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Isabela Boscov

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Um Gato de Rua Chamado Bob

Inédita no cinema, esta história real é tão gostosa e reconfortante quanto canja de galinha

Por Isabela Boscov 25 abr 2017, 09h00 | Atualizado em 25 abr 2017, 14h01

Bob, um gato amarelo que certo dia entrou pela janela do apartamento triste, sujo e feio do viciado em heroína James Bowen, não precisou fazer muita coisa para salvar seu novo dono; bastou ser e estar. E também este filme dirigido pelo veterano Roger Spottiswoode e protagonizado pelo ótimo Luke Treadaway (inédito nos cinemas brasileiros e disponível no NOW, GooglePlay e outras plataformas) não precisa fazer muito para ganhar o espectador. Melancólica sem forçar a barra e otimista sem pesar a mão, esta adaptação das memórias de Bowen desce fácil, fácil. É como canja de galinha – gostoso, reconfortante e básico. Atração extra: o carismático Bob é interpretado pelo próprio, com alguma colaboração de outros dublês felinos. Bob é um gato e tanto, o que ajuda a entender como ele pôde fazer tanta diferença na vida do sujeito que teve a sorte (e a bondade) de acolhê-lo.

Um Gato de Rua Chamado Bob
(Sony Pictures/Divulgação)

Em meados da década passada, James, um músico de rua que fazia ponto no Covent Garden de Londres, vinha trilhando aos solavancos o caminho da reabilitação: encontros semanais com a assistente social (Joanne Froggatt, a queridíssima Anne de Downton Abbey), doses diárias de metadona na farmácia, distância dos amigos viciados. Mas a própria vida não ajudava. Sem endereço fixo nem banho, sem dinheiro para comer e sem família (mãe na Austrália, pai que fingia não vê-lo na rua nem o deixava entrar na casa da nova família), ele era uma recaída esperando para acontecer até a chegada de Bob, que veio, ficou e não largou mais de James – que demorou a entender que havia sido escolhido como dono de fato, e não só como pouso temporário. Antes de Bob, James não ganhava mais do que um punhado de moedas por dia. Com Bob aninhado nos seus ombros enquanto tocava e cantava na esquina, James virou sensação: rodas imensas se formavam para vê-lo, e chovia dinheiro na caixa do seu violão.

Um Gato de Rua Chamado Bob
(Sony Pictures/Divulgação)

Ninguém se refaz da noite para o dia de uma vida inteira desperdiçada, claro, e James tomou vários outros trancos antes de se pôr de pé de vez. Mas Bob foi fundamental. Assim como é fundamental a simplicidade com que Roger Spottiswoode (de 007 – O Amanhã Nunca Morre) retrata esse processo, o de voltar pouco a pouco ao mundo dos vivos. Com Bob, James deixou de ser invisível – e ganhou um impulso decisivo, por ter outra criatura que manter viva e com que se preocupar. Ganhou, ainda, uma chance de loteria: entre as pessoas que iam fazer awwwnnn e ahhhhnnn vendo-o tocar com Bob nos ombros, no Covent Garden, estava a editora literária que encorajou James a transformar sua história em livro. E, agora, neste filme bem singelo e muito simpático.

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Trailer

UM GATO DE RUA CHAMADO BOB
(A Street Cat Named Bob)
Inglaterra, 2016
Direção: Roger Spottiswoode
Com Luke Treadaway, Ruta Gedmintas, Joanne Froggatt, Anthony Head, Beth Goddard, Darren Evans, Caroline Goodall, Ruth Sheen e o gato Bob

 

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