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José Casado

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Informação e análise

STF no palanque

Supremo vira alvo de candidatos em comícios de abertura do ano eleitoral

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 fev 2026, 06h00 • Atualizado em 27 fev 2026, 11h51
  • E agora? — esse par de palavras simples jamais teve peso tão significativo para os juízes do Supremo Tribunal Federal. Pela primeira vez, o STF está no palanque, mas como alvo principal de críticas na abertura do ano eleitoral. À frente desse coro estão representantes da “nova velha direita”, como definiu o sociólogo Georg Wink, coalizão de extremistas e alguns liberais que enxergam no projeto de degradação institucional um roteiro de oportunidades para novos negócios.

    Novidade de campanha é a promessa recorrente de processos de impeachment contra integrantes do Supremo. Candidato presidencial do Partido Liberal por nomeação do pai, Flávio Bolsonaro já assinou dois pedidos de impedimento do juiz José Antonio Dias Toffoli. O senador abstraiu o fato de Toffoli ter sido um dos conselheiros mais constantes de Jair Bolsonaro nos dias de agonia na Presidência.

    Seu concorrente à direita, o governador mineiro Romeu Zema, do partido Novo, dizia na semana passada ter estabelecido um critério para apoiar candidatos ao Senado: precisam levar às ruas a ideia de impeachment de juízes do STF.

    É receita de jogos psicológicos aplicada ao marketing eleitoral. No caso, incita-se o eleitor à reflexão sobre a liquefação institucional; se endereça a culpa da impunidade; e, ao mesmo tempo, o candidato se apresenta como capaz de “resolver” a crise que está aí.

    É notável que o Supremo tenha se voluntariado para figurar como alvo principal nesse embate eleitoral. Não é uma circunstância, mas resultado da progressiva ampliação de seu espaço de poder, nas últimas duas décadas, acumulando funções de tribunal constitucional, de recursos e de primeira e última instância da elite política.

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    “Supremo vira alvo de candidatos em comícios de abertura do ano eleitoral”

    Numa ironia, foi escolhido pela casta que agora o critica para arbitrar as próprias disputas não resolvidas nos plenários do Congresso. É exemplar o estoque de 800 ações diretas de inconstitucionalidade em que três dezenas de partidos imploram decisão do STF. Em alguns casos, a iniciativa partidária patrocina interesses privados contra o Estado. Recentemente, PSOL, PCdoB e Solidariedade pediram ao tribunal um tipo de anistia financeira para empreiteiras que confessaram crimes na Lava-Jato.

    A tendência é que o Supremo atravesse o ano exposto em praça pública, não pelas virtudes em defesa da democracia, mas como vilão numa trama de captura do Estado por interesses privados. Master é o nome da crise, derivada de uma fraude bilionária no sistema financeiro. E nela se exibem relações perigosas, frequentemente suspeitas, de integrantes do Judiciário, do Congresso e do governo — incluídos familiares — com um pedaço da linhagem empresarial que celebra o dinheiro como poder supremo, capaz de impor as próprias leis na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

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    Agora, a campanha eleitoral vai ganhar o ritmo do samba-rolo Master. Prevê-se um depoimento do antigo dono do banco na comissão de economia do Senado na semana que vem. Talvez seja ótima oportunidade para um senador pedir e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recitar, de viva voz, a lista de autoridades públicas levadas às festas com mulheres bonitas, pouca roupa e muito inebriantes — algumas eram estrangeiras, sem intimidade com a língua, ou melhor, com o idioma dos convidados. As orgias Master, aparentemente gravadas em vídeo, como se comenta por aí, são relevantes porque emolduram essa trama de captura do Estado brasileiro.

    Sem juízo moral, negócios com libertinagem é uma das mais antigas receitas de lobby. Assim, a relação de autoridades participantes dos festins ajudaria a entender como o pequeno Banco Master permaneceu protegido no governo, no Congresso e no Judiciário, enquanto executava fraude bilionária com o luxuoso auxílio de corretoras e investidores interessados em inflar seus balanços. A história desses bacanais é importante, também, para prevenção de eventuais reivindicações de nulidades na Justiça.

    Pela primeira vez em 218 anos, o Supremo se vê no centro de um enredo eleitoral. Os juízes poderiam repetir perguntas-chave dos versos clássicos de Carlos Drummond: E agora, STF?… Você marcha!… Para onde?

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    Os textos dos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião de VEJA

    Publicado em VEJA de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984

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