Telefones de ex-presidente da Alerj deixam deputados sob suspeita
“Tem 47 deputados que recebem mesada", disse o ex-governador Anthony Garotinho na CPI do Crime Organizado: "Vai faltar cadeia para tanta autoridade”
A contaminação institucional no Estado do Rio vai muito além da imaginação. É o que sugerem informações repassadas pela polícia a juízes e senadores, em Brasília, sobre as relações de um ex-deputado estadual, reconhecido integrante da máfia Comando Vermelho, com o ex-presidente da Assembleia Legislativa e um juiz federal.
Dados extraídos de três telefones apreendidos com Rodrigo Bacellar, que presidiu a Alerj até ser preso na semana passada, deixam sob suspeita três dezenas de deputados estaduais — ou seja, quase metade do plenário de 70 parlamentares — enredados numa teia de transações obscuras com o governo do Estado do Rio, que, aparentemente, abrangem desde a compra de livros didáticos até o fornecimento de comida em presídios.
“O caso é o retrato da espoliação dos espaços públicos de poder por facções criminosas”, escreveu o juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em despacho sobre a prisão do juiz federal Macário Ramos Júdice Neto, aparentemente envolvido nos negócios de Bacellar e do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, integrante do Comando Vermelho.
No Senado, onde funciona a CPI do Crime Organizado, prevê-se avanço das investigações sobre funcionários do governo do Rio, da Assembleia e do Judiciário no início do ano. Em depoimento nesta terça-feira (16/12), o ex-governador Anthony Garotinho ironizou: “Vai faltar cadeia no Rio, o presídio de Bangu é pequeno para tanta autoridade.”
Garotinho conhece Bangu, onde ficou preso em duas ocasiões (em 2016 e 2017). “Os senhores vão ver” — disse aos senadores. “Se essa investigação for a fundo, vão ver a lamentável situação… E vou dizer para os senhores, corrupção não tem partido. Tem gente de tudo quanto é partido envolvido. Tem uma lista de 47 deputados que recebem mesada; 47 deputados. Vai aparecer, está no telefone dele (Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj).”





