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Informação e análise

Direita em crise

Flávio Bolsonaro agora passa os dias tentando explicar o inexplicável

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 Maio 2026, 06h00

Ninguém sorriu para as câmeras, e nas fotografias eram todos aliados do senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência da República. Foi uma cena insólita de campanha de meia centena de parlamentares empenhados na luta pela sobrevivência nas eleições da primavera.

Sobraram perguntas na reunião no Congresso. Faltaram respostas do herdeiro Bolsonaro sobre as suas obscuras transações com Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master. Mesmo entre os mais fiéis aliados na extrema direita ficou visível a dificuldade em lidar com a corrosão de credibilidade de um candidato presidencial que, a cada dia, conta uma história diferente sobre o seu envolvimento num enredo de fraudes financeiras bilionárias.

Há poucas certezas sobre essa trama. Uma delas é que o candidato presidencial do Partido Liberal deliberadamente escondeu do partido e dos aliados os seus negócios com o ex-banqueiro. Esse segredo acabou dias atrás, quando o Intercept Brasil revelou a cobrança de 134 milhões de reais do Banco Master, epicentro de trapaças em série em fundos públicos e privados. O candidato Bolsonaro teria recebido ao menos 45%, ou seja, 61 milhões de reais, numa estranha operação com um fundo nos Estados Unidos, administrado por um advogado ligado a um dos irmãos do senador, Eduardo Bolsonaro.

Enredado num escândalo desse calibre, Flávio Bolsonaro procurou o pai para conversar sobre renúncia. Jair Bolsonaro, que o ungiu candidato da família à Presidência, vetou a eventual desistência e descartou a ideia de converter Michelle Bolsonaro em candidata substituta. Não contou, porém, se o seu pai teria aprovado alguém como alternativa.

O efeito corrosivo na credibilidade do candidato a presidente do Partido Liberal ficou evidente na reunião para contenção de danos promovida pela sigla. Ele não convenceu a maioria a se engajar na sua defesa, ao contrário, estimulou desconfiança com a promessa de esclarecer tudo “em trinta dias”. Desde então, no partido considera-se possível que Flávio Bolsonaro desista da Presidência e tente a reeleição ao Senado no Rio de Janeiro, na vaga inicialmente destinada ao ex-governador Cláudio Castro, inelegível por ter sido condenado por abuso de poder político e econômico na eleição de 2022.

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“Flávio Bolsonaro agora passa os dias tentando explicar o inexplicável”

A incerteza sobre o custo político da crise atemoriza aliados. Suspeitam ter feito uma aposta errada ao aceitar passivamente a candidatura de Flávio Bolsonaro, dono de reconhecido prontuário de vulnerabilidades políticas em década e meia como deputado estadual no Rio de Janeiro e, nos últimos sete anos, como senador. Temem pelas próprias candidaturas porque, no senso comum sobre Brasília, dizia o escritor Nelson Rodrigues, todos são inocentes e todos são cúmplices.

A mesma onda de choque do escândalo do Master que atingiu o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto agora semeia dúvidas sobre o futuro da combalida candidatura presidencial de oposição mais destacada nas pesquisas. Vai levar tempo para se dimensionar o estrago, mas o levantamento recente do consórcio Atlas/Bloomberg já indica uma queda na preferência por Flávio Bolsonaro. Não se alterou a posição de Lula, que, como ele, continua rejeitado por metade dos eleitores. Mas o declínio de um deixou o outro na liderança, com 7 pontos à frente.

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O caso representa mais do que um susto para a extrema direita, porque afeta as perspectivas do grupo no condomínio político nacional. Em 2018, pela primeira vez, esse agrupamento conseguiu se tornar viável como alternativa de poder e elegeu Jair Bolsonaro, com apoio de frações da direita. Ele atravessou metade do mandato em isolamento político. Em 2021, percebeu a inconveniência para seu projeto de reeleição e arrendou o Partido Liberal, de Valdemar Costa Neto, para onde migrou com cerca de quarenta parlamentares. Na sequência, partilhou o governo com o bloco conhecido como Centrão e entregou a Casa Civil ao presidente do partido Progressistas, o senador Ciro Nogueira (acusado de receber “mesada” de até 500 000 reais do Banco Master).

A extrema direita atravessou os últimos oito anos em coro sobre virtudes da ética na vida, nos negócios e na política, com estridência e fervor na condenação dos malfeitos dos adversários. Por ironia, agora o candidato Flávio Bolsonaro passa os dias tentando explicar o inexplicável: seu envolvimento no escândalo das fraudes bilionárias do Banco Master para, supostamente, financiar a cinebiografia do pai, Jair Bolsonaro.

Os textos dos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião de VEJA

Publicado em VEJA de 22 de maio de 2026, edição nº 2996

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