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Letra de Médico

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‘Duopausa’: quando o corpo, o amor e o sexo entram em transição

Quando a meia-idade chega ao casal, mudanças fisiológicas podem gerar uma dança descompassada entre homem e mulher. Entendê-las evitará dissabores

Por Clayton Macedo* 26 Maio 2025, 07h30 • Atualizado em 27 Maio 2025, 10h35
  • Ele não entende por que ela não tem mais vontade. Ela não entende por que ele perdeu o ritmo. Ambos culpam o trabalho, os filhos, o cansaço, o streaming, o cachorro.

    Mas a verdade – mais hormonal e metabólica do que romântica – é que o casal entrou naquilo que vou chamar de “duopausa”. É minha tradução livre de termos em inglês agora em evidência como “couplepause” e “dualpause”.

    Isso mesmo: não é só ela que sente calores, insônia e uma certa vontade de trancar o marido no armário. Nem só ele que sente que o motor da juventude deu uma engasgada. Falo sobre ambos.

    Escutei esses termos agora, no Congresso Europeu de Menopausa, em Valência, na Espanha, ditos por uma das introdutoras do conceito, a ginecologista italiana Rossella Nappi, presidente da Sociedade Mundial de Menopausa.

    A duopausa – neologismo que deveria ser incluído nas letras pequenas dos votos de casamento – é essa dança descompassada que acontece quando os dois parceiros chegam perto da meia-idade. Não necessariamente no mesmo tempo, cada um com suas flutuações, mas ambos afetados.

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    É uma metamorfose a dois — só que, ao contrário da bela borboleta, muitas vezes acaba em “tô com sono, com dor de cabeça, cansado(a)”… E a vida começa a dividir o que ela mesma uniu.

    Tratamos a mulher com seus calorões indescritíveis e insuportáveis, e o homem com suas falhas eréteis, como se fossem fenômenos isolados. Mas não são. O que falta em um, pode sobrar no silêncio do outro. Um reflete o outro. O que não se resolve na cama, transborda no café da manhã.

    É aí que os profissionais da saúde entram — ou deveriam entrar — com mais escuta e menos receita pronta.

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    Porque não há reposição hormonal que resolva falta de entendimento e conversa franca. Já fica logo aqui a informação de que, na quase totalidade das vezes, a testosterona não tem nada a ver com essa história.

    Na mulher, o estrogênio sim cai abruptamente, devendo ser prescrito – se houver indicação e não existir contraindicação.

    O desafio clínico da duopausa não está apenas em prescrever, mas em perceber. Porque o paciente, agora, é o par. E o tratamento precisa ser conjugado nos tempos certos, não no protocolo automático (muito menos com implantes hormonais manipulados e “chips da beleza”).

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    Ignorar a duopausa é desperdiçar a chance de cuidar melhor — com mais empatia, menos pudor, mais casal e menos culpa. É hora de colocar o assunto nas consultas, nas salas de espera e nos congressos médicos com o mesmo entusiasmo com que se discute política, futebol, peso e colesterol.

    Porque amor e sexo não têm só a ver com hormônios; têm a ver com vínculo, afeto, dignidade e saúde. A duopausa é muito longe do fim da linha. É só uma estação em que o trem precisa de ajuste no trilho e, quem sabe, uma cama melhor na cabine.

    E, se os profissionais da saúde quiserem realmente ajudar, devem trocar a pergunta “O que está acontecendo com você?” por “O que está acontecendo com vocês?”. O plural, nesse caso, é o melhor para uma abordagem mais assertiva.

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    Vamos falar mais sobre isso? Com os profissionais certos e as condutas corretas?

    * Clayton Macedo é endocrinologista, doutor em endocrinologia e especialista em medicina do esporte e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem)

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