As indiscrições de Flavio Bolsonaro sobre negócios no mercado eleitoral
A renúncia à vaga de deputado federal pelo PL do Mato Grosso do Sul, aparentemente, vale 15 milhões de reais, o equivalente a três milhões de dólares
O senador Flavio Bolsonaro, nomeado pelo pai candidato presidencial do Partido Liberal, deixou um conjunto de anotações acessíveis aos olhos de curiosos. Aconteceu na tarde de terça-feira (24), depois de uma reunião em Brasília, quando a cúpula do partido repassou a situação eleitoral na maioria dos Estados, na perspectiva dos interesses do filho-senador Bolsonaro.
O aparente descuido permitiu aos repórteres Carolina Linhares, Guilherme Caetano e Naomi Matsui um panorama das alianças estaduais. Chamam a atenção as indiscrições manuscritas do candidato do PL. Revelam como ele vê alguns aliados.
Flavio Bolsonaro escreveu o nome vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, do PSD, ligando-o a um símbolo de dinheiro (“$”) com o desenho de uma seta. Ramuth está sob investigação num caso de lavagem de dinheiro em paraíso fiscal (Andorra) e nega irregularidades. O governador Tarcísio de Freitas tem dito que pretende ir à reeleição com o mesmo vice. Mas Flavio parece achar possível a troca do vice de Tarcísio. Por isso, anotou o nome de André do Prado, que é presidente da Assembleia paulista, e registrou: “Vice?”
Mais contundente foi a referência que fez ao deputado federal Marcos Pollon, do PL do Mato Grosso do Sul. Ele é reconhecido pela estridência em discursos, recebidos como ofensivos pelas parlamentares adversárias que ele costuma criticar. Flavio Bolsonaro fez uma anotação eloquente: “Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato).”
Em tese, significa que no mercado eleitoral do Mato Grosso do Sul a renúncia à vaga de deputado está valendo 15 milhões de reais, o equivalente a três milhões de dólares.
O deputado Pollon reagiu. Negou tudo, dizendo-se vítima de “uma campanha de assassinato de reputação”. Foi socorrido por Flavio Bolsonaro que, obviamente, culpou a imprensa por “distorcer” sua anotação. “Estavam dizendo isso do Pollon”, justificou, e, tomou nota “para não esquecer de avisar a ele que estavam veiculando essa mentira criminosa.”
Em outro registro dá pista sobre o dinamismo do mercado de Mato Grosso do Sul nesta etapa da campanha eleitoral. Escreveu: “Mulher Rodolpho (pediu 5 mi)”. Supostamente, Gianni Nogueira casada com o deputado federal Rodolfo Nogueira, do PL, reivindicou 5 milhões de reais, ou cerca de um milhão de dólares, para entrar na disputa ao Senado. O deputado Nogueira negou o pedido milionário, e arrematou: “Ela tem apoio de (Jair) Bolsonaro.”
Na prisão, o ex-presidente passa o tempo na prisão montando o mapa das candidaturas do PL. Seu objetivo é eleger 41 senadores para sitiar com pedidos de impeachment os juízes do Supremo Tribunal Federal que o condenaram a mais de 27 anos de cadeia por crimes contra a Constituição, entre eles, tentativa de golpe de estado.





