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José Casado

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Informação e análise

Na prisão há seis meses, Bolsonaro planeja vingança pela condenação

O negócio de Jair é assegurar algumas posições para a família na folha de pagamentos do Legislativo e garantir 42 votos fiéis no Senado

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 mar 2026, 08h00 • Atualizado em 10 mar 2026, 11h01
  • Jair Bolsonaro completa hoje o primeiro semestre de prisão por crimes contra a Constituição, entre eles, tentativa de golpe de estado.

    No sábado que inaugura o outono, dia 21, vai celebrar 71 anos de idade.

    Se nada mudar, e a biologia permitir, sua perspectiva é cumprir sentença até os 98 anos de idade, como estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal.

    Bolsonaro, no entanto, está fazendo do jogo de sobrevivência na política um passatempo de cadeia.

    É um raro caso de líder político que, da prisão, atropelou aliados dentro e fora do próprio partido, um dos maiores no Congresso, ao nomear um dos filhos como candidato presidencial.

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    Flavio Bolsonaro, senador pelo Partido Liberal do Rio, está terminando o verão como candidato potencialmente competitivo. Praticamente sozinho na oposição, se permitiu atravessar o primeiro trimestre ausente, em sucessivas viagens ao exterior.

    Mesmo assim, foi guindado ao segundo lugar nas pesquisas em patamar (35%) próximo ao de Lula (40%) — em algumas sondagens, empatado e com pequena vantagem numérica.

    Não significa tendência consolidada, imutável, mas não deixa de ser uma proeza. Principalmente, do pai cujo passatempo na prisão é montar o mapa eleitoral do PL, que terá aproximadamente um bilhão de reais em dinheiro público para financiar candidatos.

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    O negócio do Jair não é eleger filho Flavio presidente. Se acontecer, não vai lamentar.

    O que ele quer mesmo é assegurar algumas posições para a família na folha de pagamentos do Legislativo.

    Bolsonaro impôs ao PL as candidaturas ao Congresso da mulher Michelle (em Brasília); da ex-mulher Rogéria (no Rio); dos filhos Carlos e Jair Renan (em Santa Catarina); e, do irmão Eduardo (em São Paulo).

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    Além disso, tenta garantir uma bancada aliada com 42 votos dos 81 disponíveis no plenário no Senado.

    Essa é a tropa que precisa para deixar os juízes do STF sitiados com pedidos de impeachment em 2027.

    Seria uma vingança pela condenação à prisão pelos próximos 27 aniversários.

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