professor e historiador Yuval Noah Harari: “A morte já é opcional”. Mas ainda não é para todos. Agora, opcional é ter políticas públicas que pensem em todos, que permitam condições plenas de acesso e cuidados com a saúde e que incentivem melhor qualidade de vida.

Letra de Médico - Marcelo Bendhack
(./Divulgação)
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