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Informação e análise

Sinal amarelo

Acordo Brasil-EUA em julho depende do humor eleitoral de Lula e Trump

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 Maio 2026, 06h00 | Atualizado em 8 Maio 2026, 09h27

O governo Donald Trump tem até julho para confirmar o plano de punir o Brasil e suas principais empresas exportadoras, sob acusação de múltiplas formas de abuso na competição capitalista. É o ritual previsto na legislação comercial dos Estados Unidos.

A Casa Branca dispõe de arsenal diversificado e capaz de provocar danos à economia de países como o Brasil. O uso é legitimado por regras administrativas específicas e sem caráter judicial. Essas normas permitem ao governo americano ir ao limite, se julgar necessário, na manipulação dos fluxos de comércio para estimular aumentos nos custos de produção no país-alvo das punições. Autoriza, ao mesmo tempo, a asfixia empresarial do adversário comercial impondo-lhe restrições de acesso aos serviços tecnológicos e financeiros americanos.

O caso brasileiro talvez seja o mais complexo entre seis dezenas de países sob investigação da agência de defesa comercial (USTR, na sigla em inglês). Isso porque pode afetar, também, sólidos interesses de empresas americanas no mercado brasileiro, que tem sido dos mais estáveis e rentáveis.

Três exemplos, com base em dados coletados pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e Confederação Nacional da Indústria (CNI):

1) Os investimentos americanos mais que triplicaram na última década (o estoque subiu de 108,7 bilhões de dólares em 2014 para 357,8 bilhões de dólares em 2024). Sustentam cerca de 100 000 empregos, metade em São Paulo;

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2) Os EUA acumularam expressivo superávit (257 bilhões de dólares) no comércio com o Brasil nos últimos dez anos;

3) Mais de dois terços dos produtos americanos entram no mercado brasileiro com tarifa zero.

Na semana passada, Washington ampliou a lista de empresas com a inclusão das subsidiárias locais dos grupos JBS e MBRF, responsáveis pelo abastecimento de quase metade do mercado de carnes dos Estados Unidos. Em inquéritos paralelos já se destacavam, entre outras, Embraer (aviões), Tupy (peças para automóveis), Siemens Energy (tecnologia de energia), indústrias de bens de capital, de insumos básicos, como aço e alumínio.

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“Acordo Brasil-EUA em julho depende do humor eleitoral de Lula e Trump”

Sobram acusações de vantagens irregulares no comércio Brasil-EUA, quase tudo balela de concorrentes menos eficientes na disputa de mercado. Mas há casos específicos que contaminam um segmento industrial inteiro. Foi o que aconteceu com o setor de madeira processada do Brasil, que exporta produtos elaborados sob encomenda e mantém preços cerca de um terço mais baratos que os das fábricas americanas.

Suspeitas sobre exportações de madeira brasileira foram reforçadas no confisco de uma carga de madeiras da Amazônia de propriedade da Tradelink no Porto de Savannah (Geórgia), um dos mais movimentados do país. Aconteceu em janeiro de 2020. Na sequência, Bryan Landry, adido florestal na Embaixada dos Estados Unidos, passou a questionar o governo Jair Bolsonaro sobre a madeira apreendida e os certificados do Ibama, rejeitados sob desconfiança de fraude.

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Landry até recrutou uma testemunha relevante. Presidente de uma subsidiária da Tradelink na Carolina do Sul, John Burcshe detalhou negócios ilegais na Amazônia com a conivência governamental. Depois do confisco, contou, a Tradelink designou uma pessoa no Ibama em Belém, “para garantir que as remessas (de madeiras ilícitas) fossem liberadas”.

A polícia reportou ao Supremo Tribunal Federal inquietações da agência americana com o “comportamento corrupto” de funcionários públicos. Inquéritos nos dois países envolveram o deputado federal paulista Ricardo Salles (Novo), ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro, onze dos seus principais assessores, duas associações de 34 madeireiras (Confloresta e Aimex) e, individualmente, três empresas exportadoras (Tradelink, Ebata e Wizi). Todos negaram tudo. Foi um caso isolado, mas ajudou a fomentar o lobby da concorrência americana, como aconteceu com a campanha bolsonarista, no ano passado, que ajudou a legitimar o tarifaço de Trump às exportações de 7 000 produtos brasileiros (41% do total).

A decisão de julho será política. Vai depender da habilidade e do humor de Lula e Trump, que amargam dificuldades eleitorais no ocaso de suas carreiras políticas. Eles têm a chance de escolher entre um conflito comercial e um acordo amplo o suficiente para multiplicar o fluxo de comércio e de investimentos entre o Brasil e os EUA. Sinais amarelos se espalham por Washington e Brasília.

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Os textos dos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião de VEJA

Publicado em VEJA de 8 de maio de 2026, edição nº 2994

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