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Isabela Boscov

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Sete Homens e um Destino

Um faroeste transgênico – e isso é muito bom

Por Isabela Boscov 22 set 2016, 15h00 | Atualizado em 13 jan 2017, 16h12
Sete Homens e um Destino Priorizar nos meus resultados Google

Veja aqui a vídeo-resenha.


Um vilarejo de camponeses que não têm mais do que pás e enxadas com que se defender; um bando de malfeitores que não deixam o povoado em paz; e um último recurso: pagar a um grupo de mercenários para protegê-lo. A riqueza que o diretor japonês Akira Kurosawa tirou desse argumento é incalculável. Não só Os Sete Samurais, de 1954, é um desses colossos que nunca envelhecem (na boa, não dá para alguém dizer que sabe o que é o cinema sem tê-lo visto), como também influenciou diretamente dezenas de faroestes, policiais, e filmes de ação e de guerra desde então. Inclusive uma coisinha chamada Star Wars (George Lucas é um dos muitos fanáticos por Os Sete Samurais, e na sua saga espacial combinou-o ao enredo de outro filme de Kurosawa, A Fortaleza Escondida). Agora veja-se que coisa curiosa: Kurosawa era fã do diretor John Ford, e se inspirou muito nos faroestes dele para Os Sete Samurais. E aí, em 1960, a roda girou de novo: John Sturges, outro mestre do cinema americano, se inspirou em Os Sete Samurais para fazer… um faroeste – o sensacional Sete Homens e Um Destino, com Yul Brynner, Steve McQueen, Charles Bronson, Eli Wallach, James Coburn etc.

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Os Sete de Kurosawa ()
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De maneira que é fútil reclamar que agora o diretor Antoine Fuqua, de Dia de Treinamento e Nocaute, esteja lançando um novo Sete Homens e Um Destino, com Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio etc. Como a anedota aí acima prova, não existe nada intocável no cinema, e nem deveria haver: certas histórias podem e devem ser reaproveitadas, refeitas, revistas, retrabalhadas. Ainda que o resultado, na maioria das vezes, fique aquém do original. É mais ou menos como dizer que o cinema e o teatro deveriam parar de readaptar Hamlet, porque nunca vão chegar perto do de Laurence Olivier mesmo.

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Os Sete de Sturges ()

Ademais, o Sete Homens e Um Destino de Fuqua tem muito estilo (e também a mão pesada dele, mas essa é habitual). E tem aquela mesma voracidade que animou Kurosawa: Fuqua se aproveita de Os Sete Samurais e do Sete Homens de 1960 – mas também dos chamados faroestes crepusculares como Rastros de Ódio, e dos faroeste-spaghetti que o italiano Sergio Leone faria com Clint Eastwood logo no comecinho da década de 60 (Por um Punhado de Dólares, aliás, é decalcado de outro filme de Kurosawa, Yojimbo), e dos faroestes revisionistas desta última década, e…

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Os Sete de Fuqua ()

Ou seja, há de tudo aqui, e o resultado é o filme mais vibrante da carreira de Fuqua, e de longe o mais bonito deles todos. Dispensa você de ver Os Sete Samurais, ou o Sete Homens e Um Destino do grande John Sturges? Não, porque eles continuam bárbaros e dificilmente você vai se arrepender de doar seu tempo a eles. Mas isso não invalida a versão de Fuqua, nem qualquer outra que se venha a fazer. O cinema segue a mesma regra que vale para os seres vivos: misturar e diversificar os genes é o segredo da saúde e da evolução. Nem sempre, mas quase sempre.

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