Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Letra de Médico

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Guerra contra a ciência: O risco global da nova política vacinal dos EUA

Decisão do governo americano de retirar seis imunizantes essenciais do calendário vacinal oficial é um enorme retrocesso

Por Alberto Chebabo*
23 jan 2026, 10h00 •
  • A saúde pública mundial acaba de sofrer um forte ataque com a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar seis imunizantes essenciais do calendário infantil oficial: influenza, hepatites A e B, meningococo, rotavírus e vírus sincicial respiratório (VSR), um retrocesso sem precedentes que ultrapassa fronteiras e desafia décadas de evidências científicas. Apesar da decisão, ressalto que a Academia Americana de Pediatria (AAP) manteve a recomendação dessas vacinas, o que traz esperança para a comunidade médica.

    A meu ver, ao substituir a recomendação pelo modelo de “decisão clínica compartilhada”, o Estado americano abdica de seu papel de guia e transfere o peso de uma estratégia de saúde pública e coletiva para a esfera individual. O impacto dessa escolha não é apenas administrativo, é um convite ao retorno de doenças que considerávamos controladas.

    A lógica da vacinação é baseada na imunidade coletiva. Quando o Estado retira o respaldo institucional de uma vacina, ele sinaliza que ela é “opcional”, o que invariavelmente leva à queda da cobertura vacinal.

    Aqui trago um ponto baseado em estatísticas: o mundo assistiu, entre 2024 e 2025, a um ressurgimento alarmante do sarampo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos globais saltaram mais de 20% em 2024 por causa de falhas na cobertura.

    Como médico, vejo com preocupação o impacto dessa decisão. Apesar de o Brasil ser uma referência mundial com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), também estamos expostos às tendências globais, e a mudança nos EUA atua como combustível para o movimento antivacina globalmente, legitimando discursos negacionistas e fake news.

    Continua após a publicidade

    Contudo, destaco alguns avanços recentes em imunização no nosso país e que não podem ser perdidos: o Ministério da Saúde conseguiu incorporar a vacina/anticorpo contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) ao PNI, visando reduzir as internações por bronquiolite, que superlotam nossas UTIs pediátricas todos os anos. E o Brasil, em 2024, alcançou a meta de segurança nacional contra o sarampo e a poliomielite, com 95,80% de cobertura para a primeira dose da tríplice viral e 80,43% para a segunda.

    Ver o país que lidera as inovações em saúde retroceder nessa pauta é um desestímulo à nossa própria soberania sanitária.

    A saúde coletiva não pode ser tratada como uma escolha de prateleira em um consultório. Doenças como a meningite meningocócica, que pode ser fatal em poucas horas, não dão tempo para “debates compartilhados” quando o surto se instala.

    Continua após a publicidade

    O Brasil deve reafirmar seu compromisso com a ciência e defender que a vacina continue sendo um direito de todos e um dever do Estado. A proteção das nossas crianças é um pacto geracional que não admite retrocesso.

    *Alberto Chebabo é infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia 

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).