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Irrfan Khan, morto aos 53, foi um gigante

Nunca menos do que soberbo, o ator indiano conhecido por Jurassic World e Quem Quer Ser um Milionário? brilhava mais quanto mais sutil fosse seu papel

Por Isabela Boscov 29 abr 2020, 17h43 | Atualizado em 5 jun 2026, 09h01
Irrfan Khan, morto aos 53, foi um gigante Priorizar nos meus resultados Google

Se tivesse feito toda a sua carreira nos Estados Unidos, em vez de tê-la estabelecido na Índia, Irrfan Khan hoje seria tão ou mais celebrado que Al Pacino, ou que Robert De Niro – por outro lado, não tivesse sempre vivido e trabalhado na Índia, apesar das muitas incursões no cinema de língua inglesa, Irrfan Khan não teria sido quem foi: um ator muito mais atento à profundidade e ao detalhe que ao impacto e ao efeito, capaz de compor personagens extremamente complexos usando apenas semitons com que expressar sua reserva inesgotável de sentimento. Extraordinário como o investigador de polícia que tenta arrancar do jovem Dev Patel a verdade em Quem Quer Ser um Milionário?, magnético como o agente antiterrorismo que procura o marido de Angelina Jolie em O Preço da Coragem, arrebatador como o homem maduro que relembra sua estranha história em Aventuras de Pi, comovente em Nome de Família, enigmático e fascinante na série Em Terapia, digno até em papeis minimamente desenvolvidos como os que fez em Inferno ou em Jurassic World – Khan nunca foi menos que soberbo. Seu talento era do tipo com o qual se nasce e não se pode ensinar – e, ao mesmo tempo, dizer isso diminuiria a extensão de sua técnica e a dedicação com que ele lapidou sua artesania. Diagnosticado em 2018 com um câncer neuroendócrino de prognóstico devastador, Khan morreu hoje, aos 53 anos. Para entender do que ele realmente era capaz, sugiro uma espiada no delicado O Quebra-Cabeça, disponível na HBO Go e no Looke, no intrigante Talvar, que está na Netflix, e em especial uma pequena joia disponível no NOW, Lunchbox:


Lunchbox

Lunchbox
(Dabba, 2013) (- Imovision/Divulgação)

Um erro ocorre no intrincadíssimo sistema de entrega de marmitas de Mumbai, cujo funcionamento rende uma sequência fascinante nesta estreia do diretor Ritesh Batra – e, por causa desse erro, a vida de uma jovem mal-­amada pelo marido se ligará à de um viúvo amargo e solitário. A comida que Ila (Nimrat Kaur) preparou na tentativa de reacender a chama doméstica vai equivocadamente parar na escrivaninha do cinquentão Sr. Fernandes (Khan), que se deleita com o prato. Junto com as marmitas, começarão a ir e vir bilhetes, que os dois trocam de maneira inicialmente formal e, depois, cada vez mais reveladora, sob a proteção do anonimato – até o dia em que um deles decide transpor essa distância. Reminiscente de clássicos do romance reprimido como Desencanto (1945) e Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (1987), Lunchbox virou um favorito dos festivais graças ao casamento bem dosado entre o realismo com que retrata a febril Mumbai e a delicadeza contida com que aproxima seus protagonistas.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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