Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Letra de Médico

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

As novas apostas da ciência brasileira contra a doença de Alzheimer

Pesquisas analisam biomarcadores no sangue, papel de hormônios ‘protetores’ liberados em exercícios até métodos inovadores de edição genética

Por Bruno Solano e Thyago Leal Calvo*
3 out 2025, 08h00 •
  • Você provavelmente conhece ou conheceu alguém que convive com a doença de Alzheimer. Uma condição que se infiltra devagar, apagando lembranças recentes, confundindo nomes, até comprometer a autonomia. Viver com Alzheimer é como estar em uma grande biblioteca onde as luzes começam a falhar: primeiro fica difícil encontrar os livros mais novos. Depois, os corredores vão escurecendo até que o leitor se esquece de que um dia havia ali histórias.

    Estima-se que mais de um milhão de brasileiros já convivam com a doença e esse número deve dobrar até 2050 com o envelhecimento da população. Hoje, o número de idosos cresce muito mais que o de crianças. Isso significa que doenças ligadas ao envelhecimento, como o Alzheimer, vão se tornar mais frequentes. Falar em prevenção, diagnóstico precoce e novas formas de tratamento deve deixar de ser um tema restrito a especialistas: é um problema de saúde pública e que merece a atenção de todos.

    Em meio a esse desafio, boas notícias vêm da ciência. Pesquisas com participação de grupos nacionais têm avançado na busca por biomarcadores capazes de identificar o Alzheimer em exames de sangue, além do uso de neuroimagem e inteligência artificial para diagnóstico precoce. Também testam novas moléculas e estratégias terapêuticas, colocando o Brasil a par com as pesquisas mais modernas do mundo. Não existe cura, mas, pela primeira vez, acumulam-se evidências de que é possível frear, mesmo que discretamente, a marcha implacável da doença.

    Entre as novidades, os estudos mais avançados confirmaram a eficácia de anticorpos monoclonais capazes de reduzir o acúmulo de proteínas beta-amiloide no cérebro – envolvidas na morte de neurônios – atrasando a progressão do Alzheimer em pacientes nas fases iniciais. Esses resultados recolocam a beta-amiloide, considerada um componente importante na doença de Alzheimer, no foco das atenções.

    Mas a doença não se explica apenas pelo acúmulo dessa proteína: outros mecanismos estão em jogo, como o emaranhado da proteína tau nas células cerebrais, a inflamação crônica no cérebro e a diminuição de fatores protetores, como os liberados pelos músculos durante o exercício, muitas vezes pela dificuldade de pacientes idosos em se exercitar. Pesquisas brasileiras, por exemplo, mostraram que a irisina, hormônio liberado com a atividade física, pode proteger conexões entre neurônios e reduzir a inflamação cerebral.

    Continua após a publicidade

    Outro mecanismo em foco é a resistência à insulina. Mais evidências têm ligado distúrbios metabólicos, como o diabetes, ao risco de desenvolver Alzheimer. Entender essa conexão reforça que a chave para a prevenção não está apenas nos laboratórios, mas também em hábitos de vida. O futuro do tratamento talvez não esteja em uma única bala de prata, mas em uma combinação de estratégias que atuem sobre diferentes alvos.

    Entra nessa combinação a urgência por ciência inovadora, capaz de explorar caminhos ainda pouco convencionais na luta contra a doença. Neste sentido, talvez um dos exemplos mais ousados seja o da edição gênica. O CRISPR, basicamente uma “tesoura” de DNA muito precisa, começa a ser testado como estratégia terapêutica: desde a correção de mutações associadas a formas hereditárias da doença de Alzheimer até a diminuição da expressão de genes ligados à produção de proteínas tóxicas ou aumento naqueles que são neuroprotetores.

    O Brasil participa dessa fronteira. Estudos financiados por iniciativas como o Idor Ciência Pioneira focam no desenvolvimento de terapias gênicas capazes de aumentar a produção de proteínas que protegem o cérebro e, ao mesmo tempo, diminuir aquelas que são danosas – um equilíbrio que muitas vezes é perdido à medida que envelhecemos. Esses estudos podem resultar em terapias que diminuam a progressão do Alzheimer ou que retardem seu aparecimento. Embora complexas e custosas, as terapias gênicas estão em constante melhoramento, e a presença do Brasil nesse campo é fundamental para absorção da tecnologia no país.

    Continua após a publicidade

    Apesar dos grandes esforços, é provável que a doença de Alzheimer continue a nos desafiar por muitos anos. Mas cada descoberta, desde a pesquisa de base aos estudos clínicos, abre uma fresta de luz, mostrando que ainda há caminhos a percorrer. Enquanto isso, cabe a nós oferecer cuidado, dignidade e presença. A ciência pode adiar os impactos, mas só o afeto e o cuidado podem dar sentido a esta caminhada.

    *Bruno Solano é médico pesquisador do Idor/BA e Fiocruz/BA, além do IDOR Ciência Pioneira, e Thyago Leal Calvo é biologista molecular e pesquisador do Idor Ciência Pioneira em SP

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).