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José Casado

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Informação e análise

‘Ressuscitar’ mortos e enganar vivos, negócio milionário no INSS

Em maio, confederação de pescadores chegou a 757 mil associados inscritos na folha da Previdência Social. Tomava 221 milhões de reais sem que eles soubessem

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 nov 2025, 08h00 • Atualizado em 4 nov 2025, 15h50
  • Eram 40 mil. Estavam todos mortos, mas a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura resolveu “ressuscitá-los”.

    Os 40 mil falecidos acabaram inscritos como associados, com desconto automático da contribuição confederativa na folha de aposentados e pensionistas da Previdência Social.

    A manobra não durou muito tempo. Ficou evidente demais em casos como o de Maria Souza, falecida em 2016 — quatro anos antes da confederação ser constituída e começar a funcionar com oito funcionários.

    No comando da entidade, Abrão Lincoln da Cruz, um antigo militante da Força Sindical, passou a dar preferência aos vivos.

    Em junho de 2023, apresentou ao INSS 64 mil nomes de novos associados para desconto em folha da contribuição confederativa.

    No mês seguinte, foram inscritos outros 196,8 mil sócios. A fiscalização da Previdência Social aceitou 190 mil — rejeitou 3%.

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    O ritmo de filiações aumentou. Houve dia, em agosto de 2023, com 24 mil novas associações. Ou seja, a confederação da pesca conquistou mil novos sócios por hora.

    A entidade virou um caso de sucesso na constelação sindical que passou a parasitar a folha de pagamentos dos aposentados e pensionistas.

    Em maio deste ano chegou a 757 mil associados. Deles extraía 221 milhões de reais como contribuição confederativa descontada automaticamente pelo INSS. O dinheiro entrava no caixa da confederação e, em seguida, era partilhado com uma miríade de empresas, consultorias e escritórios de advocacia.

    Quem nada sabia era quem pagava. Nove em cada dez “associados” disseram aos órgãos de fiscalização que sequer desconfiavam dos descontos para a confederação da pesca.

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    O destino dessa dinheirama começou a ser mapeado pela CPMI das Fraudes do INSS, que funciona no Senado. Nesta segunda-feira, o presidente da confederação, preferiu não comentar. Limitou-se a responder questões mais simples:

    — O senhor é pescador? — perguntou-lhe um deputado.

    — Não.

    — Já foi pescador?

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    — Muitos anos atrás. É, hoje eu não sou mais…

    — O senhor fazia que tipo de pesca?

    — Hein?

    — Pescava o quê?

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    — Robalo.

    O sindicalista Abrão Lincoln da Cruz terminou a noite detido, por decisão da CPMI das Fraudes no INSS.

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