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Jorge Pontes

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Jorge Pontes foi delegado da Polícia Federal e é formado pela FBI National Academy. Foi membro eleito do Comitê Executivo da Interpol em Lyon, França, e é co-autor do livro Crime.Gov - Quando Corrupção e Governo se Misturam.

A resenha do constrangimento

Caso Roberto Jefferson é a prova de que a política e, principalmente o bolsonarismo, está entranhado em parte considerável da PF

Por Jorge Pontes 24 out 2022, 18h34 •
  • Já sabíamos que a justificativa seria essa: “vestir um personagem” para ganhar a confiança de um descontrolado Roberto Jefferson.

    Durante uma crise é o que de fato pode – e deve – ocorrer. Isso está nos bons manuais de gerenciamento de crise e certamente faz parte do ferramental do bom negociador.

    E verdade seja dita, diante do que poderia acontecer a partir da tresloucada reação do ex-deputado Roberto Jefferson, a equipe da PF que cumpriu a ordem do STF conseguiu atingir seus objetivos principais com sucesso. Prendeu o alvo sem que esse sofresse um arranhão sequer. Esse era o ponto, e o país respirou aliviado.

    E o início do imbróglio nos autorizava a considerar um desfecho desastroso, com consequências inimagináveis para a imagem da Policia Federal e do próprio país – e certamente com impacto eleitoral.

    Mas a verdade é que no momento em que a situação já estava sob controle, o agente seguiu “vestido com o personagem”, resenhando recreativamente com quem acabara de tentar matar três dos seus colegas.

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    O certo seria, depois de vencer as resistências, desarmar e algemar Roberto Jefferson – com as mãos para trás – e não desenvolver mais qualquer conversa desnecessária, muito menos com piadas e menoscabos em relação aos colegas feridos – tudo gravado em vídeo.

    Pois bem, se ele vestiu o personagem, acabou seguindo à vontade demais com o figurino, e para muito além da solução da entrada na casa e do domínio da situação. E se esqueceu de se despir desse personagem…

    Perdeu a oportunidade de ter uma performance quase que irreparável.

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    Estamos considerando essa tarde em Comendador Levy Gasparian como um dos episódios mais constrangedores da história recente da nossa corporação. E não levamos em conta o entra-e-sai do padre de festa junina, com rifles nas mãos, transitando em um perímetro de “cena de crime”.

    É a prova de que a política e, principalmente o bolsonarismo, está entranhado em parte considerável da PF.

    Merece registro a participação inócua do Ministro da Justiça, que numa diligência de polícia judiciária – PJ, onde a PF cumpre ordens de um magistrado, não manda absolutamente nada. O ministro é tão somente o chefe hierárquico-administrativo da instituição.

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    A missão da Polícia Federal, na condição de PJ, repito, é totalmente blindada de influências do diretor-geral, do ministro e até mesmo do presidente da República…

    É exatamente isso que não entra na cabeça de Bolsonaro, que ao final da crise desinformou a sociedade brasileira dizendo que mandou o ministro prender Roberto Jefferson, quanto nenhum dos dois tem poder para prender ninguém.

    Nunca um chefe de governo fez tanto mal à nossa instituição como Jair Bolsonaro. Os erros e desacertos da PF nesse episódio retratam justamente a ingerência que sofremos. A Polícia Federal está em escombros.

    Por derradeiro, o que ocorreu ontem é 100% produto de posturas agressivas e de políticas armamentistas de Bolsonaro, que incentivou um enorme derramamento de armas de fogo na sociedade brasileira, e vem reiteradamente bradando que não mais obedeceria ordens do STF, em especial do ministro Alexandre de Moraes.

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