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Jura que você nunca viu… “A Doce Vida”, de Fellini? Pois continua genial

Poucos filmes deixaram um legado tão forte e duradouro quanto este, que estabeleceu o diretor como o maior entre os italianos

Por Isabela Boscov 11 set 2019, 20h47 | Atualizado em 12 set 2019, 14h52
Jura que você nunca viu… “A Doce Vida”, de Fellini? Pois continua genial Priorizar nos meus resultados Google

Em quase todas as cenas do filme, eles estão lá: montados em lambretas, câmeras a tiracolo, tomam as ruas de Roma como um enxame, perseguindo estrelas loiras, socialites decadentes, príncipes obscuros. Trata-se dos paparazzi, aqueles fotógrafos especialistas em flagrar celebridades desavisadas. O termo é conhecido e usado no mundo todo. Quem o criou foi o diretor Federico Fellini, que retratou esses fotógrafos em seu filme mais famoso e batizou um deles Paparazzo. Essa é, contudo, somente a mais ínfima das contribuições de A Doce Vida, que está disponível no Looke. É um desafio achar outro filme que, sozinho, tenha legado ao público tantas imagens e expressões — incluindo-se aí seu título. Primeiro, há o prazer de rever cenas como a da abertura, em que uma estátua de Cristo sobrevoa Roma pendurada a um helicóptero, ou a maravilhosa seqüência em que Marcello Mastroianni, enfeitiçado pela beleza de Anita Ekberg, segue-a Fontana di Trevi adentro. É, sem dúvida, a imagem mais duradoura do filme — até porque, na época, seu erotismo chocou os mais carolas. Mas, ao mesmo tempo que se vale dessa Roma agitada e feérica e da aura de escândalo para seduzir a plateia, A Doce Vida trata de lhe dar também urnas tantas pauladas, e das bem doloridas.

A Doce Vida
(Riama Film/Divulgação)

Fellini rodou sua obra-prima no momento em que, refeita da dureza do pós-guerra, a Itália se convertia em um dos eixos da vida mundana europeia. Seu personagem central é Marcello (vivido por Mastroianni), um jornalista especialista em publicar fofocas. O personagem, no entanto, vive em permanente crise interior porque se sabe um parasita, como o são também os paparazzi e os burgueses que perseguem, e que se ocupam tão somente de viver a vida como se ela fosse sempre doce. O personagem gosta de se imaginar transformado em escritor respeitável, mas, a cada festa e a cada amanhecer, ele vai se tornando tão vazio quanto seus companheiros. Ao final, a sensação que se tem é de que dele só sobrou a casca.

A Doce Vida
(Riama Film/Divulgação)

A Doce Vida marcou a ruptura das tênues amarras que ligavam Fellini ao movimento neo-realista e fez com que ele se estabelecesse como o maior entre os grandes cineastas italianos. Prova de que a fama se justifica é que, quase seis décadas depois de seu lançamento, A Doce Vida continua tão arrebatador e perturbador como no dia em que chegou aos cinemas.

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Trailer

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A DOCE VIDA
(La Dolce Vita)
Itália/França, 1960)
Direção: Federico Fellini
Com Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée, Magali Noël, Walter santesso, Yvonne Furneaux, Alain Cuny
Onde: no Looke

 

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