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‘Roda do Destino’ e o cinema quase sublime do japonês Ryusuke Hamaguchi

Dividido em três contos sobre o acaso e seu poder de transformação, filme é chance de conhecer o trabalho do diretor, também responsável por 'Drive My Car'

Por Isabela Boscov Atualizado em 7 jan 2022, 09h59 - Publicado em 9 jan 2022, 08h00

Poucos cineastas têm direito a um ano como foi o de 2021 para Ryusuke Hamaguchi, com dois trabalhos de primeira grandeza circulando às vezes ao mesmo tempo em festivais ao redor do mundo. O mais extraordinário deles, Drive My Car, um filme de três horas que são a medida perfeita para o conto de quarenta páginas do escritor Haruki Murakami em que o filme se baseia, subiu tanto na cotação do mercado que permanece, até o momento, sem distribuidor no Brasil e, portanto, também sem previsão de estreia nacional. Enquanto essa situação não se resolve, o luminoso Roda do Destino (Guzen to Sozo/Wheel of Fortune and Fantasy, Japão, 2021), já em cartaz nos cinemas, é uma quase necessária introdução aos temas e ao estilo particular do diretor japonês.

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Dividido em três contos e com enxutas duas horas de duração (Happy Hour, que Hamaguchi lançou em 2015, tinha 317 minutos, todos eles indispensáveis), Roda do Destino entretece o imprevisto anunciado no título com a necessidade que ele impõe de fazer-se uma escolha. No primeiro episódio, uma produtora de moda e uma modelo dividem um táxi e, na conversa, a modelo percebe que o homem por quem a amiga está se apaixonando é o ex-namorado que ela largou. No segundo enredo, um estudante universitário humilhado por um professor arma uma cilada para ele usando sua colega e amante, mas a artimanha se metamorfoseia em uma interação reveladora. No terceiro conto, duas amigas de colégio se reencontram depois de vinte anos — mas talvez essas duas mulheres nunca tenham se conhecido e estejam apenas projetando na pessoa à sua frente aquela que desejavam encontrar.

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O que une as três histórias é o sentido delas, de que ninguém pode compreender os próprios sentimentos ou conhecer verdadeiramente algo de si a não ser pelos olhos de outro (ou pela voz: o ler ou dizer em voz alta tem um papel crucial para quem ouve e para quem diz). E mais ainda o significado que Hamaguchi dá a esses momentos em que um personagem encara o outro e a si: o de uma transformação tão inexorável que, uma vez iniciada, não pode mais ser parada. É a vida, em suma — no espaço de alguns minutos.

Publicado em VEJA de 12 de janeiro de 2022, edição nº 2771

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