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Isabela Boscov

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Garry Marshall

Amor verdadeiro, sexo pago: o rei um tiquinho cínico das histórias de príncipes e princesas

Por Isabela Boscov 20 jul 2016, 19h24 | Atualizado em 17 jan 2017, 15h49

A década de 90 começou, na bilheteria americana, com o pé direito: Uma Linda Mulher, a história da prostituta e do milionário que se apaixonam, talvez parecesse um romance improvável (além de um tantinho ousado), mas foi um estrondo. Julia Roberts virou estrela, Richard Gere disparou no ranking dos galãs, a plateia suspirou, arrebatada e até vingada – é difícil não adorar a cena em que Julia volta com um cartão de crédito ouro-diamante-titânio à loja de Rodeo Drive em que as vendedoras antes a haviam esnobado. E Garry Marshall, o diretor desse megasucesso, virou o rei das histórias de príncipes e princesas. Mas um rei com uma discreta veia cínica. Pense bem; com tudo que tem de desbragadamente romântico, Uma Linda Mulher ainda assim contrabandeia uma piada ácida: até quando o amor é verdadeiro, o sexo é pago.

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Uma Linda Mulher ()

Garry Marshall, que morreu ontem, na terça-feira 19 de julho, aos 81 anos, já vinha de uma longa e prolífica carreira quando fez Uma Linda Mulher. Na década de 60, escreveu para uma infinidade de programas cômicos na TV, incluindo os de estrelas como Lucille Ball, Dick Van Dyke, Bob Hope, Joey Bishop e Danny Thomas. Nas décadas de 70 e 80, lançou e supervisionou suas próprias séries: sucessos estratosféricos como Happy Days, The Odd Couple, Angie, Laverne & Shirley, Mork & Mindy (na qual Robin Williams estourou) – todas parte do vocabulário básico do telespectador americano. Do final dos anos 80 em diante, concentrou-se na direção, para a qual levou esse mesmo instinto certeiro sobre o gosto do público. Foi Marshall quem inventou a moda do filme “comemorativo” com um monte de atores célebres em papeis pequenos – coisas como Idas e Vindas do Amor (para o Dia dos Namorados), Noite de Ano-Novo (autoexplicativo) e, em maio último, O Maior Amor do Mundo (Dia das Mães). Segundo Marshall, o efeito publicitário era ótimo e, do ponto de vista financeiro, ficava tudo bem, porque cada um dos atores só estava ganhando por três ou quatro dias de trabalho.

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Happy Days ()

Por acaso, alguns dias atrás topei numa edição meio atrasada da Entertainment Weekly com as dicas de Marshall para uma boa comédia romântica. Segundo ele, duas são coisas são essenciais: a garota e o beijo. No primeiro quesito, ele teve rendimento excepcional – além de Julia, projetou Kate Hudson e Anne Hathaway. Quanto ao beijo, quem se dava bem eram as mocinhas: sempre que ele ia escolher o par romântico delas, o teste incluía a cena de beijo, para ver se o casal tinha química. Na filmagem do primeiro O Diário da Princesa, de 2001, ele só se decidiu por Chris Pine como galã depois de Anne Hathaway beijar sete bonitões diferentes. Ela adorou.

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Garry Marshall ()
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