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José Casado

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Informação e análise

Para o governo, aposta em Bolsonaro levou Raízen à crise bilionária

Ministro das Minas e Energia disse na Câmara dos Deputados que o governo planeja resgatar a empresa: “Nós temos que socorrê-la"

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 08h00 • Atualizado em 12 mar 2026, 14h37
  • Para o governo, a crise financeira da Raízen começou numa aposta que os acionistas teriam feito na eleição presidencial de 2022.  A empresa é controlada pelos grupos Ometto/Cosan e Shell.

    Maior produtora nacional de açúcar e etanol, com peso específico na distribuição de derivados de petróleo, ela recebeu nesta quarta-feira (10/3) um aval judicial para renegociar com credores a dívida de 65 bilhões de reais — equivalentes a 12,5 bilhões de dólares.

    Os problemas da Raízen teriam começaram quando acionistas decidiram atrelar os projetos de crescimento da empresa à perspectiva de reeleição de Jair Bolsonaro, segundo a versão apresentada por Alexandre Silveira, ministro das Minas e Energia, em audiência na Câmara.

    “A Raízen”, ele disse, “aceitou pagar 5 bilhões de reais em investimentos na Vale, na expectativa de se tornar controladora daquela empresa, porque acreditava na reeleição do governo anterior, e estava no direito dela.” Deu errado, Lula derrotou Bolsonaro.

    “Tomou prejuízo”, prosseguiu. “A Raízen também aceitou pagar 4 bilhões de reais por aquela medida de desoneração de combustível (para mitigar a alta de preços ao consumidor provocada pela guerra da Rússia na Ucrânia). Veja, 4 bilhões de reais, só a Raízen. Custou 15 bilhões de reais para o setor de etanol para fazer dentro da eleição.”

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    O governo Lula, no entanto, planeja resgatar a Raízen, segundo Silveira: “Nós temos que socorrê-la, é uma empresa importante para o país. Mas foram opções empresariais, os números (das perdas financeiras) são objetivos.”

    O ministro das Minas e Energia se defendia de uma dura crítica do deputado cearense Danilo Forte (União Brasil) à atuação do governo na repressão às máfias em expansão no segmento de distribuição de combustíveis.

    “Vossa excelência fez um discurso eloquente”, comentou o deputado, “e eu estou meio cansado de tanto discurso, mas é bom deixar muito claro duas coisas: omissão houve, ministro, em relação ao combate ao crime organizado no Brasil; e, o setor de combustíveis está pagando um preço muito alto.”

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    Forte é autor do primeiro projeto de lei para tipificar como terrorismo os crimes de máfias do tipo PCC e Comando Vermelho. “É triste ver uma empresa do tamanho da Raízen, com o significado e a sua história, pagando essa conta” — acrescentou. “Essa insegurança do setor do combustíveis foi o que ocasionou, inclusive, a saída de empresas multinacionais renomadas do mercado brasileiro. Foi embora a Texaco, foi embora a Esso, e outras sofrem com o tamanho do controle do crime organizado sobre o setor de combustíveis.”

    A Raízen surgiu em 2011 da união de interesses do grupo Ometto/Cosan e da Shell no Brasil, cada um com 44% do capital. Ela possui uma rede de oito mil postos Shell no Brasil e filiais na Argentina, Estados Unidos, França, Alemanha e Indonésia.

    Não há evidências sobre a aposta eleitoral dos acionistas, como argumentou o ministro de Minas e Energia nas críticas à gestão da empresa.

    Rubens Ometto, principal executivo da Raízen, foi um dos maiores financiadores de campanhas em 2022, com doações registradas para Jair Bolsonaro e Lula, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral. No governo Lula, integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, mais conhecido como Conselhão.

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